Quarenta e seis metros metros, ou cerca de um minuto andando sem pressa. É o que falta para concluir a ligação da ponte da rota Bioceânica, unindo Porto Murtinho no Mato Grosso do Sul a Carmelo Peralta, no Paraguai – o chamado “beijo”, no jargão da engenharia civil.
A previsão é que a a união dos dois lados aconteça no próximo mês de maio, simbolizando a integração entre Brasil, Paraguai, Argentina e Chile, levando a produção sul-americana até os portos do norte chileno no Oceano Pacífico, reduzindo custos de transporte e ampliando a competitividade das exportações para os mercados asiáticos.

Os trabalhadores estão em recesso da Semana Santa e retornam na segunda-feira (06), com os trabalhos intensivos de concretagem e avanço da estrutura no meio do rio.
A obra é executada pelo Consórcio PYBRA, liderado pelo engenheiro civil paraguaio Renê Gomez, com equipes trabalhando em ritmo acelerado aproveitando o período de clima seco. A obra é fiscalizada pelos profissionais da engenharia civil do Paraguay, do Ministério de Obras Públicas e Comunicações, MOPC.
Enquanto isso, do lado brasileiro, prosseguem os trabalhos de montagem dos viadutos de acesso com pilares e vigas de concreto, executados pelo Consórcio PDC Fronteira, em obra contratada e fiscalizada pelo DNIT.
Já no lado paraguaio, continuam os serviços de aterro hidráulico para o acesso de cerca de 4 km até a Ruta PY-15, a espinha dorsal da Rota Bioceânica no Chaco paraguaio.
Após a união dos dois lados, serão realizados o teste de carga e o tensionamento dos cabos de sustentação, juntamente com outros trabalhos complementares, como a laje do vão lateral acima do nível do solo. Isso permitirá a passagem de veículos e equipamentos de apoio. O projeto também inclui um sistema de iluminação cênica para os cabos.
Rota Bioceânica
A conclusão da ponte carrega uma simbologia única na história recente dos quatro países, permitindo uma integração por via terrestre com destino ao porto de Antofagasta, no Chile, já no oceano pacífico. Quanto inteiramente em operação, previsto para 2027, a rota Bioceânica vai reduzir o tempo de exportação para a Ásia em até 17 dias, em comparação à saída pelo Porto de Santos, e cortar custos de frete em torno de 30%, facilitando o escoamento de commodities agrícolas e carne pelo Pacífico, entre outros produtos.
Para Mato Grosso do Sul é um passo gigantesco para o desenvolvimento econômico, com impactos em vários setores, como indústria, comércio, agronegócio e, mais ainda, fomentando negócios entre e para empresas ao longo do trajeto.
Como toda obra deste porte, a rota bioceânica terá suas etapas de amadurecimento e exploração de todo o seu potencial logístico e comercial – tanto no curto, quanto no médio e longo prazos. Mas, na realidade, a união entre Carmelo Peralta e Porto Murtinho pela ponte, já é a concretização de um sonho de décadas de gestores do Estado, empresários e da população, tanto de Mato Grosso do Sul quanto do Paraguai, cujo intercâmbio comercial avança cada vez mais.


