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sábado, 18 abril 2026
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Antologia com Adélia Prado, organizada por educadora indígena, será lançada em Campo Grande

Treze Mulheres Contemporâneas, Treze Poemas Cada, traz poesia como resistência. Lançamento acontece dia 5 de março, no Café Doce Lembrança, em Campo Grande (MS), às 19h

Adélia Prado, considerada a maior poeta brasileira viva, divide as páginas de Treze Mulheres Contemporâneas, Treze Poemas Cada com outras 12 vozes atuais. Entre elas, indígenas, negras, árabes, judias e ciganas, de diferentes regiões e gerações do Brasil.

Editado por Aaron Salles Torres e organizado pela poeta e educadora indígena Márcia Mura, o livro traz um marco histórico: é a primeira vez que uma antologia de poesia feminista brasileira é organizada por uma mulher indígena. A obra será lançada pela
Georgois Livros em 5 de março, no Café Doce Lembrança, em Campo Grande (MS), às 19h.

Durante o período recente de nossa história, as mulheres sofreram abusos que eu jamais poderia ter imaginado que testemunharia, afirma Aaron, editor da Georgois Livros. Para ele, as mulheres, que representam 51,5% da população brasileira, seguem sendo fundamentais na resistência democrática. Depois de apresentar a ideia de "poemas que representem a realidade da mulher brasileira contemporânea, ele convidou Márcia para organizar a obra. Já passava da hora de uma antologia de poesia feminista ser organizada por uma mulher indígena no Brasil.

Márcia identificou em comum entre as 13 vozes a coragem de não aceitar imposições. O que interliga essas poetas é a própria condição humana e as formas de desumanização. Vi nas poesias a violência denunciada, a dor, a revolta e a força para seguir em frente, afirma.

Para ela, as vozes indígenas, dos seringais, judias, lésbicas, trans e negras trazem a memória das que vieram antes como força. Apesar de toda a colonização, do patriarcado e do capitalismo, não nos venceram. Estamos vencendo. Ao lado de Adélia, a seleção reúne Gleycielli Nonato Guató, Val Souza, Érica Zíngano, Tânia Rego, Dalva Agne Lynch, Layla de Guadalupe, Flora Thomé, Paula Máiran, Lama, Kimani, Sara Kali e Renata Machado Tupinambá. Juntas, representam diferentes gerações
(nasceram entre 1930 e 2002), regiões e identidades.

A pesquisa de seleção levou mais de um ano. O critério de Aaron Salles Torres foi buscar poetas que evolucionassem os conceitos e as formas do Modernismo (em oposição ao concorrente “pós-modernismo”, que o editor — como Habermas — pensa mais apropriado chamar de “nietzscheanismo”) e que demonstrassem através de seu trabalho compreender
a necessidade de o movimento identitário ser sempre atrelado à luta de classes.

O resultado é uma obra que dialoga com a diversidade sem perder de vista a batalha coletiva. Os grupos de identidade, de outra forma, estão cada vez mais focados nas diferenças. É mais um equívoco dos ‘pós-modernos’ que provém da má-fé de Nietzsche.
Quanto mais isolados, mais fracas as nossas vozes”, afirma Aaron.

“Esperamos que os leitores de ‘Treze Mulheres’ levem consigo emancipação intelectual — e que isso resulte na tão desejada emancipação laboral do trabalhador brasileiro em termos práticos, complemente a poeta Layla de Guadalupe.

Sobre a organizadora: Márcia Mura é educadora, pesquisadora, escritora e doutora em História Social pela USP. Nascida em Porto Velho (RO), pratica a pedagogia da afirmação indígena a partir das vivências no território. É autora de O Espaço Lembrado (2013); O Curumim do Rio do Machado (2021) e Tecendo Fios de Memórias Mura (2022). Faz parte
das coletâneas “As 29 Poetas Hoje” (2021) e “Originárias” (2023).

Serviço
Lançamento do livro "Treze Mulheres Contemporâneas: Treze Poemas Cada;
Data: 5 de março
Horário: 19h
Local: Café Doce Lembrança (Rua Dom Aquino, 2055 – Centro, Campo Grande, MS)
Entrada: Gratuita
Classificação: Livre

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