O Congresso Nacional confirmou o valor de R$ 4,9 bilhões para o Fundo Eleitoral de 2026. Esse montante é integralmente público, retirado do Orçamento da União por meio de impostos pagos pela população, como o Imposto de Renda (IR) e o ICMS. Na prática, para garantir esses bilhões, o Poder Legislativo realiza ajustes orçamentários que muitas vezes retiram verbas que seriam aplicadas em obras e serviços básicos nos estados.
Apenas três grandes forças devem controlar quase metade de todo o fundo. A nova federação União Progressista (União e PP) deve liderar com cerca de R$ 953 milhões, seguida pelo PL, com estimativa de R$ 887 milhões, e pelo PT, com aproximadamente R$ 681 milhões. Esse poder financeiro se reflete diretamente no tempo de TV e rádio, onde a regra garante muitos minutos diários a esses grandes blocos, deixando apenas alguns segundos para os candidatos de partidos menores.
O desafio da tecnologia e o papel do eleitor
Além do dinheiro, a integridade da informação é uma prioridade da Justiça Eleitoral. Para as eleições de 2026, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aplicará regras rígidas contra o uso de inteligência artificial para a criação de conteúdos falsos, os chamados deepfakes. O uso de montagens que simulem falas ou situações inexistentes para atacar adversários pode levar à cassação do registro da candidatura.
Para quem vai votar, o cenário que se desenha é de um número menor de partidos nas urnas, mas com grupos muito mais robustos. Entender como esses recursos são distribuídos e como as novas regras influenciam o debate é essencial para acompanhar as escolhas que definirão o país a partir de 2027.
O dinheiro é utilizado para a manutenção das atividades das legendas, como pagamento de funcionários, aluguel de sedes, contas básicas, viagens e propaganda institucional. Diferente do Fundo Eleitoral, ele não é voltado exclusivamente para campanhas.
Para acessar os recursos, os partidos precisam cumprir a chamada cláusula de desempenho, que exige um desempenho mínimo nas eleições para a Câmara dos Deputados, medido pelo número de votos obtidos ou de parlamentares eleitos.
O grande teste para os partidos médios e pequenos em 2026 será a cláusula de barreira. Criada para evitar que o Congresso tenha um número excessivo de partidos pequenos, essa regra exige um desempenho mínimo nas votações para que o grupo tenha acesso ao Fundo Partidário e ao tempo de propaganda gratuita. Para as próximas eleições, a exigência sobe: cada partido deverá obter ao menos 2,5% dos votos válidos para a Câmara Federal em todo o país ou eleger pelo menos 13 deputados federais espalhados por nove estados.
Estimativas indicam que cerca de 11 partidos, incluindo nomes conhecidos como Novo e Solidariedade, podem não alcançar esses índices. Sem o financiamento público para manter suas estruturas, esses grupos perdem força, o que tem forçado conversas sobre fusões definitivas ou alianças de longo prazo para evitar que fiquem sem recursos e sem voz na política.
Federações e o novo equilíbrio de poder
Como alternativa para atravessar essa barreira, as federações ganham força. Diferente das antigas coligações, que valiam apenas para o período da eleição, a federação é um compromisso de quatro anos. Isso significa que os partidos envolvidos precisam atuar como um bloco únicodurante todo o mandato, votando juntos no Congresso.
Recentemente, esse tabuleiro sofreu mudanças importantes. Enquanto o Cidadania encerrou sua parceria com o PSDB, um novo gigante surgiu: a Federação União Progressista, oficializada em abril de 2025 pela união entre União Brasil e PP. Com 109 deputados, este bloco passou a ser a maior força política do Congresso. Ao mesmo tempo, grupos como a Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV) seguem ativos, enquanto outros como PL, PSD e MDB preferem seguir sozinhos, confiando em suas grandes bancadas e na autonomia total sobre seu dinheiro.


