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07 de Janeiro de 2026

agronegócio

Brasil detém a segunda maior reserva de terras raras no mundo e controle industrial redefine disputa

A discussão sobre terras raras ganha relevância crescente no cenário econômico global por envolver insumos estratégicos para tecnologia, transição energética e defesa, além de intensificar disputas geopolíticas. Análise de Gilberto Silva, MSc., mestre em Geociências pela Unicamp, mostra que as maiores reservas globais desses metais estão concentradas em poucos países, com ampla liderança da China, seguida por Brasil, Índia e Austrália, dentro de um volume estimado entre 130 e 160 milhões de toneladas.

Brasil e Índia aparecem como polos de potencial estratégico. Com grandes recursos geológicos e cadeias produtivas ainda pouco desenvolvidas, os dois países ganham importância no tabuleiro global, atraindo interesse por investimentos diretos e parcerias de longo prazo. Nesse contexto, a disputa pelas terras raras se mostra menos associada à posse dos recursos e mais ao controle do ecossistema industrial que permite transformar essas reservas em poder econômico.

O Brasil possui a segunda maior reserva de terras raras do mundo, com grandes depósitos em Araxá (MG), Catalão (GO), Pitinga (AM) e áreas em Poços de Caldas (MG), Bahia e Piauí, mas a exploração é baixa, gerando um grande potencial econômico e geopolítico. A exploração atual é focada em nióbio, com as terras raras presentes em minerais como monazita e xenotima, sendo a extração mais sustentável por argilas iônicas uma vantagem competitiva, e o país busca atrair investimentos para desenvolver a cadeia produtiva.
Os dados indicam que a presença de reservas não garante, por si só, poder econômico ou influência estratégica. O fator determinante está na capacidade de processamento, separação, refino e integração industrial, etapas que definem quem transforma o minério em produtos de alto valor agregado. Nesse aspecto, a China construiu uma vantagem estrutural ao controlar praticamente toda a cadeia produtiva das terras raras, utilizando esse domínio como instrumento de política
Principais regiões com potencial
  • Araxá (MG): Maior jazida de nióbio e terras raras, berço da exploração brasileira.
  • Catalão/Ouvidor (GO): Depósitos de carbonatitos com nióbio, fosfato e terras raras.
  • Pitinga (AM): Associada à cassiterita (estanho), contendo cério, lantânio e ítrio.
  • Poços de Caldas (MG): Projetos de argila iônica para extração sustentável.
  • Serra dos Carajás (PA): Ocorrências associadas a rochas alcalinas e lateritas.
  • Sul da Bahia (Jequié, Prado): Depósitos de monazita e argila iônica de alto teor.
  • Piauí: Novas descobertas de fosfato, terras raras e urânio na Bacia do Parnaíba. 

Em contraste, Estados Unidos e outros países ocidentais enfrentam limitações relevantes. Mesmo dispondo de reservas próprias, permanecem dependentes da Ásia para o processamento, o que amplia riscos para suas cadeias industriais e tecnológicas. A escassez, portanto, não está no volume disponível de minério, mas na falta de capacidade industrial viável, eficiente e alinhada a critérios ambientais.

 

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