agronegócio
Com Mato Grosso do Sul como segundo maior produtor, etanol de milho deve atingir 10 bilhões de litros no país
O etanol de milho consolida-se como um dos segmentos que mais crescem dentro da matriz de biocombustíveis no Brasil. Segundo o presidente da Unem (União Nacional do Etanol de Milho), Guilherme Nolasco, o país deve encerrar o atual ano-safra com 10 bilhões de litros produzidos, volume que representa cerca de um terço de todo o mercado nacional de etanol.
“O crescimento foi muito rápido. Nos últimos oito anos, o etanol de milho avançou a taxas superiores a 30% ao ano”, afirmou Nolasco. Para a próxima safra, que começa em abril, as projeções preliminares apontam para um crescimento de crescimento de cerca de 20%, podendo levar a produção para algo próximo de 12 bilhões de litros.
Mato Grosso do Sul
Hoje, o etanol hidratado é consumido de forma relevante em apenas seis estados, todos produtores: São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Paraná e Minas Gerais. Em outras regiões, como Sul, Norte e Nordeste, o consumo esbarra no preço elevado. “Onde não há oferta, o preço fica próximo ao da gasolina e o consumidor não cria o hábito de consumo”, afirmou.
Neste contexto as biorrefinarias de milho podem contribuir para a pulverização do consumo. Somente este ano 8 novas plantas devem ser inauguradas em diferentes regiões do Brasil.
Mato Grosso do Sul conta com três usinas de etanol de milho em operação. Inpasa Brasil possui usinas significativas no estado, com destaque para a unidade em Dourados. Em junho de 2024, uma nova grande usina de etanol de milho foi inaugurada em Maracaju, impulsionando a capacidade produtiva local.
Com a rápida expansão da oferta o setor vem se empenhando em criar novos mercados consumidores. A projeção da UNEM indica que na safra 2026/2027 a produção nacional de etanol pode superar os 4 bilhões de litros, dos quais 2 bilhões virão do milho e outros 2 bilhões da cana-de-açúcar. Com isso, o país adicionará entre 10% e 12% de oferta ao mercado em um único ciclo.
“O consumo projetado cresce cerca de 2%, enquanto a oferta pode crescer mais de 10%. Isso exige responsabilidade do setor”, diz Nolasco. Segundo ele, há três caminhos principais para absorver esse volume adicional: expandir o consumo interno em regiões onde o etanol ainda é pouco utilizado, substituir a gasolina nos mercados já consolidados e desenvolver novas aplicações no mercado internacional.
Os investimentos estão concentrados principalmente no Centro-Oeste, mas avançam também para o Sul e para a região conhecida como Matopiba, que engloba áreas dos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Há projetos em cidades como Balsas (MA), Luiz Eduardo Magalhães (BA) e Uruçuí (PI).
No Sul do país, onde três novas unidades devem ser instaladas, o avanço ocorre com plantas que utilizam trigo e triticale, aproveitando matérias-primas que não têm qualidade para panificação. “Não se trata de usar trigo que iria para a alimentação humana. É um trigo que não tem destino nobre e acaba sendo aproveitado de forma industrial”, explicou Nolasco.
Parque nacional
Atualmente, o Brasil conta com 25 biorrefinarias em operação, número que deve chegar a cerca de 33 unidades até o fim de 2026, com os novos empreendimentos já em construção ou em fase final de implantação. “Há outros 20 estudos em análise”, diz o presidente da UNEM, que estima que o Brasil tenha capacidade de dobrar a produção de etanol de milho até cerca de 2032, alcançando algo próximo de 20 bilhões de litros. No entanto, o presidente da entidade ressalta que os investimentos dependem diretamente da criação de demanda.
Novas aplicações
Além do mercado doméstico, o setor aposta em aplicações de médio e longo prazo, como o uso do etanol na produção de combustível sustentável de aviação (SAF), no transporte marítimo e na exportação para países que ampliam a mistura de etanol à gasolina.
“Nós podemos ser grandes demais para o mercado atual no curto prazo, mas ainda muito pequenos para mercados globais como navegação e aviação”, destacou Nolasco. Para ele, o potencial é significativo: apenas uma substituição parcial de combustíveis fósseis no transporte marítimo mundial superaria toda a produção brasileira atual. “Temos um enorme potencial para crescer, mas isso precisa ser sustentável”, concluiu.

