Economia
Brasil espera convite formal para responder sobre bloco de minerais dos EUA
O Brasil ainda não recebeu um convite formal para fazer um acordo sobre minerais ou participar do bloco criado pelos Estados Unidos e irá avaliar a resposta quando e se uma proposta for recebida, dizem fontes do governo. Mas a visão, dentro do Itamaraty, é que o Brasil não deve entrar em disputas alheias e ter uma boa relação com o mundo é uma vantagem que o país pretende manter.
A Embaixada do Brasil em Washington ainda não recebeu um convite por escrito, ao contrário do Conselho de Paz, proposto por Donald Trump em janeiro, quando uma proposta formal foi enviada. Interlocutores afirmam que seria prematuro discutir um “convite hipotético, sem formalização”.
O governo brasileiro foi convidado para a reunião realizada nesta quarta-feira (4) pelo vice-presidente americano, JD Vance, para anunciar a iniciativa, que visa promover acordos entre os EUA e outros países no setor de minerais para frear o avanço da China.
O Departamento de Estado dos EUA confirmou ao repórter Gabriel Garcia da CNN que o Brasil esteve entre os participantes do encontro, que reuniu os países convidados a integrar o bloco. Mas diplomatas afirmam que esse seria um convite “implícito” e não formal.
Interlocutores do governo em Brasília e em Washington afirmam que se e quando chegar uma proposta, ou se o assunto for levantado na preparação da visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Washington em março, a adesão será avaliada e os países vão dialogar.
Foram convidados 55 países para a reunião sobre a iniciativa em Washington. Argentina, Japão, México e União Europeia já responderam que farão parte do grupo.
O Brasil quer entender quais seriam os detalhes de um possível acordo, se ele seria benéfico à economia brasileira e se envolveria algum tipo de exclusividade que poderia afetar as relações com outros países. O governo também quer entender detalhes técnicos sobre como um eventual grupo hipotético seria operacionalizado, o que ainda não foi explicado oficialmente.
Algumas das fontes negam que o convite seja mais uma “saia justa” para Lula e afirmam que o governo sempre se pauta pelos interesses nacionais.
Mas um diplomata observa que o assunto é, sim, complexo. Ele pontua que é preciso manter a boa relação com os EUA agora que Trump recuou sobre as tarifas e tem elogiado publicamente Lula. E afirma também que é sempre preciso pensar na política interna para compreender as decisões no ambiente externo: é ano eleitoral no Brasil e há um receio de que Trump endosse o bolsonarismo nasredes sociais.

