quarta-feira, 1 abril 2026
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Audiovisual que rememora os trilhos da ferroviária de MS será lançado nesta quinta

Nos trilhos que cortam Mato Grosso do Sul, entre o pó da estrada e o brilho do rio, nasce uma obra que cruza poesia, dança, som e imagem com a força dos corpos em movimento e da memória em travessia. Nesta quinta-feira, (17) será lançado o vídeo-arte “Olha! Lá vem o trem chegando”, com exibição online, no canal do Youtube (@pamellarani), e presencialmente, às 20h, na Pizza Pub que fica na Rua 14 de Julho, 2553 – centro de Campo Grande. Entrada gratuita.

Com oito minutos de duração, a obra é uma criação poético-visual que convida o público a refletir sobre os deslocamentos, as paisagens e as histórias que tecem a identidade sul-mato-grossense a partir da antiga malha ferroviária que atravessou o Estado. Interessados pelo desenvolvimento do projeto podem acessar o Instagram (@raniepam).

A poesia de Pâmella Rani, que também assina e interpreta a obra com seu corpo, sua voz e sua dança, conduz o espectador em uma viagem sensorial. A trilha sonora e os elementos visuais foram criados por Julián Vargas, músico e artista plástico parceiro na concepção da obra. “A partir de estudos de dança corporal, dança com bambolê, declamação poética, ilustrações e sons de percussão, pássaros, águas e trens, o vídeo se constrói como um mergulho experimental e sensível na memória dos caminhos”, pontua Rani.

O ponto de partida do projeto foi o poema “Olha! Lá vem o trem chegando”, escrito por Pâmella em 2023, durante uma viagem a Corumbá. “O texto surgiu num passeio de barco pelo Rio Paraguai, e carrega imagens de deslocamento, de travessia, dos fluxos que atravessam corpos e territórios. Fala do movimento das pessoas, da busca por condições melhores, de memórias familiares e afetivas”, explica a artista, que também é pesquisadora em Ciências Sociais e Antropologia, com foco nas fronteiras entre Brasil e Paraguai.

A equipe percorreu parte da antiga malha ferroviária entre Campo Grande e Corumbá, registrando estações desativadas, rios e paisagens atravessadas por histórias de deslocamento. Para Pâmella, esses elementos simbolizam “o tempo, o fluxo, a memória e o corpo em movimento”. A dança traduz isso em gestos inspirados em versos como “navego, navego, navego” e “tempo incendiário”.

Segundo Julián Vargas, o projeto nasceu da vontade de unir os interesses artísticos dos dois criadores. “A poesia foi o ponto de partida. Eu sugeri transformar em vídeo-dança, e aos poucos fomos costurando os elementos — a trilha, a imagem, o movimento. O som foi pensado como guia da dança e da memória, com percussões orgânicas e paisagens sonoras que evocam o trem, os pássaros e a água. A linha sonora se conecta à linha do trem e à fluidez do rio”.

As referências musicais incluem Naná Vasconcelos e o grupo Metá Metá, com sonoridades criadas a partir de instrumentos acústicos e midi. Visualmente, a obra dialoga com o trabalho performático de Joan Jonas e a linguagem audiovisual de William Kentridge. A paisagem não é pano de fundo, mas personagem: “Foi nas antigas estações que o vídeo ganhou corpo. A paisagem molda o tempo da obra”, completa Julián.

Passagem livre – Comprometida com o amplo acesso à arte, a obra será disponibilizada com audiodescrição, legendas e tradução em Libras. Além disso, poderá ser utilizada por escolas, universidades e coletivos artísticos como material de estudo, referência criativa ou base para debates sobre vídeo-arte, performance, memória e território.

Com apoio da Lei Paulo Gustavo, o projeto fortalece a produção audiovisual experimental e poética em Mato Grosso do Sul, reforçando o protagonismo dos artistas locais. Para Pâmella, “é uma obra que fala de memória, mas também de futuro — de como os caminhos que percorremos nos moldam e nos movem”.

A obra contou com direção geral e texto Pâmella Rani; câmera, montagem, edição, trilha sonora e ilustração, Julián Vargas; preparação corporal André Tristão; produção-executiva Nilcieni Maciel; figurino Marcia Paulino, acessibilidade – Libras Tatiana Tássia Cavana e audiodescrição Beatriz Lunardi.

“Olha! Lá vem o trem chegando é um projeto realizado com recursos da Lei Paulo Gustavo (LPG), do MinC – Ministério da Cultura, Governo Federal, com apoio da FCMS –  Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul, Setesc – Secretaria de Estado de Turismo, Esporte e Cultura – e Governo de Mato Grosso do Sul.

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