O fruto não cai longe da árvore. E o espetáculo Celito Espíndola & Polca Blues Band provou, mais uma vez, o quanto a família Espíndola prossegue produzindo registros históricos e fundamentais para enriquecer a cena cultural de Mato Grosso do Sul.
A fruta, no caso, é o filho de Celito Espíndola, Pedro Espíndola, também músico, cantor e compositor, que produziu o espetáculo junto com Rogéria Fonseca, gestora do projeto Música em Casa.

Com convidados como Geraldo Espíndola, Paulo Simões, Guilherme Rondon, Gilson Espíndola, Carlos Colman, Gabriel de Andrade, Gleison Ferreira e Jerry Espíndola, o show, que aconteceu na quinta-feira (6), transformou o Teatro Aracy Balabanian em uma virtuosa celebração da vida, da carreira e das décadas de amor e dedicação à cultura sul-mato-grossense de Celito Espíndola e de todos os artistas que subiram ao palco.
A noite foi mágica e plena de méritos, resgatando as criações de todos esses artistas e colocando-as na prateleira das estrelas que têm o talento singular de transformar as raízes do cancioneiro desta terra em arte musical contemporânea.
Sonho
Pedro conta que o embrião do espetáculo foi a ideia de marcar os 30 anos do primeiro álbum autoral de Celito, lançado em 1996.
— Teve também uma pegada emocional. Quando me profissionalizei como músico, meu pai não estava mais na ativa. Fez alguns shows, participou de coletivos e apresentações da Chalana de Prata. Mas eu queria realizar o sonho de levar ao palco um show com a linguagem musical dele, músicos convidados, canções autorais e canções novas, um repertório para encantar — conta Pedro Espíndola, que participou do espetáculo como integrante da Polca Blues Band.
O filho lembra que, na tentativa de convencer o pai, descobriu que o show só seria possível se ele próprio assumisse a produção. E a parceira ideal para se juntar à jornada foi Rogéria Fonseca. Pedro e Rogéria produziram uma rara fotografia do protagonismo dos Espíndolas na história da arte e da cultura de Mato Grosso do Sul.
Reencontro
Rogéria considera que o show foi “um reencontro e uma reafirmação da qualidade musical dos nossos artistas regionais e de nossa identidade cultural, isso sem contar o reencontro da nossa música com o seu público”.
Ela aproveita para revelar como funciona o projeto Música em Casa, mantido com o marido, Rossine, e que funciona na casa onde moram.
— Trata-se de um grupo fechado, com 100 pessoas, que funciona de forma coletiva. Cada pessoa paga o valor de R$ 60,00, que vai direto para o Pix do artista. Cada pessoa também leva sua bebida e um petisco, que é compartilhado entre todos ao final do show — descreve.
Sobre a produção do espetáculo, Rogéria destaca que não foi feita nenhuma divulgação nas mídias digitais, nem em rádio ou TV.
— De forma totalmente independente, conseguimos esgotar os ingressos e tivemos casa lotada, com os 260 lugares do teatro ocupados — celebra.
Celito Espíndola
Celito Espindola consolidou sua assinatura na música brasileira ao fundir as raizes sul-mato-grossenses às estéticas da MPB, do pop e do rock, integrando projetos com seus irmãos e consagrando essa fusão urbana em seu aclamado álbum autoral de 1996.
Sua versatilidade arranjos contemporâneos o projetaram nacionalmente, unindo a modernidade das canções com a forte identidade cultural da região. Celito consegue criar uma identidade musical para seu repertório e, apara além, inserindo sua marca na história recente da arte e cultura do Estado.
Referência fundamental no estado, consagrado instrumentista, cantor e compositor, também destaca-se na modernização dos ritmos de fronteira como expoente do chamamé contemporâneo e integrante do projeto Chalana de Prata.
***Por Ulysses Cosenza
Acompanhe no vídeo performance de Celíto, Geraldo e Pedro Espíndola, durante o show:


