O último debate entre os candidatos ao Governo de Mato Grosso do Sul antes do primeiro turno revelou um aspecto que foi além dos embates eleitorais: boa parte das propostas apresentadas pelos adversários de Eduardo Riedel (PP), especialmente Fábio Trad (PT) e Delcídio Amaral (PRD), converge com políticas já executadas pelo Estado ou com diretrizes de continuidade previstas no projeto defendido pelo governador para 2027–2030 no seu segundo mandato.
Realizado na noite de terça-feira (29), na sede da TV Morena, em Campo Grande, o confronto reuniu Riedel (PP), Fábio Trad (PT), Delcídio Amaral (PRD) e Lucien Rezende (PSOL).
Portanto, o confronto acabou expondo um paradoxo da disputa eleitoral: enquanto os adversários criticaram a administração e defenderam mudança, uma parcela relevante das soluções apresentadas passou por caminhos que já estão presentes nas políticas estaduais ou no projeto de continuidade do Governo que Riedel apresenta. Confira AQUI.
Regionalização da saúde, telemedicina, formação profissional, geração de empregos, habitação, combate à pobreza extrema, integração pela Rota Bioceânica, retomada da Malha Oeste, preparação de Mato Grosso do Sul para os efeitos da reforma tributária e ampliação do ensino profissionalizante estão entre as propostas adotados pelos outros três candidatos.
Regionalização e tecnologia na saúde
A saúde foi um dos exemplos mais claros dessa “coincidência” programática.
A necessidade de descentralizar consultas, exames, cirurgias e atendimento especializado, reduzindo a dependência de Campo Grande, voltou ao debate. O problema da regionalização, aliás, já havia aparecido em outros confrontos e sabatinas da campanha.
O projeto defendido por Riedel trabalha justamente com a expansão da regionalização, fortalecimento das unidades de referência no interior, integração da rede e uso de novas tecnologias para aproximar especialistas dos pacientes.
Nesse contexto aparece também a telemedicina, defendida durante a campanha como ferramenta para ampliar o acesso da população do interior à saúde especializada sem obrigar pacientes a percorrer centenas de quilômetros.
Portanto, o objetivo apresentado pelos adversários encontra correspondência na política executada e defendida pela atual gestão para o próximo ciclo.
Crescimento já chega ao trabalhador
Outro proposta “coindicente” foi a relação entre crescimento econômico, emprego e qualificação profissional.
Mato Grosso do Sul vive um ciclo de atração de grandes investimentos privados, principalmente nos segmentos de celulose, bioenergia, agroindústria e transformação. O desafio que surge dessa expansão é preparar mão de obra local para ocupar as vagas abertas pelos novos empreendimentos.
É justamente nesse ponto que a qualificação profissional aparece como uma das bases do projeto de Riedel: fazer com que o crescimento econômico se transforme em renda e oportunidade para quem vive no Estado.
A ampliação dos cursos profissionalizantes dentro da própria Rede Estadual de Ensino integra essa estratégia. Riedel já executa uma política pública de formação dos jovens conectada às oportunidades abertas pela transformação da economia sul-mato-grossense.
Assim, quando os adversários defenderam qualificação profissional como ferramenta para garantir que os empregos gerados pelo crescimento sejam ocupados pela população do Estado, tocaram em um dos eixos de gestão da atual administração do Governador.
Incentivo fiscal já significa emprego
A vinculação entre benefícios concedidos pelo Estado e geração efetiva de empregos também apareceu como proposta “coincidente”.
A ideia de utilizar incentivos fiscais como instrumento de atração de empresas, condicionando o benefício ao investimento, à atividade econômica e à criação de postos de trabalho é uma lógica que já orienta políticas estaduais de desenvolvimento econômico e continua relacionada à estratégia de industrialização e diversificação da economia.
Malha Oeste e Bioceânica na agenda de Riedel
Na infraestrutura, duas pautas estratégicas também atravessaram os discursos: a Rota Bioceânica e a recuperação da Malha Oeste.
A Bioceânica já está incorporada ao planejamento logístico de Mato Grosso do Sul como alternativa de integração com Paraguai, Argentina e Chile e como futura saída da produção regional para os portos do Pacífico.
A Malha Oeste, por sua vez, depende diretamente do Governo Federal, já que se trata de infraestrutura ferroviária federal.
O tema não começou na campanha. Riedel já levou pessoalmente a discussão ao Ministério dos Transportes, em Brasília, enquanto a União avança na estruturação de uma nova concessão da ferrovia.
A proposta aprovada pela ANTT envolve a recuperação de aproximadamente 1,6 mil quilômetros de trilhos entre Mato Grosso do Sul e São Paulo.
Dessa forma, quando a retomada da ferrovia aparece como proposta eleitoral, ela se soma a uma negociação institucional que já está em andamento entre Estado e União.
Reforma tributária muda o jogo dos incentivos
Outro tema estratégico é a reforma tributária.
A mudança do sistema nacional de tributação sobre o consumo tende a alterar progressivamente o modelo de competição fiscal entre os estados. Para Mato Grosso do Sul, que historicamente utiliza incentivos tributários como uma das ferramentas para atrair investimentos, assim como as demais Unidades da Federação, a transição exige uma estratégia diferente.
Riedel já vem defendendo publicamente que o Estado precisa entrar preparado nessa nova realidade, sustentando competitividade por meio de infraestrutura, logística, segurança jurídica, equilíbrio fiscal, capital humano e eficiência dos serviços públicos.
Nesse sentido, Riedel já está preparando a economia estadual para competir em um ambiente no qual o incentivo fiscal deverá perder gradualmente parte do peso que teve nas últimas décadas.
Habitação, pobreza e inclusão
As políticas sociais de Riedel também foram “adotadas” pelos outros candidatos.
Habitação, combate à pobreza extrema e criação de oportunidades para famílias vulneráveis apareceram entre as preocupações dos adversários de Riedel.
Em sua gestão, Riedel já alia crescimento econômico e política – o Estado gera oportunidades para que as famílias aumentem renda, consigam emprego e avancem socialmente, sem abandonar programas destinados a quem ainda necessita de proteção pública.
Combate à corrupção: objetivo comum, caminhos diferentes
Nos últimos três anos, Mato Grosso do Sul recebeu 7.373 denúncias por meio da Controladoria-Geral do Estado, todas apuradas.
As investigações resultaram na sanção de 189 empresas e em R$ 25,8 milhões em multas aplicadas a nove delas.
Eduardo Riedel afirma que a política de combate à corrupção combina investigação, afastamento de servidores envolvidos, fortalecimento dos controles internos e aperfeiçoamento das licitações.
Para 2027–2030, o plano prevê ampliar programas de integridade, gestão de riscos e mecanismos de denúncia e fiscalização.
Os adversários apresentaram mecanismos e estruturas de fiscalização, enquanto a atual gestão já apresenta resultados concretos no combate à corrupção.
Debate mostrou coincidência maior do que o discurso político sugere
Quando os principais assuntos são colocados lado a lado, o debate deixa uma constatação política relevante.
Trad e Delcídio procuram apresentar suas candidaturas como alternativas ao atual governo, mas diversas soluções defendidas por eles encontram paralelo em políticas existentes ou em continuidade apresentados por Riedel para 2027–2030.
Na prática, as coincidência em áreas como saúde regionalizada, tecnologia, qualificação profissional, emprego, infraestrutura logística, ensino técnico, combate à corrupção e preparação para a reforma tributária mostra que parte importante do debate passou a ser não apenas sobre o que fazer, mas sobre como fazer diferente do que Riedel já está executando, o que não foi sequer mencionado pelos outros candidatos.
Mobilidade social fecha o discurso de Riedel
Foi justamente nessa direção que Riedel encerrou sua participação.
Ao apresentar sua visão para os próximos quatro anos, o governador relacionou crescimento econômico, educação, qualificação profissional e geração de oportunidades e colocou a mobilidade social como um dos resultados que considera mais importantes de sua administração.
A afirmação tem respaldo no Atlas da Mobilidade Social 2025. O estudo, desenvolvido pelo Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social (IMDS) em parceria com pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco, colocou Mato Grosso do Sul na primeira posição entre as unidades da Federação na probabilidade de ascensão social medida pelo levantamento.
Segundo o Atlas, crianças nascidas em Mato Grosso do Sul apresentaram probabilidade de 2,91% de alcançar, quando adultas, o grupo dos 10% mais ricos do País, acima do Distrito Federal, Goiás e Santa Catarina.
É esse indicador que Riedel utiliza para sustentar uma das principais mensagens de sua campanha: crescimento econômico, sozinho, não basta.
O objetivo apresentado para 2027–2030 é fazer com que a expansão da economia, os investimentos privados, a educação profissional e a geração de empregos continuem ampliando a possibilidade de as pessoas melhorarem efetivamente de vida.
O debate da TV Morena mostrou que o conteúdo da campanha para o Governo de Mato Grosso do Sul está pautado nas ações, políticas públicas e resultados alcançados por Riedel nos últimos quatros anos e em seu Programa para os próximos quatro anos.
Ao completar 1.364 dias à frente de Mato Grosso do Sul, Riedel coloca crescimento econômico, emprego, renda, educação e redução da pobreza, como eixos estratégicos, mas também destaca que “acima de tudo, cabem histórias que nenhum número pode contar”.
A diferença de Riedel para seus adversários de campanha é que ele apresenta o desenvolvimento econômico não como ponto de chegada, mas como instrumento para alcançar a parcela da população que ainda não conseguiu acompanhar o ritmo de transformação do Estado.
Sem citar adversários nominalmente, Riedel critica candidatos que, segundo ele, aparecem no período eleitoral para questionar realizações do governo e apresentar novas promessas. “Mas onde eles estavam nesses 1.364 dias?”, questiona Riedel.
A pergunta talvez seja crucial para revelar a “coincidência” entre as propostas dos candidatos apresentadas no debate da TV Morena e a atual gestão de Riedel, além das ações contidas no Programa de Governo para 2027-2030.
Por Ulysses Cosenza, jornalista/publicitário e CEO do Grupo UCRcom com sede em Brasília e que edita o website Conectems em Campo Grande/MS.


