quarta-feira, 1 abril 2026
spot_img
HomeCidadesParque do Pantanal do Rio Negro avança como modelo nacional na geração...

Parque do Pantanal do Rio Negro avança como modelo nacional na geração de créditos ambientais

Estudo de viabilidade aponta que o Parque Estadual do Pantanal do Rio Negro (PEPRN), em Mato Grosso do Sul, reúne as condições ideais para se tornar referência nacional na geração de créditos ambientais. A iniciativa é resultado de uma parceria entre a Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), o Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul), a Wetlands International Brasil e a Mupan – Mulheres em Ação no Pantanal.

O estudo avaliou o alto potencial do PEPRN para geração de créditos de biodiversidade e carbono com base em Soluções Baseadas na Natureza (SbN), utilizando metodologias como o desmatamento evitado (REDD) e o manejo integrado do fogo (MIF). Essa última, ainda pouco aplicada no Brasil, já tem resultados consolidados em países como Austrália e regiões da África. A expectativa é que os créditos gerados possam garantir financiamento contínuo para a gestão da unidade de conservação e ampliar a proteção dos ecossistemas pantaneiros.

O secretário Jaime Verruck, da Semadesc, avalia que a iniciativa representa um passo estratégico para o estado. “É uma oportunidade real de transformar ativos ambientais em benefícios concretos, combinando preservação com geração de valor”, afirma.

Para o secretário-adjunto da Semadesc, Artur Falcette, o projeto representa um marco nas políticas ambientais de Mato Grosso do Sul. “Estamos diante de um modelo que alia ciência e governança. Os créditos ambientais são essenciais para fortalecer a conservação do Pantanal e impulsionar o desenvolvimento sustentável das comunidades locais”, destacou.

Segundo o diretor-presidente do Imasul, André Borges, o foco no PEPRN foi decisivo para a consolidação do projeto. “Já havíamos tentado iniciativas semelhantes, mas foi a escolha do Parque do Rio Negro que possibilitou avançar de forma concreta e consistente”, disse.

Estrutura legal e governança

Além da análise técnica, o estudo incluiu uma avaliação dos aspectos jurídicos e de governança necessários para viabilizar a implementação. Uma consultoria especializada foi contratada para orientar sobre os modelos possíveis de gestão pública e definir diretrizes sobre responsabilidades e metodologias. “Era fundamental entender como operacionalizar juridicamente o projeto dentro da gestão pública”, explica Letícia Larcher, coordenadora do estudo.

Foram testadas metodologias internacionais, como a Verra VM0048 (desmatamento evitado) e a VM0047 (restauração florestal). Esta última foi considerada inviável nas atuais condições do parque. Já o manejo integrado do fogo, adaptado de experiências australianas, demonstrou forte potencial, especialmente com a adoção de estratégias de zona de amortecimento.

Biodiversidade e agenda climática

Uma das inovações do projeto é a valorização dos créditos de biodiversidade, com base nos critérios da Biodiversity Credit Alliance (2024), que incluem indicadores de qualidade de habitat, saúde de espécies-chave e monitoramento contínuo. O estudo também incorporou levantamentos de flora e fauna, avaliações de biomassa, estoque de carbono e análises sobre a dinâmica do fogo, com mapas comparativos de queimadas entre 2013–2019 e 2020–2024.

A diretora-executiva da Wetlands International Brasil, Rafaela Nicola, destaca que o projeto buscou fortalecer a governança territorial: “A proposta foi construída de forma colaborativa, com articulação entre instituições e apoio técnico especializado. A chegada da Letícia trouxe um olhar inovador para conectar o parque ao território”.

Realizado entre 2024 e 2025, o estudo está alinhado aos compromissos de Mato Grosso do Sul com a neutralidade de carbono até 2030 e pode ser replicado em outras unidades de conservação, como o Parque Estadual das Nascentes do Rio Taquari.

Com base técnica robusta, articulação institucional e soluções adaptadas à realidade pantaneira, o PEPRN consolida-se como um modelo inovador, que une conservação da biodiversidade, valorização dos serviços ecossistêmicos e sustentabilidade financeira.

NOTÍCIAS RELACIONADAS

ÚLTIMAS NOTÍCIAS