A defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro está revendo as estratégias e deve apresentar nova proposta de delação premiada à PF (Polícia Federal).
O advogado Sergio Leonardo, que assumiu o caso recentemente, iniciou um processo de reaproximação com o ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), relator do caso Master, na tentativa de viabilizar um acordo premiado.
Mendonça teria dito a Sergio que entende o papel do advogado na defesa de seu cliente, mas que, ainda assim, havia uma ética profissional a ser seguida. O advogado teria respondido que pretende conduzir as tratativas com todo o respeito ao ministro, ao país e ao seu cliente.
Sergio Leonardo teria causado boa impressão no ministro, a quem lhe pareceu ser alguém “sério”.
A reconstrução da relação com Mendonça foi o principal pedido de Vorcaro à equipe que permaneceu com ele nesta nova fase das negociações. São cinco os advogados que terão acesso ao banqueiro nesta etapa.
O banqueiro relatou à sua equipe interesse em ampliar o escopo do primeiro rascunho da colaboração premiada, que acabou rejeitado pela PF. A avaliação dos investigadores é de que o conteúdo ficou aquém do que já foi encontrado, por exemplo, nos celulares do banqueiro.
No entanto, uma nova rodada de negociação não é descartada pela polícia, pois há interesse por parte da corporação em voltar a discutir um termo de colaboração.
Daniel Vorcaro foi preso em 4 de março, pela segunda vez, após uma nova fase da operação Compliance Zero, que investiga a emissão de títulos de crédito falsos por instituições que integram o Sistema Financeiro Nacional. São apurados crimes de gestão fraudulenta, gestão temerária, organização criminosa, entre outros.
O ex-banqueiro era conhecido no mercado financeiro por sua gestão arrojada e investimentos de alto risco. O Banco Master atraía recursos oferecendo CDBs (Certificados de Depósito Bancário) com valores acima do mercado, uma prática que já causava incômodo em parte do setor financeiro.
Além dele, outros investigados, incluindo seu pai, Henrique Vorcaro, e seu cunhado, Fabiano Zettel, também estão presos por suspeita de participação no esquema.


