O banqueiro Daniel Vorcaro trocou de advogado após o STF (Supremo Tribunal Federal) decidir, na última sexta-feira (13), mantê-lo preso. Ele passou a ser representado pelo criminalista José Luís Oliveira Lima, no lugar de Pierpaolo Bottini. A mudança ocorre em meio ao avanço das investigações envolvendo o caso Banco Master e aumenta os rumores de que o dono da instituição esteja se preparando para fechar um acordo de colaboração.
Conhecido no meio jurídico como um dos principais advogados criminalistas do país, José Luís Oliveira Lima já atuou em casos de grande repercussão nacional. Entre clientes defendidos por ele estão o ex-ministro José Dirceu no processo do Mensalão, o doleiro Alberto Youssef na Lava Jato, o ex-presidente da Caixa Econômica Federal Pedro Guimarães, além do general Walter Braga Netto, que foi condenado no âmbito da trama golpista.
José Luís é sócio do escritório Oliveira Lima & Dall’Acqua Advogados, sediado em São Paulo, com atuação concentrada em direito penal e direito penal econômico. Segundo informações institucionais do próprio escritório, ele atua há mais de 30 anos na advocacia criminal e lidera a banca fundada por seu pai na década de 1960.
Ao longo da carreira, ele ocupou cargos de representação na advocacia paulista: presidiu a Comissão de Direitos e Prerrogativas da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção São Paulo, foi conselheiro da entidade, presidiu a Caixa de Assistência dos Advogados de São Paulo e também integrou a diretoria da Associação dos Advogados de São Paulo.
A troca na defesa de Vorcaro ocorre depois de avaliações internas de que Bottini poderia enfrentar restrições para permanecer no caso, tanto por sua posição crítica em relação a colaboração premiada quanto pelo fato de ter entre seus clientes nomes que poderiam eventualmente ser citados em uma futura delação, especialmente integrantes do Centrão, segundo apuração da CNN Brasil.
Delação premiada
Nos bastidores, a entrada de José Luís Oliveira Lima é vista como um indicativo de que Vorcaro pode avançar para uma negociação de delação premiada. Segundo apuração da CNN, a PF (Polícia Federal) e a PGR (Procuradoria-Geral da República) foram sondadas por interlocutores de Daniel Vorcaro sobre a disposição em um eventual acordo de colaboração.
Entre aliados de Vorcaro, há a avaliação de que a delação passou a ser considerada diante do avanço das investigações sobre familiares próximos, como por exemplo o ex-cunhado do banqueiro, Fabiano Zettel, também preso no caso.
Além de Bottini, o advogado Roberto Podval ainda avalia se permanecerá na defesa de Vorcaro em razão de sua proximidade com o ministro Dias Toffoli, do STF.


