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Campo Grande amplia segurança na área central e bairros com queda de 20,7% dos roubos

Graciela Miranda conhece Campo Grande por perspectivas diferentes. Trabalha como servidora pública na região do Aero Rancho, mora no Santo Amaro e mantém uma loja de roupas no Conjunto José Abrão.

É nesse percurso cotidiano entre trabalho, casa e comércio que ela diz ter percebido uma mudança na presença da Polícia Militar.

“É muito visível a atuação da Polícia Militar. Inclusive, hoje, a gente vê muito mais viaturas nas ruas”, relata. Para Graciela, o contato também mudou. Ela descreve policiais parando em pontos estratégicos, conversando com comerciantes e atuando de maneira mais próxima da população.

A percepção da servidora e empreendedora coincide com uma redução registrada nos crimes de roubo em Campo Grande. Em 2025, as ocorrências caíram 20,7%.

O recuo alcançou diferentes modalidades: os roubos em via urbana diminuíram 23,1%, passando de 1.553 para 1.196 registros; no comércio, a redução foi de 19,5%; nos roubos de veículos, de 14,8%; e, em residências, de 11,1%.

A queda ocorreu em meio à reorganização do policiamento conduzida pelo Governo de Mato Grosso do Sul.

Na gestão de Eduardo Riedel (Progressistas), candidato à reeleição, a Polícia Militar ampliou a divisão territorial de Campo Grande de 38 para 50 setores, incorporou novos profissionais e intensificou o uso de informações sobre locais e horários de maior incidência criminal.

Segundo Riedel, o objetivo é aproximar efetivo, viaturas e tecnologia da rotina dos bairros, permitindo que áreas menores fiquem sob responsabilidade das equipes e que o patrulhamento seja ajustado ao comportamento das ocorrências.

Uma cidade dividida em áreas menores

O crescimento de Campo Grande, com novos bairros, corredores comerciais e regiões residenciais, aumentou a necessidade de distribuir melhor o policiamento pela cidade. A ampliação de 38 para 50 setores busca responder a essa realidade e aproximar as equipes das comunidades.

O modelo de setorização utilizado pela Polícia Militar faz parte do Programa OCOP (Obtenção de Capacidade Operacional Plena), adotado desde julho de 2021.

De acordo com o comandante do Policiamento Metropolitano, coronel Almeida, a divisão da Capital em áreas menores permite que cada equipe conheça melhor a realidade do território pelo qual é responsável.

Esse modelo é combinado ao monitoramento das viaturas e à análise dos registros policiais. As chamadas manchas criminais identificam onde e em quais períodos determinados delitos se concentram. Horário, dia da semana, tipo de crime e reincidência são utilizados para orientar rotas e operações.

Campo Grande conta com sete unidades operacionais da Polícia Militar distribuídas pelas regiões urbanas, além do Batalhão de Trânsito. Conforme as manchas criminais se modificam, o emprego das equipes também pode ser alterado.

“Deixamos de atuar apenas de forma reativa e passamos a antecipar os problemas, utilizando tecnologia, estatística e inteligência policial para orientar as decisões operacionais”, afirma o coronel Almeida.

O reforço do efetivo também entrou nessa estratégia. Em julho de 2025, 427 novos soldados concluíram dez meses de formação, com 1.554 horas-aula. A preparação incluiu conteúdos jurídicos e operacionais, direitos humanos, criminologia, atendimento pré-hospitalar, psicologia e saúde mental. Os novos policiais foram distribuídos entre Campo Grande e municípios do interior.

Indicadores também recuam em 2026

Os dados apresentados pelo Comando de Policiamento Metropolitano indicam continuidade da redução de alguns crimes no primeiro semestre de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025.

Os feminicídios passaram de cinco para dois casos, queda de 60%. Os roubos diminuíram 23,7%, enquanto os homicídios culposos no trânsito apresentaram redução de 14%.

Para o coronel Almeida, os resultados estão associados a um modelo de policiamento orientado por informações técnicas e pela realidade de cada região da Capital.

“Cada decisão sobre o emprego das equipes considera informações técnicas, indicadores criminais e a realidade de cada bairro”, afirma.

Essa presença é justamente o que Graciela diz identificar nos lugares que frequenta. Na avaliação da empreendedora, o aumento das viaturas e a aproximação dos policiais com comerciantes e moradores ampliam sua sensação de segurança.

Câmeras ajudam a orientar as abordagens

A tecnologia constitui outra frente da estratégia de segurança. A rede de videomonitoramento conta com 123 câmeras móveis do tipo PTZ, capazes de girar e aproximar imagens, além de 28 equipamentos OCR, utilizados na identificação automática de placas de veículos.

Esses equipamentos estão conectados à Infovia Digital, que permite o compartilhamento de informações entre unidades da segurança pública.

Em julho de 2025, uma das câmeras identificou em Campo Grande um automóvel com registro de furto em São Paulo. A informação gerou um alerta e levou à abordagem do veículo, quando foi constatado que se tratava de um clone.

O episódio ilustra como as informações obtidas pelo monitoramento podem ser convertidas em ação policial. O próprio conteúdo apresentado pelo Governo ressalta, entretanto, que a eficiência desse tipo de ferramenta precisa ser observada por resultados concretos, como veículos recuperados, identificação de suspeitos, investigações concluídas e redução do intervalo entre o alerta e a abordagem.

A estratégia estadual inclui ainda investimentos em armamentos, renovação da frota de viaturas, equipamentos de proteção e capacitação dos policiais.

Para o coronel Almeida, porém, a segurança pública não funciona isoladamente. Ele relaciona a qualidade de vida também a políticas de saúde, educação, mobilidade, saneamento, desenvolvimento econômico e inclusão social.

Segundo o comandante, a possibilidade de trabalhar, estudar, empreender e frequentar espaços públicos com tranquilidade ajuda a explicar por que a segurança ultrapassa os registros policiais e chega à vida cotidiana da população.

Furto permanece como desafio

Se os roubos apresentaram redução, os furtos ainda representam um desafio para Campo Grande. Em 2025, os registros permaneceram praticamente estáveis, com variação positiva de 0,3%.

Uma das exceções ocorreu nos furtos de veículos, que diminuíram 22,1%.

Ao contrário do roubo, que envolve violência ou ameaça, os furtos incluem situações como retirada de objetos de veículos, invasões de imóveis, celulares, equipamentos urbanos e cabos que posteriormente podem ser revendidos.

Por ocorrerem de maneira dispersa e geralmente sem confronto direto, esses crimes exigem combinação de patrulhamento, investigação e combate à receptação.

Em fevereiro de 2025, uma operação conjunta da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública, Polícia Civil, Polícia Militar e Guarda Civil Metropolitana foi direcionada ao furto de fios de cobre e à receptação. A retirada desse material, além do prejuízo patrimonial, pode comprometer semáforos e iluminação pública.

Para Riedel, o enfrentamento aos furtos deve utilizar a mesma lógica territorial aplicada aos roubos: identificar o que é levado, os locais e horários das ocorrências e o destino dos materiais.

“Sem enfrentar a receptação, prende-se quem furta, mas preserva-se o mercado que alimenta o crime”, afirma.

A prevenção também envolve ações que vão além do policiamento. Iluminação, fiscalização, ordenamento urbano e manutenção dos espaços públicos dependem da articulação com o município. Ruas escuras, imóveis abandonados e áreas degradadas podem favorecer ocorrências mesmo em locais atendidos pelo patrulhamento.

Da abordagem à investigação

O atendimento depois da ocorrência também integra a estrutura de segurança. A nova Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário do Centro recebeu investimento informado de R$ 6,12 milhões. No balanço divulgado em janeiro de 2026, a obra estava com 24,61% de execução.

A unidade foi projetada para melhorar tanto o atendimento à população quanto as condições de trabalho dos servidores.

A lógica é que o trabalho policial não termine na abordagem. Depois de um crime, há uma sequência necessária: acolher a vítima, registrar a ocorrência, preservar provas e fazer com que as informações reunidas avancem para a investigação.

Os números dos roubos indicam resultados de uma estratégia que reúne distribuição territorial das equipes, reforço do efetivo, tecnologia e análise das ocorrências. Ao mesmo tempo, a estabilidade dos furtos mostra que parte do desafio permanece.

Para a gestão de Eduardo Riedel, a próxima etapa passa por manter a presença policial nos bairros, ampliar o uso qualificado da tecnologia e acompanhar continuamente os indicadores.

Para quem vive diariamente a cidade, entretanto, essa política pública se traduz de maneira mais simples. No caminho entre o Aero Rancho, o Santo Amaro e o José Abrão, Graciela observa as viaturas, o contato com os comerciantes e a presença dos policiais nos bairros. É nesse cotidiano — no trabalho, em casa e na loja — que os números da segurança pública deixam as planilhas e passam a ser percebidos por quem

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