A escalada do conflito no Oriente Médio tem provocado um choque no mercado global de energia e reacendido o debate sobre a transição para veículos elétricos e híbridos.
Com o barril do petróleo ultrapassando US$ 106, a alta dos combustíveis fósseis pressiona economias e pode acelerar uma mudança de comportamento entre consumidores e governos.
Esse cenário pode abrir espaço para o avanço da indústria de carros elétricos, especialmente da China, que já lidera a produção global e busca expandir sua presença internacional diante da desaceleração no mercado doméstico.
Apesar dos investimentos em energia renovável, cerca de 60% do petróleo consumido na Ásia ainda vem do Oriente Médio, uma dependência estratégica exposta pela guerra e pelas restrições no fluxo de cargas na região.
E, neste cenário, a China pode sair fortalecida. Há uma vantagem para o país que é o maior produtor de carros elétricos e também para o Brasil, já que os chineses estão investindo em massa aqui. Só no país, são 14 marcas entrando no mercado.
A combinação de combustíveis mais caros e veículos elétricos mais acessíveis tende a impulsionar a adoção dessa tecnologia, principalmente em países mais vulneráveis a choques de energia.
O país do leste asiático estruturou sua estratégia de eletrificação ao longo dos anos, com forte intervenção estatal e investimentos em infraestrutura.
“Foi uma decisão de cima para baixo, pagando um ‘preço’ para eletrificar a economia e reduzir a dependência do petróleo”, pondera Marilia Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos.
Além da indústria automotiva, o plano está inserido em uma estratégia mais ampla de transição energética. “A China já afirmou que pretende ser neutra em carbono até 2060, compensando suas emissões com créditos de carbono e isso representa uma grande virada”, diz Fontes.


