Economia
Capital estrangeiro aumenta liquidez e produz um ciclo de recordes seguidos do Ibovespa em janeiro
O mercado acionário brasileiro iniciou 2026 com uma combinação que não se via há mais de dois anos: forte entrada de capital estrangeiro e aumento expressivo da liquidez no mercado à vista. Esse movimento tem ajudado a dinâmica da bolsa, com reflexos diretos sobre o desempenho de seu principal índice, o Ibovespa.
Um levantamento da Elos Ayta Consultoria mostra que o volume financeiro médio diário negociado no mercado à vista da B3 atingiu, em janeiro de 2026, cerca de R$ 22,5 bilhões, considerando dados parciais até o dia 20 deste mês. Esse é o maior patamar mensal desde junho de 2023.
É o melhor desempenho para um mês de janeiro desde dezembro de 2023, marcando uma inflexão clara em relação ao padrão observado ao longo de 2024 e parte de 2025.
Segundo Einar Rivero, CEO da Elos Ayta e especialista em dados de mercado, os números sinalizam uma mudança estrutural na percepção do investidor internacional sobre o Brasil. “O mês de janeiro de 2026 marca uma inflexão relevante para o mercado brasileiro. Essa combinação de fluxo externo e liquidez reforça a percepção de que o Brasil voltou de forma mais consistente ao radar do investidor global”, afirma Rivero.
Esse binômio, entrada líquida de capital estrangeiro e aumento do volume negociado, teve impacto direto sobre o principal índice da Bolsa. Até o fechamento de 23 de janeiro, o Ibovespa renovou suas máximas históricas em seis oportunidades, dando sequência a um movimento que já havia sido observado em 2025, quando o índice bateu recordes em 32 pregões ao longo do ano.
O desempenho recente vai além de recordes pontuais. Ele reflete um ambiente de mercado mais líquido e melhor formação de preços. Em períodos como esse, a presença do investidor estrangeiro tende a reduzir distorções, diminuir prêmios de risco e tornar o mercado mais eficiente. Para Rivero, os efeitos são estruturais tanto para o investidor quanto para a Bolsa brasileira.
-“Mais do que recordes pontuais, esses dados têm implicações estruturais. Para o investidor, indicam um ambiente de maior liquidez, melhor formação de preços e redução dos prêmios de risco. Para a bolsa brasileira, sinalizam maior profundidade de mercado, fortalecimento institucional e uma integração mais intensa da B3 aos fluxos globais de capital, reforçando seu papel como principal plataforma de renda variável da América Latina”, pontua.
O desafio, daqui para frente, será a sustentabilidade desse movimento ao longo de 2026. Ela dependerá de fatores como o cenário de juros internacionais, o crescimento global e a condução da política fiscal doméstica. Ainda assim, os dados de janeiro deixam um recado claro: o investidor estrangeiro voltou a olhar para o Brasil.

