O manejo do pasto geralmente é feito pensando só em duas fases: período das águas e período seco. Só que existe uma terceira fase que decide o desempenho do rebanho nos meses seguintes, e ela costuma ficar esquecida no planejamento forrageiro – a transição entre seca e águas, momento que o Brasil central está vivendo agora.
Entender como manejar essa fase é o que separa uma pastagem que se recupera rápido de uma que compromete o desempenho do gado logo nas primeiras chuvas.
Por que a transição é negligenciada na maioria das fazendas
Na prática, o pecuarista costuma se preocupar em transferir forragem das águas para a seca, ajustando a lotação para garantir que o pasto aguente o período seco. O problema é que essa preocupação para por aí. A transição entre seca e águas, e depois entre águas e seca, raramente entra no planejamento.
O resultado é que a maioria dos pastos brasileiros termina o período seco praticamente rapado, porque não houve esse planejamento de transferência de forragem. Isso acontece porque o ajuste de lotação nem sempre é suficiente para manter uma oferta adequada de forragem até o fim da seca.
Sistema radicular
Pensando na rotina do negócio, um pasto rapado tem um efeito que fica escondido debaixo do solo. O sistema radicular também fica reduzido, e é justamente essa raiz pequena que compromete a absorção de nutrientes e atrasa a rebrota do capim quando a chuva finalmente chega.
Gado cedo demais no pasto
O detalhe que faz diferença nessa fase é o momento em que os animais retornam ao pasto após as primeiras chuvas. As primeiras rebrotas surgem com alta proteína e pouca fibra e o gado que consome essa forragem nova acaba desenvolvendo diarreia, o que gera perda de desempenho.
Esse é um erro comum e evitável. O manejo correto exige que os pastos não cheguem rapados no início do período chuvoso e que os animais não consumam a rebrota nova logo nos primeiros dias.
Como planejar o descanso dos pastos na transição
- Diferencie alguns pastos com antecedência, deixando-os em descanso antes do fim da seca
- Direcione os animais para consumir a macega diferida durante todo o período de transição
- Só solte o gado no pasto novo quando ele atingir a altura correta de manejo
- Continue usando silagem, feno ou outras reservas até o fim da transição, não apenas até o fim da seca
O detalhe que faz diferença aqui é entender que o problema da seca não termina quando começa a chover. Ele só termina quando termina a transição.
Pasto alto também na transição
Por outro lado, existe outro erro que costuma passar despercebido: deixar o pasto crescer demais durante essa fase.
Se o capim ficar muito alto no início do período chuvoso, ele sombreia a própria base da planta e impede a geração de novos perfilhos, o que reduz a capacidade de produção de massa forrageira mais à frente.
A roçada estratégica como solução
Para evitar esse sombreamento, vale fazer uma roçada estratégica logo no início das chuvas. Essa prática permite a entrada de luz na base do pasto, favorecendo a geração de novos perfilhos e garantindo que a pastagem volte a produzir com mais vigor.
O que fazer na transição entre seca e águas
- Avalie a altura do seu pasto antes de soltar o gado, evitando tanto pasto rapado quanto pasto excessivamente alto
- Mantenha áreas diferidas reservadas especificamente para o período de transição, não só para a seca
- Programe a roçada estratégica assim que as primeiras chuvas chegarem, para estimular novos perfilhos
- Continue fornecendo silagem ou feno até que o pasto atinja a altura ideal de manejo, mesmo depois de começar a chover
Incluir esse período no planejamento forrageiro evita prejuízo com diarreia nos animais e garante que o pasto se recupere de forma mais rápida e produtiva.


