A atividade econômica do Brasil terminou o ano quase estagnada no quarto trimestre e mostrou perda de força em relação a 2024 diante de uma política monetária restritiva.
O resultado do ano, divulgado nesta terça-feira (03) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foi o pior desde 2020, quando a atividade encolheu em meio à pandemia de Covid-19, mas ainda assim veio em linha com o esperado pelo governo.
O Produto Interno Bruto (soma de todos os bens, produtos e serviços, de toda a riqueza que o Brasil produziu) cresceu 2,3% em 2025, o menor resultado desde a pandemia, quando o PIB cresceu 3,4%. E o desempenho do ano passado só foi alcançado pela performance da agropecuária.
Em um ranking que mede o crescimento do PIB de 61 países, o Brasil saiu do 20º lugar, em 2024, para o 36º em 2025. As despesas do governo cresceram 2%.
No quarto trimestre, o Produto Interno Bruto (PIB) registrou avanço de 0,1% sobre os três meses anteriores, resultado que ficou em linha com a expectativa em pesquisa da Reuters.
Agro responde
Segundo o IBGE, a agropecuária respondeu por 32,8% do volume adicionado ao indicador no ano passado, seguida por indústria extrativa (15,3%), outras atividades de serviços (14,6%) e informação e comunicação (9,4%).
A coordenadora de contas nacionais do instituto, Rebeca Palis, informa que as principais contribuições vieram de segmentos menos influenciados pelos juros e com presença em exportações.
A indústria extrativa, por exemplo, fechou 2025 com alta acumulada de 8,6%. Houve crescimento da extração de petróleo e gás. Assim, o ramo extrativo sustentou o avanço da indústria geral no ano (1,4%).
A indústria de transformação, por outro lado, mostrou variação negativa de 0,2%. Trata-se de um segmento mais afetado pelos juros.
-“O agro foi responsável por um terço do PIB e, se ela não tivesse crescido, seria um PIB menor. Foi um ano de safra de soja e milho e aumento na laranja, com aumento de produção e produtividade. O agro sofre menos com juros e é uma atividade exportadora”, esclareceu Palis.
Mesmo com o crescimento de 1,4%, a indústria enfraqueceu em 2025 depois de ter avançado 3,1% no ano anterior. Os serviços – setor que responde por cerca de 70% da economia do país – tiveram avanço de 1,8%, também perdendo ritmo após alta de 3,8% em 2024.
PIB retraído
O PIB mostrou desaceleração no segundo semestre de 2025, depois de ter expandido 1,5% no primeiro trimestre e 0,3% no segundo. No terceiro trimestre, a economia ficou estagnada, em dado revisado pelo IBGE de alta de 0,1% informada antes. Em relação ao quarto trimestre de 2024, o PIB apresentou alta de 1,8%, também em linha com a expectativa.
-“Após três taxas (trimestrais) perto da estabilidade, isso é uma estagnação do crescimento, principalmente no segundo semestre. Os juros foram os vilões da economia no ano passado, foi o maior impacto sobre o PIB e esse impacto ficou muito claro no segundo semestre,” avaliou Rebeca Palis, coordenadora de Contas Nacionais do IBGE.
Analistas vinham indicando uma desaceleração da economia brasileira em 2025 diante da taxa de juros elevada, em 15% desde meados do ano passado. Um mercado de trabalho forte, entretanto, evitou perdas mais fortes.
Expectativa
A expectativa agora é de redução dos juros, começando neste mês. Em janeiro, o BC decidiu manter a Selic em 15%, mas indicou o início do ciclo de cortes na reunião dos próximos dias 17 e 18. A perspectiva econômica, entretanto, sofreu um impacto nesse fim de semana com os ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irã, que vêm causando preocupações com a inflação devido ao aumento dos preços do petróleo e do gás.
Ainda que o mercado de trabalho possa desacelerar em 2026, ele deve continuar ajudando a economia, que pode ganhar impulso ainda de medidas de estímulo adotadas pelo governo, como o aumento da faixa de isenção do Imposto de Renda. A agropecuária deve novamente impulsionar o PIB no início do ano mas, diante de incertezas relacionadas à eleição presidencial, empresas e famílias podem adotar postura mais cautelosa.
O Ministério da Fazenda previu nesta terça-feira que o PIB crescerá 2,3% novamente este ano.
Famílias reduzem o consumo
De acordo com o IBGE, o Consumo das Famílias cresceu 1,3% em relação a 2024. O instituto atribui essa melhora ao bom desempenho do mercado de trabalho, o aumento do crédito e os programas governamentais de transferência de renda.
No entanto, esta taxa representa uma desaceleração em relação ao crescimento de 2024 (5,1%) devido, principalmente, aos efeitos adversos da política monetária contracionista. O Consumo do Governo, por sua vez, cresceu 2,1%.


