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domingo, 5 julho 2026
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Brasilidade conecta cultura, identidade e oportunidades para os pequenos negócios

Do afroturismo às velas artesanais, passando pela gastronomia e pela moda, empreendedores mostram como a cultura brasileira pode se tornar um diferencial competitivo.

No Brasil das pequenas empresas, o jeito de empreender também expressa identidade, cultura e pertencimento.

Em Mato Grosso do Sul, elementos da regionalidade transformam produtos e serviços em experiências autênticas, capazes de conquistar novos mercados e gerar valor aos pequenos negócios

Para mostrar como a brasilidade se manifesta no empreendedorismo sul-mato-grossense, o Sebrae/MS reuniu histórias de empreendedores que fazem da cultura, da memória e das tradições brasileiras a essência de seus negócios.

Nos meses de junho e julho deste ano, enquanto a Copa do Mundo movimenta torcedores, o ciclo junino também coloca em evidência uma das mais ricas expressões da cultura popular brasileira.

Em Corumbá, a empreendedora Thayná Cambará convida visitantes a conhecerem um Pantanal marcado pela fé, pela memória e pela ancestralidade afro-brasileira por meio da  Bela Oyá Pantanal, primeira agência receptiva de afroturismo de Mato Grosso do Sul.

Entre as experiências oferecidas está a vivência do Arraial do Banho de São João, uma das manifestações culturais mais tradicionais da região.

Idealizadora do Bela Oyá Pantanal, Thayná Cambará está a frente do afroturismo no estado, centrado nas histórias e pessoas que ajudam a construir essa identidade do Pantanal

Ao som dos cururus, comunidades quilombolas, povos de terreiro, festeiros e mestres da cultura dão vida à celebração, realizada às margens do Rio Paraguai, entre Corumbá e Ladário. O evento evidencia um Pantanal onde o sincretismo religioso e a cultura afro-brasileira ajudam a construir a identidade da região.

– “Antes de visitar qualquer lugar, conversamos sobre aquele território, sobre quem vive ali e por que aquela história importa. Durante todo o percurso estão presentes os cantos, os aromas das ervas e do incenso, as comidas típicas, as conversas com festeiros e, principalmente, a vivência no território”, destaca Thayná Cambará.

Mais do que uma experiência turística, a iniciativa faz do afroturismo uma ferramenta de desenvolvimento para a comunidade local.

– “A Bela Oyá Pantanal acredita que a cultura precisa ser vivida, respeitada e gerar oportunidades para quem mantém essas tradições vivas. É assim que preservamos nossa memória e mostramos que a brasilidade está justamente na diversidade dos nossos territórios e das nossas histórias”, complementa.

Brasil! Mostra tua cara!

Ao destacar a história negra do Brasil, em Campo Grande, o Tereza Bar, mantém vivas essas tradições ao transformar a cultura dos bares brasileiros em uma experiência que reúne gastronomia, música e identidade. Da tradicional “saideira” à estética do espaço, o empreendimento de Tábata Camila Pereira valoriza diferentes expressões da brasilidade.

Com atenção à regionalidade sul-mato-grossense e aos sabores que compõem essa diversidade, o espaço também proporciona atrações como os jogos de futebol da seleção brasileira e shows de artistas que valorizam ritmos brasileiros em seus repertórios.

– “Desde a concepção do restaurante, entendemos que gastronomia e música caminham juntas na construção de um ambiente acolhedor, afetivo e genuinamente brasileiro. Temos um compromisso em valorizar artistas regionais, porque acreditamos que a cultura brasileira se fortalece quando talentos locais ocupam os palcos e dialoguem com o público”, afirma a empresária.

O negócio de Tábata incorpora a brasilidade não apenas como um elemento decorativo, mas como uma forma de promover memórias afetivas junto aos clientes.

– “A inspiração da marca nasce das vivências das suas fundadoras, das lembranças da cozinha de família, da cultura fronteiriça de Mato Grosso do Sul, da convivência com a música brasileira e do desejo de criar um espaço onde a identidade nacional fosse celebrada de forma contemporânea. O Tereza reúne referências do Pantanal, da fronteira, da gastronomia popular brasileira e da vida boêmia dos bares que fazem parte da memória afetiva de tantas pessoas.”

Gigante pela própria natureza

Fauna e flora da região inspirou a empreendora Carolina Debus no lançamento da coleção Pantanal que conecta elementos da natureza a moda (Foto: Arquivo Pessoal)

Reconhecido por sua riqueza natural e biodiversidade, o Pantanal inspira pequenos negócios que transformam a beleza do bioma em produtos cheios de identidade.

Em Campo Grande, Carolina Debus, empreendedora da marca Ki.monaria, atua no segmento de kimonos artesanais e reinventa uma peça tradicional japonesa com referências aos animais, à vegetação, ao céu e aos tons característicos da região. Para ela, vestir também é uma forma de expressar identidade.

– “Nós vendemos uma experiência, uma sensação de acolhimento e liberdade. Acredito que a união entre kimono e brasilidade acontece principalmente quando reinterpretamos uma peça tradicional japonesa a partir do nosso olhar, da nossa cultura e da nossa forma de viver. Os kimonos da Ki.monaria carregam leveza, liberdade e versatilidade, características muito presentes na mulher brasileira”.

A proposta do negócio também dialoga com a história de Campo Grande, que abriga uma das maiores comunidades de descendentes japoneses do país. Ao unir técnicas e referências da tradição oriental com elementos do Pantanal, a marca contribui para preservar esse legado cultural, ao mesmo tempo em que valoriza a produção autoral sul-mato-grossense.

– “Existe uma moda autoral sendo produzida no Mato Grosso do Sul, com qualidade, criatividade e identidade própria. As clientes buscam peças que tenham significado, representem seus valores e façam sentido para seu estilo de vida. Nos tons terrosos, verdes da vegetação, o dourado do pôr do sol e as texturas naturais do produto, buscamos contar histórias e despertar emoções.”

Amada Luz Velas possui o selo Made in Pantanal, que registra a procedência sustentável no bioma para que haja desenvolvimento econômico (Foto: Arquivo Pessoal)

A biodiversidade do Pantanal também inspira produtos que despertam os sentidos e reforçam a identidade regional. É o caso da Amada Luz Velas, marca sul-mato-grossense de velas artesanais sediada em Coxim e comandada por Adriana Neves Costa.

Inspirada pela ligação afetiva que mantém com o bioma, ela cria produtos com essências típicas, como a de pequi, transformando memórias e paisagens em experiências sensoriais. Para Adriana, cada vela é uma forma de compartilhar a emoção que sente pelo Pantanal e despertar esse mesmo sentimento em quem conhece seu trabalho.

– “A primeira vez que vi um tuiuiú tão perto de mim, eu chorei. Foi uma experiência que marcou a minha vida e que procuro transmitir nas minhas velas. O Pantanal é a minha maior inspiração. Quero que as pessoas sintam esse carinho pela região e enxerguem a beleza desse lugar da mesma forma que eu enxergo”, finaliza.

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