Misturando humor, crítica política, deboche e elementos carnavalescos, a montagem acompanha as articulações de Odorico Paraguaçu, prefeito da fictícia Sucupira do Sul, que tenta a todo custo inaugurar o cemitério municipal — principal promessa de sua campanha eleitoral — enquanto enfrenta disputas políticas, oposição e situações absurdas que escancaram relações de poder ainda presentes no cotidiano brasileiro.
Na adaptação do Fulano di Tal, a obra ganha ritmo popular e uma estética marcada pela comicidade exagerada, pelo brega e pela sátira política. Em cena, os atores Douglas Moreira, Edner Gustavo, Luana Vilela e Nicoli Dichoff se dividem entre oito personagens da trama.
A direção e produção são de Marcelo Leite, com iluminação assinada por Breno Lucas e trilha sonora executada ao vivo pelo multiartista Ewerton Goulart.
Mais do que revisitar um clássico da dramaturgia brasileira, a montagem também se apresenta como um gesto de continuidade e resistência do teatro independente, apostando no público como principal sustentação para manter o espetáculo em circulação.
Segundo Edner Gustavo, produtor, diretor, dramaturgo e ator do grupo, a escolha pela bilheteria também fortalece o vínculo entre a cena artística e a comunidade.
“Estamos apostando na bilheteria como forma de sustentabilidade e valorização do trabalho dos artistas. Sabemos das dificuldades para manter espetáculos em circulação sem apoio ou patrocínio, mas acreditamos que esse movimento também fortalece a formação de público e a relação direta entre teatro e comunidade”, destaca.
Além do humor e da estética popular, o grupo acredita que “O Bem-Amado” segue dialogando diretamente com o cenário político contemporâneo.
Para Marcelo Leite, diretor e produtor do espetáculo, a força da obra está justamente em sua atualidade. “O ‘Bem-Amado’ continua atual justamente por rir de mecanismos de poder que ainda fazem parte da realidade brasileira”, conclui.
Os ingressos custam R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia) e estão disponíveis pelo Sympla.


