sábado, 14 março 2026
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Conflito no Oriente Médio provoca oscilações no mercado do boi gordo

Tensões geopolíticas impactam logística internacional da carne bovina, pressionam preços da arroba e geram oscilações nas principais praças pecuárias do país.

O mercado físico do boi gordo no Brasil registrou uma semana marcada por oscilações de preços, influenciadas principalmente pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio.

De acordo com o analista da Safras & Mercado, Fernando Iglesias, o cenário internacional obrigou frigoríficos a ajustarem rapidamente suas estratégias de compra de gado.

No início da semana, algumas indústrias em São Paulo voltaram a negociar animais em patamares mais elevados, mas posteriormente retomaram tentativas de aquisição em valores mais baixos, refletindo a instabilidade do mercado.

Conflito no Oriente Médio afeta logística global da carne

Segundo Iglesias, uma das principais preocupações do setor está relacionada aos impactos logísticos no comércio internacional de carne bovina.

O analista destaca que a paralisação no Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes do mundo, pode provocar:

  • necessidade de reavaliação das rotas de exportação
  • aumento do tempo de transporte das cargas no oceano
  • elevação de custos logísticos para exportadores

Esse cenário aumenta o nível de incerteza no mercado internacional de proteína animal e repercute diretamente na formação de preços no Brasil.

Preços da arroba registram variações nas principais praças

No mercado físico, os preços da arroba do boi gordo apresentaram movimentos distintos nas principais regiões produtoras do país até 12 de março, na modalidade a prazo.

Cotações do boi gordo:

  • São Paulo (Capital): R$ 345,00/@ — queda de 1,43% frente aos R$ 350,00 do fim da semana anterior
  • Goiás (Goiânia): R$ 330,00/@ — estável em relação à semana passada
  • Minas Gerais (Uberaba): R$ 345,00/@ — sem alteração
  • Mato Grosso do Sul (Dourados): R$ 335,00/@ — recuo de 1,47% frente aos R$ 340,00 anteriores
  • Mato Grosso (Cuiabá): R$ 340,00/@ — estável
  • Rondônia (Vilhena): R$ 310,00/@ — queda de 1,59% ante os R$ 315,00 da semana passada

Em estados como Mato Grosso do Sul, frigoríficos seguem tentando adquirir gado em patamares mais baixos, o que mantém pressão sobre os preços.

No mercado atacadista, os preços da carne bovina registraram acomodação ao longo da semana.

Segundo Fernando Iglesias, nem mesmo a entrada dos salários na economia foi suficiente para estimular novos reajustes nos preços da proteína.

Isso ocorre porque a carne bovina já atingiu patamares elevados para grande parte da população brasileira, especialmente para famílias com renda entre um e dois salários mínimos.

Consumidores têm priorizado proteínas mais acessíveis, como:

  • carne de frango
  • embutidos
  • ovos
Preços dos cortes bovinos no atacado

Entre os principais cortes comercializados no atacado, foram registrados os seguintes valores:

  • Quarto dianteiro: R$ 20,50/kg — queda de 2,38% frente aos R$ 21,00 da semana anterior
  • Cortes do traseiro: R$ 27,00/kg — estáveis na comparação semanal

A redução no dianteiro reflete a menor demanda interna por cortes bovinos, principalmente entre consumidores mais sensíveis ao preço.

Exportações de carne bovina seguem em alta

Apesar da volatilidade no mercado doméstico, o desempenho das exportações brasileiras de carne bovina segue positivo.

Nos primeiros cinco dias úteis de março, o país registrou:

  • US$ 341,193 milhões em receita com exportações
  • 59,986 mil toneladas embarcadas
  • média diária de 11,997 mil toneladas

A média diária de faturamento foi de US$ 68,238 milhões, com preço médio de US$ 5.687,80 por tonelada.

Desempenho supera resultados de 2025

Na comparação com março de 2025, os dados apontam crescimento relevante no comércio internacional da proteína bovina brasileira:

  • Alta de 22,9% no valor médio diário exportado
  • Aumento de 5,9% na quantidade média diária embarcada
  • Avanço de 16,1% no preço médio da tonelada

Os números foram divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

Mercado segue atento ao cenário internacional

Para as próximas semanas, o mercado pecuário brasileiro deve permanecer atento aos desdobramentos do conflito no Oriente Médio, que podem continuar influenciando a logística global e a dinâmica das exportações.

Enquanto isso, o setor segue dividido entre boa demanda externa e consumo doméstico mais restrito, fatores que devem continuar gerando oscilações nos preços da arroba do boi gordo.

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