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terça-feira, 7 julho 2026
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“Mapago” vence prêmio de Melhor Filme do Cine Mato em festival de Cuiabá

Escrito a partir das próprias experiências de Gleycielli Nonato Guató, o roteiro acompanha Fagunda, uma mulher Guató que vive longe de seu território ancestral.

O curta-metragem “Mapago”, dirigido por Marcus Teles e roteirizado por Gleycielli Nonato Guató, foi o grande vencedor do Prêmio Uno Mato, concedido ao melhor filme produzido entre os estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul durante o 23º Festival de Cinema de Cuiabá – CineMATO. Realizado há 33 anos, o festival é um dos mais importantes do Centro-Oeste brasileiro e se consolidou como uma das principais vitrines do audiovisual nacional. A premiação aconteceu neste domingo (5), último dia do festival.

A conquista coloca em evidência uma produção nascida no interior de Mato Grosso do Sul e construída a partir das vivências do povo Guató.

Com protagonismo das atrizes Gleycielli Nonato Guató e Serena MC — ambas mulheres indígenas Guató que vivem em contexto urbano também fora das telas — o filme rompe estereótipos ao retratar a resistência, o pertencimento e a identidade dos povos originários na contemporaneidade.

Para o diretor Marcus Teles, o prêmio representa muito mais do que um reconhecimento artístico.

– “Somos uma produção do interior do interior, sem distribuidora e sem a estrutura que normalmente acompanha grandes produções. Ver Mapago alcançar festivais importantes e compartilhar espaço com obras vindas de centros que já possuem uma cadeia cinematográfica consolidada é, por si só, uma grande vitória. Mais do que uma conquista para o filme, é a prova de que histórias produzidas a partir dos territórios indígenas e do interior do Brasil também têm força, qualidade e relevância para dialogar com públicos de todo o país”.

A estreia no CineMATO teve um significado ainda mais simbólico para a equipe. Segundo o diretor, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul concentram a presença histórica e contemporânea do povo Guató, tornando o festival o cenário ideal para o início da circulação nacional da obra.

– “Mato Grosso e Mato Grosso do Sul são os dois estados que concentram a presença histórica e contemporânea do povo Guató. Apresentar o filme pela primeira vez em Mato Grosso, um dos territórios que guardam a memória e a ancestralidade desse povo, é algo profundamente simbólico”.

Escrito a partir das próprias experiências de Gleycielli Nonato Guató, o roteiro acompanha Fagunda, uma mulher Guató que vive longe de seu território ancestral, e sua filha Serena, artista que encontra no funk e no hip hop caminhos para afirmar sua identidade indígena na cidade.

– “O filme Mapago foi feito com essa força ancestral dentro do contemporâneo. São mulheres de periferia, são mulheres que sofrem com a desculturalização da sua cultura, perder e tentar manter a cultura ao mesmo tempo. Isso dá a força dessa linha de que nós podemos ser indígenas em qualquer lugar, no asfalto ou na mata. Nós somos indígenas em qualquer território, porque todo território é nosso”.

Para a roteirista, o maior legado do filme está em permitir que os próprios indígenas contem suas histórias.

– “Quando eu era criança, eu não me via em filmes, eu não me via em literatura, não me via na arte. Hoje nós temos a oportunidade de falar por nós na literatura, no cinema, na arte. Hoje nós temos a oportunidade de ser protagonistas de nossas próprias histórias e Mapago traz isso”.

Além da premiação no CineMATO, o curta segue sua trajetória nacional com exibições confirmadas no Bonito CineSur, em Mato Grosso do Sul, ainda este mês e no Festival Guarnicê de Cinema, em São Luís (MA), um dos festivais de cinema mais tradicionais do país, no mês de agosto.

Marcus Teles acredita que essa circulação amplia o alcance da obra e fortalece o audiovisual sul-mato-grossense.

– “Levar essa narrativa para festivais nacionais é fundamental para ampliar o olhar sobre a diversidade dos povos indígenas no Brasil e também sobre o cinema que vem sendo produzido em Mato Grosso do Sul. Os festivais são espaços essenciais para promover esse diálogo e estimular novas formas de representação”.

Sinopse

Fagunda é uma mulher Guató que carrega as marcas do afastamento de seu território ancestral. Sua filha Serena encontra no funk, no hip hop e na arte caminhos para reafirmar sua identidade indígena em contexto urbano. Entre memórias, ausências e resistências, mãe e filha atravessam os desafios de viver entre tradição e contemporaneidade, mantendo viva a força ancestral de seu povo. Este projeto conta com incentivo da PNAB (Programa Nacional Aldir Blanc).

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