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Vitória de Lula provoca terremoto no mercado financeiro: Bolsa despenca, dólar dispara e juros sobem

Segundo a B3, devido a alta volatilidade no mercado brasileiro, o circuit breaker foi acionado pela primeira vez desde a pandemia de Covid-19, em 2020.

A vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL), no segundo turno das eleições presidenciais, provocou uma das mais intensas turbulências do mercado financeiro brasileiro dos últimos anos.

Nesta segunda-feira (26), o Ibovespa chegou a despencar mais de 16%, o dólar atingiu R$ 5,60 e os juros futuros dispararam, refletindo a reação negativa de investidores à continuidade do atual governo.

A intensidade das perdas obrigou a B3, Bolsa de Valores brasileira, a acionar o mecanismo de circuit breaker, interrompendo temporariamente as negociações por 30 minutos. Foi a primeira vez que a medida foi adotada desde março de 2020, quando os mercados enfrentaram os impactos da pandemia de Covid-19.

Por volta das 11h10, o Ibovespa registrava desvalorização de 16,44%, aos 171.362 pontos, depois de encerrar a sexta-feira (23) aos 205.088 pontos. A queda representava uma perda superior a 33 mil pontos em relação ao último fechamento, evidenciando a dimensão da mudança nas expectativas dos investidores

Dólar dispara e investidores buscam proteção

No mercado cambial, a reação também foi imediata. A moeda norte-americana, negociada próxima de R$ 4,99 no encerramento da semana passada, chegou a superar R$ 5,60 nas primeiras horas desta segunda-feira, uma valorização superior a 12%.

A disparada do dólar reflete a procura por proteção diante das incertezas econômicas. A desvalorização do real também amplia preocupações com a inflação, especialmente pelo possível encarecimento de produtos importados, combustíveis, equipamentos e insumos utilizados pela indústria e pelo agronegócio.

O movimento representa uma reversão do comportamento observado após o primeiro turno, quando Flávio Bolsonaro terminou à frente de Lula. Na ocasião, o Ibovespa avançou 7,70% em um único pregão, enquanto o dólar recuou 4,11%, impulsionado pelas expectativas de uma mudança na condução da política econômica.

Contas públicas preocupam o mercado

Mais do que a derrota de Flávio Bolsonaro, a reação dos investidores está associada às dúvidas sobre a capacidade do governo Lula de controlar as despesas federais, estabilizar a dívida pública e promover um ajuste fiscal capaz de recuperar a confiança dos agentes econômicos.

Durante as semanas que antecederam o segundo turno, parte significativa do mercado financeiro passou a considerar a possibilidade de vitória do candidato do PL, associando esse cenário a uma política econômica mais comprometida com a contenção dos gastos públicos.

Com a reeleição de Lula, investidores começaram a rever suas posições, provocando vendas expressivas de ações e maior procura por dólares.

Os juros futuros também registraram fortes elevações, indicando que o mercado passou a exigir remuneração maior para financiar o governo brasileiro. A tendência, caso persista, poderá dificultar a redução da taxa básica de juros e encarecer o crédito para empresas e consumidores.

A instabilidade levou o Tesouro Nacional a cancelar os leilões de títulos públicos prefixados e indexados à inflação previstos para terça-feira (27) e quinta-feira (29), preservando a operação com títulos vinculados à Selic.

Grandes empresas acumulam perdas

A turbulência também atingiu empresas de grande participação na Bolsa brasileira. Entre os papéis mais pressionados estavam os de bancos, varejistas, construtoras e companhias ligadas ao mercado doméstico.

Durante a manhã, ações do Banco do Brasil chegaram a registrar perdas próximas de 31%, enquanto Bradesco recuava cerca de 24,5%. No varejo, Magazine Luiza e Casas Bahia apresentaram quedas ainda mais acentuadas. A Petrobras também operava em baixa, enquanto a Vale destoava do movimento e registrava valorização.

No exterior, os reflexos foram igualmente significativos. Fundos internacionais vinculados a ações brasileiras e recibos de empresas nacionais negociados nos Estados Unidos sofreram fortes desvalorizações, demonstrando que a reação ultrapassou o mercado doméstico.

Desafio

A reeleição coloca Lula diante de um desafio econômico imediato: convencer investidores, empresários e agentes financeiros de que seu quarto mandato terá condições de conciliar programas sociais, investimentos públicos e responsabilidade fiscal.

Entre os fatores que deverão influenciar o comportamento dos mercados nos próximos dias estão a definição da equipe econômica, as sinalizações sobre o Orçamento de 2027 e as medidas que o governo pretende adotar para conter o crescimento da dívida pública.

A composição do novo Congresso Nacional também será determinante, especialmente para a aprovação de eventuais medidas de ajuste fiscal e mudanças na política econômica.

O primeiro pregão após as eleições revela uma forte deterioração das expectativas de curto prazo. A intensidade das perdas demonstra que o resultado eleitoral contrariou apostas relevantes do mercado financeiro e elevou a percepção de risco sobre os rumos da economia brasileira.

Por enquanto, a resposta dos mercados nesta segunda-feira é de cautela, desvalorização dos ativos e cobrança por medidas concretas de equilíbrio fiscal.

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