segunda-feira, 6 abril 2026
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SP, GO, MG e Mato Grosso do Sul concentram 91% da produção de cana do Centro-Sul

É o que mostra um levantamento da Serasa Experian, que aponta uma área cultivada de cerca de 9 milhões de hectares na safra 2025/26.

A produção de cana-de-açúcar na região Centro-Sul do Brasil segue marcada por forte concentração regional e pela presença de polos de alta escala.

Historicamente o estado de São Paulo lidera a produção e concentra atualmente 57,5% da área cultivada, com mais de 5,1 milhões de hectares em produção. O protagonismo do estado também se refletiu na expansão da cultura ao longo das últimas décadas: em 2003, a área disponível para colheita era de 3,35 milhões de hectares, número que chegou a mais de 5 milhões em 2025 — um crescimento de 52,8% no período.

Na sequência estão Goiás (12,3%), Minas Gerais (12,2%) e Mato Grosso do Sul (8,9%). Juntos, os quatro estados respondem por 91% da produção na região. Apesar da relevância crescente, esses estados ainda apresentam menor ocupação das áreas com aptidão agrícola pela cana – entre 5% e 6%, frente a 36% em São Paulo , o que indica potencial de expansão da cultura, especialmente em regiões do Centro-Oeste e no Triângulo Mineiro.

No recorte municipal, a concentração também se repete em áreas polo de produção. Apenas 12 municípios, de um total de 842 produtores mapeados na região, concentram cerca de 10,4% da área de cana-de-açúcar disponível para colheita. Entre os principais polos estão cidades como Uberaba (MG), Quirinópolis (GO), Nova Alvorada do Sul e Rio Brilhante (MS), além de municípios paulistas como Morro Agudo, Barretos e Guaíra, que se destacam pela alta escala de produção.

Os dados mostram que a produção de cana no Centro-Sul se estrutura a partir de grandes polos produtivos, mas mantém presença disseminada em centenas de municípios da região.

“O uso de geotecnologia e imagens de satélite permite um nível de precisão muito superior às estimativas tradicionais, ao mapear efetivamente o que está sendo plantado no campo. Esse tipo de monitoramento, que ganha ainda mais relevância com o avanço das exigências regulatórias no setor e mitigação de riscos na cadeia agroindustrial, amplia a capacidade de análise e tomada de decisão no agronegócio”, afirma Dyego Santos, gerente executivo de soluções agro da Serasa Experian.

Potencial de expansão

Uma análise mais apurada sobre o uso e o potencial das áreas agrícolas nos principais estados produtores mostra que em São Paulo, por exemplo, dos 14,1 milhões de hectares com aptidão agrícola, 36% estão ocupados com cana-de-açúcar. Já em estados como Goiás, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul, que somam entre 13,6 milhões e 20 milhões de hectares aptos, a ocupação com a cultura varia entre 5% e 6%.

“O cenário indica que, embora o Brasil seja o maior produtor e exportador mundial de cana-de-açúcar e um dos líderes em biocombustíveis, ainda existe espaço relevante para a expansão da cultura, especialmente com o aproveitamento de áreas com aptidão agrícola. Com os biocombustíveis voltando ao centro da agenda energética, historicamente impulsionados pela cana, a cultura volta a desempenhar um papel central, agora ao lado do avanço de lavouras como soja e milho”, afirma Dyego Santos, gerente executivo de soluções agro da Serasa Experian.

Na safra 2026/27, a produção de cana-de-açúcar deve alcançar 677 milhões de toneladas alta de 3,15% na comparação anual, segundo estimativa da empresa de consultoria Safras & Mercado. O avanço será puxado pelo Centro-Sul, com moagem estimada em 620 milhões de toneladas, crescimento de 3,68%.

Por outro lado, as regiões Norte e Nordeste devem registrar queda na produção, impactadas por condições climáticas menos favoráveis.

A consultoria também aponta reflexos do cenário internacional, como a guerra no Oriente Médio, no mercado doméstico. Segundo o analista Maurício Muruci, o contexto tem levado a uma maior destinação da cana para etanol, com redução na produção e exportação de açúcar.

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