terça-feira, 31 março 2026
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Projeto Navio faz segunda expedição no Pantanal em dezembro para levar saúde integrada ao bioma

Expedição da SES leva ciência, cuidado e integração entre humanos, animais e ambiente às comunidades ribeirinhas do Rio Paraguai, com a próxima edição confirmada para começar em 1º de dezembro

Durante dias navegando pelo Rio Paraguai, entre comunidades ribeirinhas e a imensidão do Pantanal, profissionais da Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul (SES) viveram uma experiência que uniu ciência, cuidado e preservação ambiental. A bordo do Projeto NAVIO (Navegação Ampliada para Vigilância Intensiva e Otimizada), a equipe levou saúde, pesquisa e esperança a uma das regiões mais biodiversas e desafiadoras do país, reafirmando o compromisso do Estado com o conceito de Saúde Única, que integra a saúde humana, animal e ambiental.

A iniciativa, realizada em parceria com a Fiocruz Minas, a Marinha do Brasil e as Secretarias Estaduais de Saúde de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, faz parte do Consórcio Internacional CLIMADE (Climate Amplified Diseases and Epidemics), que investiga o impacto das mudanças climáticas sobre a ocorrência e disseminação de doenças; e tem como investigador principal o Dr. Luiz Alcântara da Fiocruz de Minas Gerais.

Mais do que uma expedição científica, o Projeto NAVIO é uma travessia pelo cotidiano pantaneiro: equipes multidisciplinares, laboratórios montados em embarcações e comunidades inteiras participando de ações que unem prevenção, diagnóstico e conhecimento.

A expedição

Durante a primeira expedição ao Tramo Norte do Rio Paraguai neste ano, realizada entre 23 de março e 14 de abril, a SES atuou por meio da Coordenadoria de Saúde Única, LACEN, Imunização, Coordenadoria de Saúde Bucal e Assistência Farmacêutica. Médicos, biólogos, veterinários, enfermeiros e técnicos trabalharam lado a lado, coletando amostras, orientando moradores e analisando dados em tempo real.

Principais ações realizadas:

  • Coleta de amostras biológicas de humanos, animais e do ambiente, analisadas em laboratório para identificar zoonoses e patógenos emergentes;
  • Análise de amostras de sangue, secreções, pelos e ectoparasitas de animais domésticos, silvestres e de produção;
  • Monitoramento ambiental com coleta de amostras de água do Rio Paraguai e análise da qualidade microbiológica e físico-química;
  • Captura e identificação de vetores fundamentais para compreender o risco de transmissão de arboviroses e outras doenças;
  • Atendimentos médicos e de enfermagem com consultas, classificação de risco e exames laboratoriais de rotina;
  • Testes rápidos para triagem de diversas doenças infecciosas;
  • Diagnósticos moleculares e sorológicos;
  • Ações educativas e rodas de conversa sobre prevenção de doenças, cuidados com a água, controle de vetores e convivência com a fauna local;

Tecnologia e inovação

O projeto também inovou ao incorporar o uso de inteligência artificial na interpretação de dados clínicos e laboratoriais, otimizando diagnósticos e ampliando a capacidade de resposta em campo. Essa integração de tecnologia e vigilância fortaleceu a prevenção de agravos e a proteção da saúde pública em regiões remotas.

A força da integração

A secretária adjunta de Estado de Saúde, Crhistinne Maymone, define a experiência como um marco para o SUS em Mato Grosso do Sul. “O Pantanal é um organismo vivo, e quem trabalha com saúde precisa compreender essa conexão. O Projeto NAVIO mostra que cuidar das pessoas é também cuidar do ambiente e dos animais. É ciência e humanidade navegando juntas”.

Para a coordenadora de Saúde Única da SES, Danila Frias, o projeto traduz o que há de mais moderno em vigilância integrada. “A cada amostra coletada, a cada conversa com um morador, reforçamos o sentido de pertencimento e responsabilidade compartilhada. A Saúde Única não é apenas um conceito técnico, é um compromisso com o futuro do Pantanal e com a vida em todas as suas formas. ”

Um legado para o Pantanal

Ao final da expedição, os dados coletados e as histórias vividas confirmaram a importância da integração entre saúde humana, animal e ambiental. Em áreas de fronteira e alta biodiversidade, como o Pantanal, essa união é essencial para a detecção precoce de doenças, o monitoramento de zoonoses e o fortalecimento da vigilância.

No contexto pantaneiro, onde o convívio entre pessoas, fauna e ambiente é intenso, essa integração das ações de vigilância fortalece a resposta do sistema de saúde frente às doenças emergentes e amplia o entendimento sobre os equilíbrios ecológicos que sustentam a vida. Cuidar da saúde dos animais, portanto, é também preservar a saúde das comunidades e a integridade desse ecossistema único.

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