segunda-feira, 6 abril 2026
spot_img
HomeagronegócioAgro entra de vez no mercado "halal" com destaque para carne bovina...

Agro entra de vez no mercado “halal” com destaque para carne bovina e de frango de Mato Grosso do Sul

O termo Halal, em árabe, significa "permitido" quando aplicado à comida. Anteriormente, a certificação para que se aprovasse a importação de carnes era feita apenas com documentação simples, como fotos, selos ou declarações.

O Brasil se destaca como um dos maiores fornecedores de produtos Halal do mundo, um mercado que movimenta mais de US$ 2,6 trilhões por ano globalmente. Este segmento, que atende às regras estipuladas pela religião islâmica, tem exigido cada vez mais transparência na rastreabilidade dos produtos, criando novas demandas para os exportadores brasileiros.

Mato Grosso do Sul exporta produtos com selo Halal, com presença ativa no mercado internacional de carnes destinadas a países muçulmanos. O estado investe na certificação de frigoríficos para atender aos rígidos critérios exigidos pela legislação islâmica (Shari’ah), que incluem métodos específicos de abate.
Os principais produtos exportados com essa certificação são proteínas animais, com destaque para a carne bovina e de frango.
O estado, junto com o vizinho Mato Grosso, concentra grande parte da produção de carne halal do país, impulsionando as vendas para nações árabes. Seminários sobre a produção halal, como os realizados em Campo Grande e Dourados, são comuns para capacitar os produtores a aumentar as exportações de proteínas.
O selo Halal garante que o alimento é “permitido” e segue as normas de higiene, qualidade e procedimentos religiosos (como o abate voltado para Meca).

A carne para o mercado Halal é produzida segundo a lei islâmica, proibindo suínos e álcool, e exigindo abate por degola (sem atordoamento prévio) voltado para Meca por um muçulmano. O Brasil é líder na exportação, com rastreabilidade via QR code, certificação rigorosa, e empresas como Friboi, BRF (Sadia) e El Haji Beef, além da Ono Boutique, oferecendo opções com selo SIF Halal.

Em 2025, o agronegócio brasileiro vendeu aproximadamente 21 bilhões de dólares para os países árabes, incluindo produtos como frango, carne bovina, açúcar e milho. Cerca de 75% do que foi enviado para estas nações veio do campo brasileiro, com a carne bovina batendo recorde pelo segundo ano consecutivo.

O termo Halal, em árabe, significa “permitido” quando aplicado à comida. Anteriormente, a certificação para que se aprovasse a importação de carnes era feita apenas com documentação simples, como fotos, selos ou declarações. Agora, os compradores exigem uma visão completa da cadeia produtiva, comparável a um “filme” em vez de uma “foto” estática.

Tecnologia brasileira para rastreabilidade total

A empresa brasileira Eco Halal desenvolveu uma tecnologia que utiliza inteligência artificial e QR codes para rastrear todo o produto desde o campo até o destino final. A empresa projeta rastrear 80% de toda a carne bovina certificada Halal exportada pelo Brasil.

Na prática, identificam cada lote e geram uma identidade digital para esse produto. Quem escanear o QR Code na ponta final pode conferir por onde o produto passou, como foi abatido, com qual protocolo, de que fazenda veio e se seguiu as regras necessárias.

A Arábia Saudita, segundo maior comprador de carne bovina brasileira, lançou recentemente um programa nacional que exige a rastreabilidade digital e registros verificáveis de toda a cadeia produtiva. Esta exigência reflete uma tendência crescente no mercado Halal, que atende aproximadamente 2 bilhões de consumidores no mundo.

Um benefício adicional da tecnologia é a democratização do acesso ao mercado Halal. A solução tecnológica facilita que pequenos e médios frigoríficos ou indústrias possam atuar neste segmento, anteriormente dominado por grandes empresas. Isso amplia as possibilidades de receitas para o Brasil e aumenta o número de fornecedores para o mercado Halal, projetado para alcançar 875 bilhões de dólares até 2028.

NOTÍCIAS RELACIONADAS

ÚLTIMAS NOTÍCIAS