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sexta-feira, 17 abril 2026
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Ferrovia da Arauco pode reduzir em até 94% as emissões no transporte de celulose e eliminar 190 viagens diárias por caminhões

Projeto no Estado prevê substituir cerca de 190 viagens diárias de caminhões e conectar produção à Malha Norte para exportação via porto de Santos (SP)

A chilena Arauco decidiu investir na construção de uma shortline ferroviária para o escoamento de sua produção de celulose no Brasil. A linha entrará em operação junto com a primeira fábrica da empresa no país, o Projeto Sucuriú, localizado em Inocência e com previsão de início no fim de 2027.

A companhia estima que a nova ferrovia poderá reduzir em até 94% as emissões de CO2, eliminando cerca de 190 viagens diárias de caminhões. Já a construção da unidade industrial de celulose demandará investimentos de US$ 4,6 bilhões.

A estrutura contará com 26 locomotivas e 721 vagões, com capacidade de transporte de até 9,6 mil toneladas por composição, somando R$ 2,4 bilhões em investimento. A pedra fundamental foi lançada em fevereiro deste ano, e a linha terá cerca de 45 quilômetros de extensão, conectando a unidade industrial à Malha Norte da Rumo Logística, responsável por levar a produção até o porto de Santos (SP) para exportação.

A ferrovia será implantada no modelo autorizativo, instituído pelo Marco Regulatório das Ferrovias de 2021. Nesse formato, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) permite que empresas privadas construam e operem suas próprias linhas com recursos próprios, promovendo maior competitividade, redução de burocracia e estímulo a novos investimentos no setor.

De acordo com Alberto Pagano, diretor de logística e suprimentos da Arauco, a operação ferroviária foi planejada para atender ao volume produtivo da fábrica. Ele destaca ainda que o projeto contou com incentivos fiscais, “alinhado aos investimentos em infraestrutura”, voltados à aquisição de material rodante.

O executivo também ressalta que a autorização ferroviária permite o transporte tanto de cargas quanto de passageiros. “Porém, até o momento, não há discussões em andamento sobre o transporte de outras commodities até a Malha Norte da Rumo”, observa. Segundo ele, a empresa avalia a utilização da ferrovia para o transporte de insumos até a fábrica, como madeira, produtos químicos e combustíveis.

A planta terá capacidade produtiva de 3,5 milhões de toneladas anuais de fibra curta de celulose. Tanto a fábrica quanto a ferrovia são vistas como estratégicas pela Rumo. “O projeto é relevante porque conecta uma nova origem industrial de grande escala à Malha Norte da Rumo, ampliando a conexão logística da celulose até o porto de Santos”, afirma Natália Marcassa, vice-presidente de regulatório, institucional e comunicação da empresa.

Para a executiva, a integração de novos polos industriais à malha ferroviária fortalece a logística de longo prazo. “A logística ferroviária é fundamental para a competitividade e a sustentabilidade da cadeia produtiva da celulose no mercado global”, afirma.

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