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29 de Janeiro de 2026

Economia

Terceiro trimestre mostra desaceleração da indústria e acende alerta para os próximos meses, diz CNI

Embora PIB industrial tenha subido 0,8% entre julho e setembro, crescimento acumulado em um ano recuou de 3% para 1,8%. Juros, demanda enfraquecida e importações complicam cenário.

Os dados do Produto Interno Bruto (PIB) do 3º trimestre divulgados nesta quinta-feira (4) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram perda de ritmo evidente da indústria e sinalizam um quadro ainda mais preocupante para o setor nos próximos meses, avalia a Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Embora o PIB industrial tenha subido 0,8% entre julho e setembro, o crescimento acumulado do setor em um ano recuou de 3%, no 1º trimestre, para 1,8%, no 3º trimestre.

“Existe uma defasagem entre a elevação das taxas de juros e a materialização dos efeitos sobre a economia. Isso significa que perda de ritmo adicional ainda deve acontecer. No caso da indústria, o quadro é ainda mais preocupante. Então, somado aos juros, a demanda interna mais fraca e a ascensão expressiva das importações complicam muito o cenário para os próximos meses”, avalia o presidente da CNI, Ricardo Alban.

O crescimento de apenas 0,1% da economia brasileira no 3º trimestre veio dentro das expectativas e reflete diretamente a política monetária contracionista adotada pelo Banco Central para controlar a inflação.

Selic segue freando o crescimento do PIB

A Selic elevada é a principal causa para a perda de força dos motores que sustentaram o crescimento da economia em 2024 e que vinham segurando a alta do PIB em 2025. No 3º trimestre, as concessões de crédito, por exemplo, desaceleraram em quase todos os segmentos.

O mercado de trabalho, por sua vez, ficou estável depois de um longo período de crescimento acima das expectativas, já refletindo impactos da política fiscal e juros altos, impactando a massa de rendimentos dos trabalhadores. Com isso, o consumo cresceu apenas 0,1% no 3º trimestre, bem menos do que as duas altas trimestrais anteriores, de 0,6% cada.

Não por acaso, a demanda doméstica por produtos industriais subiu apenas 0,1% no 3º trimestre. Além disso, parte da demanda se desviou para a compra de bens de consumo importados, que cresceu 17% entre janeiro e outubro de 2025, em relação ao mesmo período do ano passado. Esses fatores limitaram o crescimento da indústria, especialmente de transformação, que cresceu 0,3%, mas também do varejo, explicando porque o PIB do setor de serviços subiu apenas 0,1% entre julho e setembro deste ano.

A Indústria extrativa, construção e agro seguraram crescimento da economia no 3º trimestre – O desempenho de alguns setores produtivos impediu que a desaceleração da economia fosse ainda maior. Impulsionada pelo forte desempenho da safra, a agropecuária subiu 0,4% no 3º trimestre. Já a indústria extrativa registrou alta de 1,7%, a quarta consecutiva, graças ao crescimento da exploração de petróleo e gás.

Outro dado positivo vem da indústria da construção, cujo PIB subiu 1,3%, interrompendo duas quedas trimestrais consecutivas.

Queda dos investimentos preocupa- Embora tenha crescido 0,9% no 3º trimestre, o investimento como proporção do PIB caiu de 17,4% para 17,3%. Para a CNI, o resultado é preocupante pois, somado ao desempenho modesto da indústria de transformação, revela a dificuldade de ampliação da capacidade produtiva da economia no curto prazo.

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