Ao longo de 1.365 quilômetros de fronteira internacional, segurança pública deixa de ser uma ideia distante. Ela acompanha quem mora, trabalha, transporta mercadorias ou circula por regiões onde a atuação do crime organizado exige respostas coordenadas.
Para essas pessoas, proteção significa presença policial capaz de agir com informação, instituições que compartilhem dados e uma atuação pública que não comece apenas depois da violência.
É nesse território que o governador Eduardo Riedel (Progressistas), candidato à reeleição, situa uma das prioridades de seu Plano de Governo para 2027–2030. A proposta combina combate ao crime organizado, integração das forças de segurança, tecnologia, análise de dados e prevenção.
“O objetivo é consolidar um modelo que não se limite à reação policial, mas procure antecipar riscos, proteger comunidades e ampliar a capacidade do Estado de enfrentar crimes que atravessam fronteiras”, explica.
Uma fronteira que exige coordenação
A dimensão territorial ajuda a explicar por que a segurança de Mato Grosso do Sul ultrapassa o interesse estritamente estadual.
Ao longo da divisa internacional, a atuação contra organizações criminosas depende de policiamento territorial, inteligência e cooperação entre instituições com responsabilidades diferentes.

O balanço apresentado no plano mostra que essa resposta ganhou forma com a implantação do Plano de Fronteira, estruturado com presença qualificada e integração entre forças estaduais, federais e internacionais.
Na prática, essa concepção procura reduzir os espaços entre uma informação e outra, entre uma ocorrência local e uma investigação mais ampla, entre a apreensão realizada em uma região e a identificação da rede criminosa que opera além dela.
O plano deixa clara a direção da política: fortalecer a atuação conjunta para que a extensão da fronteira não se transforme em isolamento institucional.
O documento atribui ao período de 2023 a 2026 uma queda consistente das taxas de crimes violentos letais. Também registra a vice-liderança nacional de Mato Grosso do Sul na apreensão de drogas e destaca a eficiência na solução de homicídios.
“Os resultados são parte de uma política que reuniu inteligência de dados, policiamento territorial e enfrentamento ao crime organizado, embora o plano não informe, nesse trecho, a série histórica, os percentuais ou a metodologia dos indicadores”, sustenta o governador.
A apreensão de drogas tem peso particular porque traduz o papel estratégico do Estado em uma dinâmica criminal que não respeita divisas administrativas.
No desenho apresentado pelo Plano de Governo, o dado funciona como indicador da presença operacional e da capacidade de repressão.
Ele, porém, não encerra o problema. A proposta para o próximo mandato parte da ideia de que a segurança precisa combinar essa resposta com investigação, tecnologia e prevenção permanente.
Tecnologia para ligar os pontos
Um dos principais instrumentos dessa transição é o LabSejusp. A estrutura foi criada para desenvolver soluções tecnológicas. Ao mesmo tempo, sua implementação integral aparece entre os compromissos para o próximo ciclo.
Entre 2027 e 2030, a proposta é usar o LabSejusp para ampliar e modernizar a inteligência, a tecnologia e a análise de dados aplicadas à prevenção e à repressão criminal. Em vez de tratar cada ocorrência como um episódio isolado, a estratégia busca criar capacidade para relacionar informações, reconhecer padrões e orientar a atuação das forças de segurança.
O plano também prevê intensificar o combate aos crimes transfronteiriços e ao crime organizado.
Para Riedel, a continuidade dessa política passa pelo fortalecimento da atuação integrada. Isso significa preservar a cooperação construída no Plano de Fronteira e ampliar a capacidade institucional de responder a uma criminalidade que se movimenta entre territórios, utiliza rotas diversas e exige investigação articulada.
“A tecnologia, nesse desenho, não substitui o trabalho policial: deve servir para qualificar decisões, aproximar instituições e tornar mais precisa a presença do Estado”.
O plano também inclui o fortalecimento da polícia científica numa abordagem mais ampla de segurança pública. Ao lado da inteligência e da análise de dados, essa estrutura reforça a prioridade dada à capacidade investigativa e ao esclarecimento de crimes.
“Para o cidadão, esse processo se traduz na expectativa de uma resposta pública menos fragmentada e com maior capacidade de alcançar as estruturas do crime organizado, e não apenas os seus efeitos imediatos”, reflete o candidato.
Segurança antes da violência
A proposta para o próximo mandato não restringe segurança pública à fronteira física nem ao momento da repressão. O plano defende políticas permanentes de prevenção à violência nas comunidades e a integração das ações de segurança com educação, esporte, cultura e assistência social.
A formulação amplia o foco: enfrentar organizações criminosas continua central, mas a proteção cotidiana também depende de fortalecer a presença pública onde a violência encontra espaço para crescer.
Essa lógica aproxima duas realidades que muitas vezes aparecem separadas. De um lado, estão as operações contra crimes transfronteiriços, o uso de inteligência e a cooperação institucional. De outro, a vida das comunidades, a prevenção, a proteção das vítimas e a oferta de oportunidades.

“Em um estado de fronteira, as duas frentes devem caminhar juntas: repressão qualificada ao crime organizado e redução da violência nos territórios mais vulneráveis”, aponta Riedel.
O conjunto de ações ainda incorpora o fortalecimento da ressocialização e a redução da reincidência criminal, além do combate a roubos, furtos patrimoniais e violência viária. São medidas que levam a política para além das grandes operações e a conectam com riscos mais próximos da rotina.
Para quem circula pelas cidades e estradas, mantém um pequeno negócio, transporta produção ou vive em regiões distantes dos grandes centros, segurança também é poder realizar esses movimentos com menor exposição à violência.
A próxima etapa da proteção
A passagem do balanço de 2023–2026 para as propostas de 2027–2030 mostra uma política estratégica para o setor. O Plano de Fronteira foi implantado, a integração institucional avançou e o LabSejusp foi criado, mas a próxima etapa prevê implementar integralmente o laboratório, aprofundar o uso de inteligência e dados, consolidar políticas preventivas e intensificar o enfrentamento aos crimes transfronteiriços. O compromisso de Riedel é ampliar capacidades já iniciadas, não apresentar a segurança como um problema resolvido.
“Vamos trabalhar mais para intensificar a integração entre as forças, implantação efetiva do LabSejusp, presença nas comunidades e uso consistente de tecnologia na prevenção e na investigação”, avisa o governador.
Para Mato Grosso do Sul, proteger a fronteira significa proteger também os caminhos que ligam pessoas, municípios e atividades econômicas. Significa impedir que a distância favoreça o crime, fazer a informação circular com mais rapidez que as organizações criminosas e aproximar a atuação policial da vida cotidiana.
É nesse ponto — entre uma fronteira de 1.365 quilômetros e a segurança de quem vive ao longo dela — que a proposta de continuidade pretende ganhar sua medida concreta: um Estado mais integrado, capaz de agir antes, investigar melhor e permanecer presente onde a proteção é mais necessária.


