sexta-feira, 6 março 2026
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Com Lula, economia fica estagnada em 2025, PIB tem o menor avanço desde a pandemia e despesas do Governo sobem 2%

Em um ranking que mede o crescimento do PIB de 61 países, o Brasil saiu do 20º lugar, em 2024, para o 36º em 2025. As despesas do governo cresceram 2%.

A atividade econômica ​do Brasil terminou o ano quase estagnada no quarto trimestre e mostrou perda de força em relação a 2024 diante de uma política monetária restritiva.

O resultado do ano, divulgado nesta terça-feira (03) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foi o pior desde 2020, quando a atividade encolheu em meio à pandemia de Covid-19, mas ainda assim veio em linha com o esperado pelo governo.

O Produto Interno Bruto (soma de todos os bens, produtos e serviços, de toda a riqueza que o Brasil produziu) cresceu 2,3% em 2025, o menor resultado desde a pandemia, quando o PIB cresceu 3,4%. E o desempenho do ano passado só foi alcançado pela performance da agropecuária.


Em um ranking que mede o crescimento do PIB de 61 países, o Brasil saiu do 20º lugar, em 2024, para o 36º em 2025. As despesas do governo cresceram 2%.


No quarto trimestre, o Produto Interno Bruto (PIB) registrou avanço de 0,1% sobre os três meses anteriores, resultado que ficou em linha com a expectativa em pesquisa da Reuters.

Agro responde

Segundo o IBGE, a agropecuária respondeu por 32,8% do volume adicionado ao indicador no ano passado, seguida por indústria extrativa (15,3%), outras atividades de serviços (14,6%) e informação e comunicação (9,4%).

A coordenadora de contas nacionais do instituto, Rebeca Palis, informa que as principais contribuições vieram de segmentos menos influenciados pelos juros e com presença em exportações.

A indústria extrativa, por exemplo, fechou 2025 com alta acumulada de 8,6%. Houve crescimento da extração de petróleo e gás. Assim, o ramo extrativo sustentou o avanço da indústria geral no ano (1,4%).

A indústria de transformação, por outro lado, mostrou variação negativa de 0,2%. Trata-se de um segmento mais afetado pelos juros.

-“O agro foi responsável por um terço do PIB e, se ela não tivesse crescido, seria um PIB menor. Foi um ano de safra de soja e milho e aumento na laranja, com aumento de produção e produtividade. O agro sofre menos com juros e é uma atividade exportadora”, esclareceu Palis.


Mesmo com o crescimento de 1,4%, a indústria enfraqueceu em 2025 depois de ter avançado 3,1% no ano anterior. Os serviços – setor que responde por cerca de 70% da economia do país – tiveram avanço de 1,8%, também perdendo ritmo após alta de 3,8% em 2024.


PIB retraído

O PIB mostrou desaceleração no segundo semestre de 2025, depois de ter expandido 1,5% no primeiro trimestre e 0,3% no segundo. No terceiro trimestre, a economia ficou estagnada, em dado revisado pelo IBGE de alta de 0,1% informada antes. Em relação ao quarto trimestre de 2024, o PIB apresentou alta de 1,8%, também em linha com a expectativa.

-“Após três taxas (trimestrais) perto da estabilidade, ⁠isso é uma estagnação do ⁠crescimento, principalmente no segundo semestre. Os ‌juros foram os vilões da economia no ano passado, foi o maior impacto sobre o PIB e esse impacto ficou muito claro no segundo semestre,” avaliou Rebeca Palis, coordenadora de Contas ​Nacionais do IBGE.

Analistas vinham indicando uma desaceleração da economia brasileira em 2025 diante da taxa de juros elevada, em 15% desde meados do ano passado. Um mercado de trabalho forte, entretanto, evitou perdas mais fortes.

Expectativa

A expectativa agora é de redução dos juros, começando neste mês. Em janeiro, o BC decidiu manter a Selic em 15%, mas indicou o ⁠início do ciclo de cortes na reunião dos próximos dias 17 e 18. A perspectiva econômica, entretanto, sofreu um impacto nesse ​fim de semana com os ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irã, que vêm causando preocupações com a inflação devido ao aumento dos preços do ​petróleo e do gás.

Ainda que o mercado de trabalho possa desacelerar em 2026, ele deve continuar ‌ajudando a economia, que pode ganhar impulso ​ainda de ⁠medidas de estímulo adotadas pelo governo, como o aumento da faixa de isenção do Imposto de Renda. A agropecuária deve novamente impulsionar o PIB no início do ano mas, diante de incertezas relacionadas à eleição presidencial, empresas e famílias podem adotar postura mais cautelosa.

O Ministério da Fazenda previu nesta terça-feira que o PIB crescerá 2,3% novamente este ano.

Famílias reduzem o consumo

De acordo com o IBGE, o Consumo das Famílias cresceu 1,3% em relação a 2024. O instituto atribui essa melhora ao bom desempenho do mercado de trabalho, o aumento do crédito e os programas governamentais de transferência de renda.

No entanto, esta taxa representa uma desaceleração em relação ao crescimento de 2024 (5,1%) devido, principalmente, aos efeitos adversos da política monetária contracionista. O Consumo do Governo, por sua vez, cresceu 2,1%.

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