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Operação do MPMS prende cúpula da Santa Casa em investigação sobre desvios milionários

Agravada pela Operação do Ministério Público, a Santa Casa de Campo Grande enfrenta uma das piores crises financeiras e assistenciais de sua história recente.

A presidente da Santa Casa Alir Terra Lima, foi presa na manhã desta sexta-feira (11), no âmbito da Operação Antidotum, realizada pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), por meio do Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) e do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco).

Foram cumpridos 6 mandados de prisão preventiva e 36 mandados de busca e apreensão nos municípios de Campo Grande, Dourados e Goiânia (GO).

Alir Terra quando foi empossada presidente da Santa Casa, em janeiro de 2023 – Foto: Reprodução

Além da presidente Alir Terra, operação também prendeu o diretor administrativo, Alessandro Dias Junqueira, o diretor financeiro, Rinaldo Halme Romano, Monique Gregório, responsável pelos serviços de digitalização, além do advogado Paulo Duarte Cruz e Beatriz Lemes da Silva, diretora do plano de saúde da Santa Casa.

Investigação

A investigação, conduzida pelo Gecoc, identificou a existência de fraudes e desvios de dinheiro em contrato firmado pela Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande para a prestação de serviços de digitalização de prontuários, em que ocorreram pagamentos de valores elevados sem a devida contraprestação de serviços.

O contrato previa pagamento de R$ 1,8 (um milhão e oitocentos mil reais) por ano e tinha vigência de três anos, totalizando R$ 5,4 (cinco milhões e quatrocentos mil reais). Somente no primeiro ano de vigência, o desvio de recursos totalizou R$ 1,4 (um milhão e quatrocentos mil reais)

No registro, da esq. para dir. – administrador da Corretora Duarte e Cruz Soluções, Paulo Duarte, diretora executiva do Plano Santa Casa Saúde, Beatriz Lemes da Silva e presidente, Alir Terra – Foto: Reprodução

No curso da investigação também foram identificadas irregularidades em contratos celebrados pela Operadora Santa Casa Saúde – empresa controlada pela Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande – com diversas empresas do mesmo grupo econômico.

Essas empresas, cujo proprietário tinha ligações com a diretoria da Santa Casa, estavam registradas no mesmo endereço, mas o imóvel, na verdade, encontrava-se desocupado.

Prejuízo

A apuração apontou que, somente no ano de 2025, a Operadora pagou aproximadamente R$ 9,6 (nove milhões e seiscentos mil reais) para essas empresas, e gerou um prejuízo, no mínimo, segundo apurado até o momento, de R$ 3,5 (três milhões e meio de reais) à entidade.

Durante as apurações, constatou-se que os contratos, pagamentos e prestações de contas eram sistematicamente sonegados dos órgãos de controle, incluindo Conselho Fiscal da Santa Casa e a Controladoria-Geral do Estado.

O valor total do prejuízo causado à Santa Casa de Campo Grande permanece sob apuração no curso das investigações.

A operação contou com apoio operacional do Batalhão de Choque da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul e com a participação da Comissão de Defesa e Assistência das Prerrogativas dos Advogados (CDA) da OAB/MS.

“Antidotum”, termo que dá nome à operação, traduz-se do latim como antídoto, e significa contraveneno ou contramedida, substância que neutraliza ou impede a ação nociva de uma toxina no organismo. Também é usado no sentido figurado como recurso ou solução contra um problema.

Colapso Assistencial e Demissão em Massa

Enquanto a cúpula da Santa Casa é presa acusada de desvios milionários, a entidade enfrenta a maior crise na sua história recente, com atraso no pagamento de salários a médicos (alguns há quatro meses sem receber) que geram um colapso no atendimento

Além disso, o hospital perdeu os seus únicos médicos especialistas da área e foi obrigado a suspender as cirurgias cardíacas pediátricas eletivas. Crianças que aguardavam a cirurgia correm o risco de ter que ser transferidas para outros estados.

A escassez de medicamentos e materiais hospitalares forçou a suspensão de cirurgias eletivas e atendimentos ambulatoriais.

A direção da Santa Casa alegava um déficit mensal de R$ 13 milhões.
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