spot_img
terça-feira, 11 agosto 2026
HomeagronegócioGeopolítica redefine relações comerciais e abre oportunidades para o agro brasileiro

Geopolítica redefine relações comerciais e abre oportunidades para o agro brasileiro

O Brasil precisa se preparar para um novo ambiente geopolítico sem abrir mão de sua capacidade de dialogar pragmaticamente com diferentes parceiros.

Para o agronegócio, isso significa transformar a atual reorganização econômica global em uma oportunidade para ampliar mercados, diversificar destinos e agregar valor à produção brasileira, reduzindo vulnerabilidades diante de eventuais mudanças na demanda ou nas relações comerciais entre as grandes potências.

“A estrutura multilateral criada no pós-guerra, incluindo instituições como a OMC, perdeu parte de sua capacidade de refletir a atual distribuição de poder. Ao mesmo tempo, os Estados Unidos continuam sendo uma potência central, enquanto a China mantém sua trajetória de expansão. Índia e Rússia também integram esse complexo quadro de disputas e alianças”, explicou Alexandre Parola, embaixador do Brasil no Reino do Marrocos, durante a Mesa Redonda “O Agro na Geopolítica”, da edição histórica de 25 anos do Congresso Brasileiro do Agronegócio (CBA), promovida pela Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG), em parceria com a B3, nesta segunda-feira (10 de agosto), em São Paulo.

Ele avaliou que o Brasil precisa abandonar uma postura de planejamento apenas de curto prazo e construir uma estratégia de médio e longo prazo, considerando que terminou o período de relativa “negligência benigna” em relação ao país.

“A segurança estratégica passou a influenciar cada vez mais as decisões econômicas e comerciais das grandes potências. Para o Brasil e o agronegócio, essa realidade abre oportunidades, mas também exige adaptação”, afirmou.

Para Braz Baracuhy, diplomata e especialista em geopolítica, o Brasil mantém interesses comuns com diferentes potências e também oportunidades de relacionamento com outras regiões do mundo.

Ele defendeu uma combinação entre a capacidade da iniciativa privada e uma política de Estado de longo prazo, principalmente nas áreas de segurança alimentar e energética, e chamou a atenção para a dependência de rotas internacionais estratégicas, especialmente o Estreito de Ormuz.

“O centro de gravidade da economia rural está no Estreito de Ormuz. Do ponto de vista geopolítico, isso é assustador, mas minha impressão é de que existem incentivos para a diplomacia”. 

NOTÍCIAS RELACIONADAS

ÚLTIMAS NOTÍCIAS