quarta-feira, 1 abril 2026
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Conflito no Oriente Médio obrigam exportadores brasileiros redirecionarem remessas de carne bovina e de frango

A guerra, aumentou os riscos para dois dos maiores negócios de exportação de carne do Brasil.

O conflito armado envolvendo EUA-Israel-Irã e, consequentemente, o quase fechamento do Estreito de Ormuz, obrigaram os exportadores brasileiros de carne bovina e de frango a redirecionar os embarques e absorver custos mais altos para manter o fluxo de suprimentos, relata reportagem da agência Reuters.

A guerra, ressalta o texto da Reuters, aumentou os riscos para dois dos maiores negócios de exportação de carne do Brasil, especialmente o de aves, que é fortemente exposto ao Oriente Médio.

No entanto, reforça a reportagem, os exportadores brasileiros disseram que estavam encontrando rotas marítimas e terrestres alternativas para atender aos compradores da região, enquanto a forte demanda em outros lugares estava ajudando a amortecer o impacto no comércio de carne bovina.

A Abrafrigo, associação do setor de carne bovina, afirmou que o Brasil, maior exportador mundial da commodity, tem redirecionado os embarques para mercados como os EUA, a União Europeia, o Chile e a Rússia, enquanto a oferta global mais restrita de gado também está sustentando a demanda.

Nos dois primeiros meses de 2026, as exportações brasileiras de carne bovina fresca e processada, incluindo miúdos e outros subprodutos, aumentaram 39% em valor, para US$ 2,865 bilhões, enquanto os volumes cresceram 22%, para 557.240 toneladas, informou a Abrafrigo.

Ao mesmo tempo, destaca a Reuters, o setor de carne bovina está se adaptando às medidas de salvaguarda da China sobre as importações, que limitam o acesso do Brasil a uma cota de 1,1 milhão de toneladas sujeita a uma tarifa menor; volumes acima desse limite estão sujeitos a uma alíquota mais alta de 55%.

Novas rotas para o frango

O presidente da ABPA (Associação Brasileira de Exportadores de Frango), Ricardo Santin, disse à Reuters que as exportações de março estavam a caminho de superar as 476.000 toneladas enviadas no mesmo mês do ano passado.

Os exportadores brasileiros de frango, segundo relata a Reuters, disseram que os embarques continuavam fluindo para os principais mercados do Oriente Médio, apesar da crise logística.

Para manter a carga em movimento, os exportadores de frango redirecionaram os embarques pelo Mar Vermelho e Canal de Suez e usaram portos alternativos e transporte terrestre para alcançar compradores no Iraque, Catar, Emirados Árabes Unidos e outros países da região, disse Santin à Reuters.

“Essas são alternativas que levam mais tempo e são mais caras”, afirmou ele, acrescentando que os custos mais altos de combustível, armazenamento, transporte e risco de guerra estavam sendo compartilhados em parte com os importadores que buscam manter seus estoques.

O Oriente Médio representou cerca de 30% das exportações brasileiras de frango em 2025, segundo o Datagro, tornando a avicultura um dos setores agropecuários brasileiros mais expostos ao conflito.

Mesmo assim, Santin afirmou à Reuters que não havia sinais de acúmulo de excesso de oferta no mercado interno.

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