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sexta-feira, 22 maio 2026
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Evento em Bonito debate ecoturismo, etnoturismo e segurança pública para o setor

Durante os debates, foi destacado o papel do turismo como ferramenta para fortalecer a autonomia das comunidades, o potencial de atração do ecoturismo e a segurança pública, por meio da implantação do Sistema de Gestão de Segurança (SGS) em Bonito.

Reconhecido como um diferencial competitivo no turismo nacional e internacional, o Sistema de Gestão de Segurança (SGS) foi um dos temas debatidos durante a programação do Inspira Ecoturismo 2026.

O modelo vem ganhando destaque em Mato Grosso do Sul, especialmente entre empresas que atuam em destinos como Bonito, Jardim, Bodoquena e Pantanal.

A discussão integrou a programação do evento promovido pelo Sebrae/MS, por meio do Polo Sebrae de Ecoturismo, que termina neste sábado (23) em Bonito.

O painel “Gestão da Segurança: Oportunidades de Mercado e Boas Práticas no Turismo de Natureza” reuniu empresários e especialistas para debater essa estratégia de atuação.

Participaram da mesa Bruno Leite Miranda, do Parque Ecológico do Rio Formoso (MS); Rafael Eduardo Gomes, Agência Prata de Expedições (SP); Bernardo Menegale, Ecológica Turismo de Natureza (GO); e Leonardo Persi, secretário de normatização do Turismo de Aventura na ABNT e coordenador de Natureza e Segmentos Especiais da Embratur.

Os debates contribuíram para também haver o lançamento de uma nova etapa do Aventura Natural, iniciativa que traz o Sebrae/MS, em parceria com a Prefeitura de Bonito, para incrementar o número de empresas adequadas às normas.

O programa foi lançado na edição de 2023 do evento e agora a proposta é subsidiar empresários locais para garantir certificações a mais negócios.

Com a parceria firmada com a Prefeitura de Bonito, o Sistema de Gestão de Segurança no Turismo de Aventura vai ter 70% de subsídio sendo oferecido pelo Sebrae e outros 20% subsidiados pelo governo municipal.

O empresário vai arcar com apenas 10% do investimento. Uma medida que vai atender 28 negócios, sendo 15 para certificação e outros 13 para a implementação.

Especialistas conversam sobre a certificação de empresas turísticas

A vice-prefeita e secretária municipal de Turismo e Desenvolvimento Econômico de Bonito, Juliane Salvadori, fez apresentação sobre a medida. “Esse é um incentivo de Bonito para os atrativos locais, com a intenção que eles façam a adesão, a implantação e a certificação do sistema de gestão de segurança da norma BR/ISO 21101.

Esse é o maior programa desenvolvido por uma cidade no país. O que mostra nosso compromisso, posicionamento e responsabilidade para com um destino que é referência nacional.”

Etnoturismo

Dados apresentados durante o evento mostram que o Brasil reúne cerca de 391 etnias indígenas e 7.666 comunidades quilombolas em diferentes regiões do país, evidenciando a diversidade cultural e histórica presente nesses territórios.

Durante os debates, foi destacado o papel do turismo como ferramenta para fortalecer a autonomia das comunidades, preservar tradições, costumes, conhecimentos ancestrais e modos de vida, além de impulsionar a economia local de maneira sustentável.

No painel, os participantes compartilharam experiências práticas e histórias de transformação por meio do etnoturismo.

Entre os convidados estiveram Telcio Barbosa, analista-técnico do Sebrae/MS e mediador do debate; Karyna Makuxi, comunicadora Kuawê; Nitynawê Alves Pataxó, da Reserva Pataxó de Jaqueira, na Bahia; além de representantes de comunidades tradicionais de Mato Grosso do Sul.

Para o analista-técnico do Sebrae/MS, Télcio Barboza, existe uma demanda crescente no mercado por experiências autênticas, em que o turismo de base comunitária tem a capacidade de atender essa demanda.

– “O etnoturismo tem um potencial muito grande de gerar renda e oportunidades para as comunidades tradicionais, valorizando seus saberes, cultura e modos de vida. O desafio é fazer isso de forma organizada e respeitosa, sem descaracterizar a identidade dessas comunidades, porque justamente essa autenticidade é o grande diferencial competitivo desse segmento”, destacou.

Télcio Barboza, analista técnico Sebrae e turismólogo, fala sobre as oportunidades do etnoturismo na região

Representantes de comunidades indígenas de Mato Grosso do Sul também participaram do painel promovido pelo Sebrae/MS em Bonito e destacaram a importância da troca de experiências para fortalecer iniciativas de turismo de base comunitária nos territórios tradicionais.

– “Participar desse painel foi como viver uma experiência transformadora e perceber que é possível fazer o turismo dar certo dentro das nossas comunidades. Estamos levando um aprendizado muito grande para a Aldeia Cabeceira, principalmente porque ainda estamos no começo desse processo e muitas pessoas ainda não acreditam no potencial do etnoturismo. Ver outras experiências acontecendo e ouvir esses relatos fortalecem a nossa vontade de continuar”, afirmou Nalva Atikum, da Aldeia Cabeceira, em Nioaque (MS).

Além da valorização cultural, o turismo de base comunitária também vem sendo visto pelas lideranças indígenas como uma oportunidade concreta de geração de renda e fortalecimento econômico dentro das aldeias.

– “Acreditamos muito no potencial do etnoturismo como fonte de renda para as comunidades indígenas. Por isso, nós, coordenadores das aldeias de Nioaque, estamos promovendo feiras dentro das comunidades para gerar renda, fortalecer os pequenos produtores e despertar nas pessoas o interesse em participar desse projeto de etnoturismo”, destacou Jonimar da Silva Marques, coordenador da Aldeia Taboquinha, em Nioaque (MS).

Uma das palestrantes do painel “Raízes que Transformam: Experiências inspiradoras em Etnoturismo”, a representante da comunidade indígena Kauwê, de Roraima, compartilhou como o turismo de base comunitária se tornou uma ferramenta de resgate cultural, fortalecimento da identidade indígena e transformação social dentro do território.

– “Na nossa comunidade, o turismo veio para resgatar aquilo que estava se perdendo. Nós já não vivíamos mais a nossa cultura da forma como antes, e foi por meio do turismo que reaprendemos a falar nossa língua materna, a contar nossas histórias e a valorizar os saberes indígenas. Hoje, nossas crianças crescem mais conectadas à cultura e à identidade do nosso povo”, afirmou Karynna Makuxi, da comunidade Kauwê (RR).

Nitynawã Alves Pataxó, da Reserva Pataxó da Jaqueira, na Bahia, compartilhou experiências sobre como o turismo de base comunitária tem fortalecido a cultura, a preservação ambiental e a geração de oportunidades dentro dos territórios tradicionais.

– “O turismo trouxe um impacto muito positivo para o nosso povo, principalmente no fortalecimento cultural e ambiental. A etnovivência ajudou a reafirmar nossa identidade, valorizar os saberes do povo Pataxó e reconhecer o protagonismo das mulheres dentro da comunidade. Além disso, contribuiu para a preservação da nossa mata e para o fortalecimento das aldeias da região”, comentou Nitynawã.

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