A 7ª edição da Anuga Select Brazil — Feira Internacional de Alimentos e Bebidas — que começou hoje em São Paulo, deve reunir 120 grandes compradores nacionais e internacionais e estima negócios em até R$ 200 milhões, um crescimento de 125% sobre as negociações finalizadas na última edição. Este ano uma novidade integra o evento: o I Fórum Halal, direcionado à comunidade muçulmana.
O mercado de alimentos Halal refere-se a produtos que seguem as normas da lei islâmica, conhecidas como Islam. O termo “halal” significa “permitido”, e abrange não apenas o tipo de alimento, mas também todo o processo de produção, incluindo abate, armazenamento e transporte.
Nesse mercado, por exemplo, carnes devem ser provenientes de animais abatidos de acordo com rituais específicos, e ingredientes proibidos (como álcool ou derivados de porco) não podem estar presentes. Esse padrão de qualidade e rastreabilidade faz com que os alimentos halal sejam valorizados não só por muçulmanos, mas também por consumidores que buscam produtos mais controlados.
Beni Piatetzky, diretor-geral da Koelnmesse Brasil, destacou as possibilidades criadas para o comércio internacional durante o evento. “O Brasil é o maior exportador de alimentos do mundo e esse momento possibilita a diversificação, centralizar a venda não é uma opção viável em momentos de incerteza como vivemos atualmente. Trazemos para a indústria brasileira, oportunidades de venda de alimentos e bebidas do mundo inteiro”, disse à CNN Brasil.
Certificação de produtos
Uma das preocupações do setor é a certificação de produtos, resultado da rastreabilidade exigida pelo consumidor muçulmano. Empresas já atuam para a digitalização dos processos industriais, o que confere informações e transparência sobre produtos exportados.
Com processos digitalizados, cada vez mais empresas de pequeno e médio porte possuem acesso ao mercado Halal. Consequentemente, a capacidade de gerar receita com vendas aumenta.
Silvia Massruhá, presidente da Embrapa, destacou a atuação em diferentes momentos da cadeia produtiva. “Nossas parcerias para a certificação do alimento Halal cumprem exigências de transparência e credibilidade para exportações a países árabes. Também observamos grandes oportunidades de parceria e expansão do trabalho ao longo da cadeia produtiva e processamento de alimentos”, disse à CNN Brasil.
Segundo dados da plataforma ComexStat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, o Brasil exportou US$ 21,3 bilhões em produtos para os árabes em 2025, principalmente açúcar, carnes, milho e minério de ferro.
Os 22 países da Liga Árabe, que incluem nações da África e do Oriente Médio, possuem avanços significativos na importação de alimentos e bebidas. Cerca de 75% dos embarques para estas nações são originários da agropecuária brasileira.
Representantes do setor acreditam na expansão de produtos industrializados para destinos como Ásia e Oriente Médio, maiores consumidores de produtos direcionados à comunidade muçulmana.
Nesse cenário, a rodada de negócios foi estruturada para acelerar negociações, expandir o mercado, encurtar o ciclo de fechamento de contratos e ampliar as chances de parcerias efetivas, conectando fornecedores preparados a compradores com intenção real de aquisição.
Luciana Furtado, coordenadora de agronegócio da Apex Brasil, destacou a estratégia para alcançar novos mercados. “Já abrimos mais de 540 mercados devido à missões especiais e negociações. O Mercado halal é importante para o Brasil, uma vez que demanda pelo potencial produtivo do país. Estar atento a mercados estratégicos faz parte de nossa análise, uma vez que buscamos investir esforços em mercados que demandem essa capacidade”, disse à CNN Brasil.
O 1º Fórum Halal Anuga Select Brazil reúne profissionais e representantes da cadeia produtiva e do comércio exterior. O evento discute a necessidade de responder à crescente demanda global por transparência, ética e confiança entre consumidor e produtor de alimentos dessa especificidade.
Em uma economia multicultural e globalizada, o fórum atua para a integração do Halal nos mercados tradicionais, posicionando-o como um selo universal de qualidade.
Em 2023, o mercado global de alimentos Halal movimentou cerca de US$ 1,43 trilhão em gastos de consumidores muçulmanos. Com projeção de alcançar US$ 1,94 trilhão até 2028, uma taxa de crescimento anual de 6,2%, o mercado possui o Brasil como um dos maiores fornecedores de alimentos.


