O Banco Central prevê uma trajetória de alta da inflação neste ano, com retorno da trajetória para o centro da meta apenas em 2028. As projeções contam no Relatório de Política Monetária, divulgado nesta quinta-feira (26), que tem publicação trimestral.
O BC projeta que a inflação irá a subir até o fim de 2026, recomeçando a trajetória de queda até o horizonte relevante, que é o terceiro trimestre de 2027, mas permanecendo acima da meta.
A autoridade monetária persegue meta de 3%, com tolerância de 1,5 ponto para cima (4,5%) ou para baixo (1,5%).
Para a análise técnica do órgão, o IPCA deve terminar 2026 em 3,9% e, a partir de então, volta a cair, chegando a 3,1% no último período considerado, referente ao terceiro trimestre de 2028. No horizonte relevante de política monetária, ou seja, o terceiro trimestre de 2027, a inflação projetada é 3,3%, ainda acima do centro da meta.
A partir disso, em função da elevação na projeção de inflação para esse ano em relação ao Relatório anterior, a probabilidade de a inflação ultrapassar o intervalo superior de tolerância no último trimestre de 2026 subiu de 23% para 30%.
O Banco Central cita principalmente os efeitos de alta do petróleo como fator que pode impactar o indicador.
O BC aponta que o preço do petróleo teve uma alta significativa por conta do conflito no Oriente Médio. Eles projetam que o preço do petróleo tipo Brent parte de US$ 75 no primeiro trimestre de 2026, sobe para US$ 86 no segundo trimestre, e cai no terceiro e quarto trimestre, para U$ 77.
O ponto é que a trajetória de preços a partir desse trimestre é 24% mais alta do que a considerada no Relatório anterior, o que impactou a revisão da inflação. Os preços de commodities também subiram desde o último Relatório, com destaque para metálicas e energéticas.
Vale pontuar que o preço do petróleo é extremamente relevante para formação de preços no Brasil, já que impacta diretamente o valor dos combústiveis. No caso do diesel, por exemplo, o combustível é amplamente utilizado na cadeia produtiva e no modal rodoviário. Uma elevação brusca no custo com transportes pode fazer com que os preços ao consumidor subam, provocando uma alta da inflação.
O grupo de transportes, por exemplo, é responsável por cerca de 20% do IPCA, indicador que mede oficialmente a inflação do país. Este grupo engloba combustíveis, como gasolina e diesel, além de transporte público e passagens aéreas.


