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quinta-feira, 28 maio 2026
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Evento educativo reúne empresas para construção de ambientes mais inclusivos

O Brasil tem mais de 14,4 milhões* de pessoas com deficiência em idade de trabalhar e uma legislação que obriga empresas a abrir espaço para elas. Mesmo assim, a distância entre o que a lei determina e o que o mercado pratica ainda é grande.

Foi para encurtar essa distância que o Centro Estadual de Educação Especial e Inclusiva do Mato Grosso do Sul, o CEESPI, reuniu representantes de empresas privadas no dia 19 de maio numa palestra que colocou na mesa os temas que mais pesam na hora de contratar. Legislação, acessibilidade e, sobretudo, atitude.

O que diz a lei e o que ela exige

A Lei nº 8.213, de 1991, conhecida como Lei de Cotas, determina que toda empresa com cem ou mais funcionários reserve um percentual de suas vagas para pessoas com deficiência. O percentual varia conforme o tamanho do quadro: 2% para empresas entre 100 e 200 funcionários, chegando a 5% para aquelas com mais de mil.

O chefe do setor de fiscalização do trabalho da Superintendência Regional do Trabalho em MS, Douglas Ferreira dos Santos, foi um dos convidados e percorreu os principais pontos da legislação trabalhista voltada às pessoas com deficiência.

De registro em carteira a férias, de vale-transporte ao aviso prévio. O objetivo era deixar claro para os representantes de empresas que cumprir a lei não é o teto, mas o piso.

Mais do que contratar, incluir

O encontro foi além dos números. Um dos eixos centrais da programação foi a discussão sobre acessibilidade no ambiente de trabalho e o e-book ‘Criando Oportunidades: A Inclusão de Pessoas com Deficiência no Mercado de Trabalho’ distribuído no evento, produzido pelo próprio CEESPI e que detalha por que o tema vai muito além de rampas e banheiros adaptados.

As barreiras atitudinais, por exemplo, aparecem no material como uma das mais persistentes: são aquelas ligadas a preconceitos, ao desrespeito à autonomia da pessoa com deficiência e à falta de empatia no ambiente de trabalho.

Já as barreiras tecnológicas, dizem respeito à dificuldade de acesso a recursos digitais sem as adaptações necessárias, como teclados adaptados, leitores de tela e softwares acessíveis.

Um projeto com histórico de resultados

O CEESPI não chegou ao evento com teoria. Desde 2018, o Centro acompanha estudantes com deficiência matriculados na rede estadual de ensino de Campo Grande — e egressos da comunidade escolar, em todo o processo de inserção laboral.

Da formação básica para o mercado de trabalho com carga horária de 144 horas ao acompanhamento individualizado à entrevista de emprego, da assinatura do contrato ao período de experiência na empresa.

Segundo a gerente pedagógica do CEESPI, Ângela Dias, a palestra teve papel fundamental nas ações de maio, mês do Trabalhador, especialmente por incentivar as empresas a contratar pessoas de todas as idades com deficiência.

“A inclusão é possível por meio do cumprimento da legislação e, principalmente, da adoção de atitudes inclusivas no ambiente corporativo”, reafirmou Ângela na palestra.

Entre 2018 e 2023 o Centro Estadual de Educação Especial e Inclusiva impulsionou a carreira de 369 pessoas, entre estudantes da rede estadual e egressos com deficiência da comunidade escolar.

Vale destacar que mesmo em 2020, no auge da pandemia de Covid-19, o CEESPI manteve as inserções, dado que o próprio e-book (em anexo, pág. 20) evidencia como prova de resiliência do projeto da SED.

A inclusão tem rosto e história

Para quem viveu o processo de perto, a palestra teve um significado que vai além da informação. Estudantes e egressos com deficiência presentes no evento reconheceram no trabalho do CEESPI não apenas uma oportunidade de emprego, mas a confirmação de que são capazes e merecem ocupar seus lugares de direito no mundo do trabalho.

Arte, potência e pertencimento

Antes de qualquer palavra sobre lei ou mercado, educadores, representantes de empresas da capital e estudantes presentes assistiram à apresentação da banda ‘Ritmos Sem Barreira’, formada por estudantes da rede estadual e egressos com deficiência performaram uma canção que dizia o que importa. Que pessoas com deficiência têm talento, têm voz e ocupam espaços que a sociedade ainda aprende a oferecer.

Saiba mais

O e-book ‘Criando Oportunidades: A Inclusão de Pessoas com Deficiência no Mundo do Trabalho’ traz o roteiro completo para quem quer abrir uma porta para a inclusão.

São quatro módulos pedagógicos prontos para aplicar:

– Legislação: direitos trabalhistas e documentos essenciais.

– Marketing Pessoal: higiene, ética profissional e comunicação.

– Empregabilidade: profissões, deveres e segurança no trabalho.

– Educação Financeira e Tecnológica: planejamento financeiro e produção de currículo.

Baixe gratuitamente e comece hoje: E-book-Criando-Oportunidades-A-Inclusao-de-Pessoas-com-Deficiencia-no-Mundo-do-Trabalho

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