A audiência foi dividida em sete sessões de diálogo, e o PIX foi tratado em uma delas.
Em cada uma das sessões, os inscritos tinham cinco minutos para realizar uma exposição e poderiam ser questionados por representantes do governo dos EUA. A “banca” norte-americana foi composta por oito técnicos, do Tesouro às áreas de agricultura e comércio.
Os participantes inscritos para defender a ferramenta foram Gustavo Pessoa, professor da FGV (Fundação Getulio Vargas), e Vinícius Nunes, executivo com experiência na área de pagamentos digitais. Após a exposição, ambos responderam a questionamento da funcionária do Tesouro.
Os participantes afirmaram que o Tesouro fez questionamentos sobre como os Estados Unidos poderiam “tirar proveito do PIX” e quais seriam as formas de cooperação possíveis para tal.
“A lógica deles é: a ferramenta está prejudicando minhas empresas, o que se pode fazer para mudar esse cenário e beneficiar minhas companhias”, disse o professor da FGV.
Vinícius Nunes recebeu o mesmo questionamento e propôs em sua tréplica que houvesse algum nível de integração entre o PIX e o FedNow, a ferramenta de pagamentos instantâneos do Federal Reserve, o Banco Central dos EUA.
“Defendi especialmente a cooperação entre os bancos centrais do Brasil e dos EUA para aperfeiçoar os sistemas”, afirmou o executivo.
Nas exposições, entre outros dados, os especialistas afirmaram que, desde que o PIX foi lançado, as transações com cartões de crédito, débito e pré-pagos no Brasil seguiram crescendo. Por isso, não haveria prejuízo aos norte-americanos.
Também argumentaram que mais de 900 prestadores de serviços de pagamento participam do PIX, e o Google Pay, uma plataforma norte-americana, tornou-se o maior iniciador de pagamentos do sistema.
Governo rejeita discutir PIX
Em reunião do grupo de trabalho entre Brasil e EUA na última semana, representantes do governo federal apresentaram aos EUA um plano com medidas que o Brasil pode adotar para contornar as investigações da “seção 301”, que serve como base para a ameaça norte-americana de taxar o país em 25%.
O Brasil apresentou as medidas que poderia estabelecer para contemplar preocupações norte-americanas relacionadas a cada um dos seis eixos da investigação, que critica desde corrupção ao controle do desmatamento. O governo, contudo, voltou a dizer que o PIX é inegociável e deixou a ferramenta de fora do documento.
Parte das medidas apresentadas pelo Brasil são textos em tramitação no Congresso Nacional ou medidas infralegais formuladas internamente no Palácio do Planalto.
Em reuniões anteriores, segundo fontes próximas ao assunto, o foco foi a discussão tarifária. O Brasil acenou aos norte-americanos com a possibilidade de reduzir taxas para cerca de 300 linhas tarifárias.
Sob as diretrizes da OMC (Organização Mundial do Comércio), o Brasil não poderia baixar tarifas para um único país. Portanto, não poderia fazê-lo somente aos Estados Unidos. A solução encontrada foi acenar com a redução das taxas a vários países, em setores nos quais os Estados Unidos teriam maiores condições de competir e que não prejudicariam a indústria nacional.
Entre os setores discutidos estão máquinas e equipamentos não produzidos no Brasil, como equipamentos para setor de saúde – especialmente de olho na forte e crescente demanda do SUS (Sistema Único de Saúde), e tecnologia de informação.


