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Entidades do setor produtivo criticam aprovação do fim da escala 6X1

Entidades do setor produtivo manifestaram preocupação com a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6×1 e a redução gradual da jornada semanal de 44 para 40 horas.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) defende que o texto seja revisto para se adequar à realidade brasileira. “Lamentamos que a votação tenha sido feita sem mais debates com a sociedade brasileira e entendemos que os impactos dessa medida não foram devidamente mensurados”, afirmou o presidente da entidade, Ricardo Alban.

Na avaliação do setor industrial, a medida aprovada pelo Senado poderá provocar perdas econômicas, demissões, repasse de custos aos consumidores e aumento da inflação no país.

“Para a CNI, a mudança aprovada em pleno período eleitoral representa um retrocesso para o Brasil, que já sofre com baixa produtividade e falta de competitividade no mercado internacional”, declarou a confederação.

“Após a constatação, por exemplo, da perda de competitividade e da alta inflacionária, acreditamos que o Congresso Nacional possa abrir espaço para revisitar o tema, visando encontrar a melhor solução para a economia brasileira”, acrescentou Alban.

Levantamento da CNI aponta que 85% das empresas do setor adotam jornada de 44 horas e 73% rejeitam redução por lei. O setor prevê aumento de custos, perda de competitividade e queda na produção

Abrasel

Já o presidente-executivo da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Paulo Solmucci, avalia que a aprovação pelo Senado da PEC que acaba com a escala 6×1 é uma tragédia socioeconômica anunciada e denunciada pela associação. “Ela terá impactos extraordinários na sociedade. Os primeiros serão percebidos tão logo ela comece a vigorar, por conta dos serviços essenciais”, afirma.

Segundo estimativas da entidade, cerca de 15 milhões de pessoas trabalham em escala 6×1 e, para que a oferta dos serviços seja mantida, o país precisaria de mais 3 milhões de trabalhadores. “Onde encontrar essa mão de obra? Certamente não há essa mão de obra sobrando. Vai ser um rouba-monte”, diz Solmucci.

Segundo ele, muitos bares e restaurantes vão fechar um dia adicional por semana, seja pelo aumento do custo, seja pela falta de mão de obra.

Hospitais também podem não conseguir manter as portas abertas todos os dias, como alertou Francisco Balestrin, representante dos hospitais e clínicas de São Paulo, em reunião na Fiesp.

Balestrin defendeu uma legislação específica para o setor. “Nós vamos ver serviços essenciais diversos precarizados, e isso obviamente a sociedade vai sentir”, afirma Solmucci

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