Os dados foram divulgados pelo Banco Central em seu relatório de estatísticas fiscais e não consideram a correção pela inflação. Por isso mesmo, analistas tem classificado este período como uma verdadeira pandemia de gastos públicos, muito acima da arrecadação.
De acordo com o documento, o resultado negativo foi influenciado principalmente pelo déficit registrado em janeiro deste ano, quando as estatais apresentaram um rombo de cerca de R$ 4,8 bilhões.
As estatais federais também contribuíram de forma significativa para o resultado, acumulando déficit de aproximadamente R$ 5,9 bilhões no período de janeiro a maio.
Por que Petrobras e Banco do Brasil ficam fora do cálculo?
Vale destacar que os dados do Banco Central não incluem o resultado da Petrobras nem do Banco do Brasil. Segundo a analista de economia Lucinda Pinto, isso ocorre porque essas empresas possuem autonomia de financiamento.
– “A Petrobras, por exemplo, ela capta recursos no mercado de capitais emitindo títulos, ela inclusive capta recursos no exterior, ela faz emissão de bonds”, explicou Lucinda.
A empresa tem capital misto, com uma fatia relevante nas mãos de investidores na Bolsa de Valores, o que a aproxima do modelo de governança do setor privado.
O mesmo raciocínio se aplica ao Banco do Brasil, que também realiza captações nos mercados doméstico e internacional.
– “O que ele está tentando mostrar é: essas empresas podem, em algum momento, necessitarem de dinheiro público”, afirmou. Trata-se, portanto, de uma medição do risco fiscal, e não de uma análise contábil sobre lucro ou prejuízo operacional das companhias.
Sinal de alerta e o papel dos Correios
Apesar de os R$ 7,4 bilhões não representarem um peso expressivo diante de uma dívida pública de trilhões de reais, Lucinda Pinto ressaltou que o problema está no sinal emitido pelo dado.
– “Entender que o governo continua carregando ou permitindo que essas empresas estejam deficitárias é um sinal de pouca disciplina fiscal”, avaliou a analista, acrescentando que o cenário pode indicar a necessidade de novos aportes ao longo do tempo.
Entre as empresas que mais pesam nesse resultado, os Correios se destacam. Segundo Lucinda Pinto, boa parte do déficit está relacionada à estatal, que enfrenta dificuldades para se adaptar a um mercado mais ágil e tecnológico.
-“A taxa de juros pesa, a concorrência pesa, a incapacidade da empresa de se adequar a esse mercado muito mais tecnológico, tudo isso explica o resultado negativo”, disse.
A analista também apontou que o crescimento do déficit ao longo do tempo é uma demonstração de que o risco pode se ampliar. O governo chegou a questionar os dados do Banco Central, argumentando que as estatais registraram lucro de R$ 169 bilhões em 2025.
No entanto, Lucinda Pinto lembrou que esse cálculo inclui a Petrobras e o Banco do Brasil — empresas com bons resultados —, o que distorce a comparação.
– “Eles esquecem de dizer que essa soma de resultados das estatais, aí sim, inclui a Petrobras, inclui o Banco do Brasil, que são empresas que têm apresentado bons resultados até aqui”, concluiu.


