Dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged), divulgados nesta quarta-feira (29) pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), indicam que Mato Grosso do Sul criou 18.531 empregos com carteira assinada entre janeiro e junho de 2026.
Este número representa uma queda significativa em comparação com os anos anteriores, sendo o menor saldo para um primeiro semestre desde 2020, ano marcado pelos impactos da pandemia da Covid-19 na economia.
A comparação dos dados de 2026 com anos anteriores revela um padrão de desafios econômicos. Por exemplo, em 2020, o país todo enfrentou uma situação crítica, levando muitos negócios a fecharem e uma alta nas taxas de desemprego. O crescimento nos anos seguintes demonstra um esforço coletivo para reerguer o mercado, mas a atual desaceleração pode ser um sinal de fragilidades que precisam ser abordadas com políticas públicas eficazes.
Naquele ano, o Estado registrou saldo negativo de 3.008 vagas, com mais demissões do que contratações no período. Essa realidade foi reflexo de um cenário econômico adverso, onde muitos setores enfrentam dificuldades para se manter no mercado. O fechamento de empresas e o aumento do desemprego foram algumas das consequências diretas da crise sanitária e econômica que atingiu o mundo todo.
Além disso, a análise dos setores mais afetados mostra que o comércio e a indústria foram os que mais sentiram os impactos das demissões. Muitas empresas tiveram que se reestruturar ou até mesmo encerrar atividades, o que nos leva a refletir sobre a importância da inovação e adaptação em tempos de crise.
Já em 2021, houve uma forte recuperação, com a criação de 29.595 empregos formais. Esse crescimento foi impulsionado por uma combinação de fatores, incluindo a reabertura da economia, o aumento na confiança dos consumidores e o avanço da vacinação contra a Covid-19. Essas mudanças criaram um ambiente mais favorável para os negócios e, consequentemente, para a geração de empregos.
A recuperação foi sentida em diversos setores, mas especialmente no setor de serviços, que começou a se reerguer à medida que as restrições eram gradualmente levantadas.
Em 2022, o saldo chegou a 31.362 vagas, recuando para 24.932 em 2023 e 21.325 em 2024. Essa oscilação nos números de empregos gerados é um indicativo de que, embora haja momentos de crescimento, a economia ainda enfrenta desafios significativos. Mudanças no cenário econômico nacional e internacional, como inflação e taxa de juros, podem impactar diretamente essas estatísticas.
Além disso, fatores como a adesão à tecnologia e a digitalização dos serviços têm trazido novas oportunidades de emprego, mas também exigem que os trabalhadores adquiram novas habilidades.
Em 2025, o mercado voltou a acelerar, com 23.896 postos de trabalho, mas o desempenho voltou a cair neste ano. Essa queda é um sinal de alerta.
O resultado do primeiro semestre de 2026 é consequência de 225.415 admissões e 206.884 desligamentos registrados no Estado. O setor de serviços foi o principal responsável pelo saldo positivo, com 6.462 novas vagas formais no período. Essa dinâmica mostra a importância do setor de serviços na economia local, mas também levanta questões sobre a diversidade das oportunidades de trabalho disponíveis.
Analisar as razões por trás do aumento nas admissões no setor de serviços pode fornecer insights valiosos sobre as tendências do mercado. Por exemplo, o crescimento do e-commerce e a demanda por serviços de entrega levaram a uma necessidade maior de mão de obra, contribuindo para a geração de empregos.
Junho mantém trajetória de recuperação
Essa trajetória de recuperação é um indicativo de que as medidas tomadas pelos setores públicos e privados estão surtindo efeito.
Somente em junho, Mato Grosso do Sul gerou 2.075 empregos com carteira assinada, resultado de 34.031 admissões e 31.956 desligamentos. Esses números refletem uma movimentação positiva no mercado, mas também remete à mportância de manter um equilíbrio sustentável entre admissões e desligamentos.
O fato de que as admissões superaram os desligamentos é um sinal encorajador, mas é fundamental que o crescimento continue a ser alimentado por políticas que incentivem a criação de novas empresas e o fortalecimento das já existentes. O apoio ao empreendedorismo é vital para garantir um mercado de trabalho robusto e dinâmico.
O desempenho foi superior ao de maio, quando o saldo ficou em 1.999 vagas, e reforça uma trajetória de recuperação observada desde abril, mês em que o Estado havia registrado apenas 463 novos postos de trabalho.
Além disso, a análise mensal permite identificar padrões e tendências que podem ser úteis. A utilização de dados históricos para previsões pode ajudar a minimizar os impactos de futuras crises.
Todos os cinco grandes setores da economia fecharam junho com saldo positivo. O comércio liderou a geração de empregos, com 629 vagas, seguido pelos serviços, com 505. A construção civil abriu 332 postos, a indústria criou 323 vagas e a agropecuária registrou saldo de 286 empregos. Essa diversificação é crucial para a estabilidade econômica do Estado, pois evita a dependência excessiva de um único setor.
O crescimento em setores variados também indica que as empresas estão se adaptando às necessidades do mercado. A capacidade de se ajustar às demandas do consumidor é fundamental para a sobrevivência a longo prazo das empresas na nova economia.
O perfil predominante das contratações foi de homens (1.186 vagas), jovens entre 18 e 24 anos (1.428) e trabalhadores com ensino médio completo (1.730). As principais oportunidades concentraram-se nas atividades de serviços e nas ocupações de vendedores do comércio em lojas e mercados.
Essa concentração de empregos em determinados grupos etários e níveis de educação levanta questões sobre a inclusão e a diversidade no mercado de trabalho.
Fechamento de empresas bate recorde
O fechamento de empresas é um indicador preocupante. Quando mais negócios fecham suas portas, isso pode levar a um aumento do desemprego e a uma diminuição do dinamismo econômico.
No primeiro semestre, Mato Grosso do Sul também registrou o maior número de empresas encerrando as atividades desde o início da série histórica da Junta Comercial de Mato Grosso do Sul (Jucems), iniciada em 2000.
Entre os fatores que contribuem para esse fechamento, podem estar a falta de capital, a burocracia excessiva e a falta de capacitação dos empreendedores.
Entre janeiro e junho, 6.250 empresas fecharam as portas no Estado, estabelecendo um novo recorde para o período. Este número representa um desafio significativo para a economia local.
O aumento dos encerramentos ocorreu em paralelo ao crescimento do empreendedorismo. No mesmo intervalo, a Jucems contabilizou a abertura de 8.978 novas empresas, também o maior número já registrado para um primeiro semestre. Esse fenômeno sugere que, apesar das dificuldades, a cultura empreendedora está se fortalecendo.


