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27 de Janeiro de 2026

Economia

Copom deve manter Selic em 15%, estrangulando ainda mais a produção, freando a economia e diminuindo o consumo das famílias

Uma taxa Selic em 15% ao ano (o maior patamar desde 2006) encarece o crédito, freia a atividade econômica e o consumo das famílias a pretexto de conter a inflação, com efeitos severos no setor produtivo. Mas dados difusos da atividade doméstica e nova alta das tensões globais reforçam discurso de manutenção da Selic em 15% nesta semana.

A cúpula do BC (Banco Central) realiza na próxima quarta-feira (28), a primeira reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) de 2026, com investidores já antecipando a decisão de juros estacionados no atual patamar de 15% — o mais elevado em quase 20 anos.

Termômetros do mercado e análises de especialistas reforçam que o esperado movimento de afrouxamento da Selic deve ficar para março.

A primeira reunião do Copom de 2026 terá dois lugares a menos com as saídas dos diretores de Organização do Sistema Financeiro, Renato Gomes, e de Política Econômica, Diogo Guillen. Ambos são os últimos indicados pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para a cúpula da autoridade monetária. Agora, cabe ao presidente Lula (PT) apresentar novos nomes para preencher as vagas e ter a totalidade dos membros do Comitê.

Impactos na economia

Os impactos da manutenção da Selic em 15% incluem a redução de investimentos fixos, alta nos juros de financiamentos (imóveis/veículos), perda de fôlego no emprego e, em contrapartida, aumento na atratividade da renda fixa. O crédito vai continuar mais caro, desestimulando o consumo das famílias e o financiamento de bens duráveis, como veículos e imóveis, o que freia o aquecimento econômico.

Empresas, especialmente alavancadas, continuarão enfrentando custos maiores, o que leva à redução da produção, adiamento de planos de expansão e, consequentemente, menor geração de emprego.

A construção civil, setor sensível aos juros de longo prazo, prossegue sentindo o impacto negativo, com projeções de crescimento reduzidas, pois novos projetos se tornam inviáveis.

A Selic a 15% torna os investimentos em renda fixa (como Tesouro Selic e CDBs) muito atrativos. A poupança, no entanto, tende a render abaixo da inflação (regra de 0,5% ao mês + TR), perdendo atratividade. O ritmo de crescimento do país é reduzido, limitando a expansão da economia para controlar a inflação, gerando um cenário de maior cautela.

O outro lado

A expectativa de mais uma manutenção da Selic em 15% pelo BC é respaldada pelas indicações do presidente da autarquia, Gabriel Galípolo, da dependência dos dados para a tomada de decisões. Números recentes do mercado de trabalho mostram que o desemprego segue nas mínimas históricas, indicando uma economia ainda aquecida.

Por outro lado, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) segue gradualmente para o centro da meta, enquanto o dólar mantém sinais de arrefecimento no mercado doméstico. Em nota, analistas do Santander reforçam que o cenário desde início de 2026 está bastante semelhante ao de dezembro, quando o Copom realizou a última reunião de 2025 e optou por deixar os juros em 15% pela quarta decisão seguida.

Com esses sinais ainda apontando caminhos diferentes, é esperado que o BC siga na toada de manutenção da Selic nesta semana. “A desinflação avançou, a inflação dos serviços e o mercado de trabalho mantêm-se firmes, e a atividade econômica demonstra uma moderação heterogênea, consistente com a manutenção de uma postura contracionista”, afirma o time de analistas. O fator externo também corrobora com a percepção de postergação do corte de juros.

Desde a última reunião do Copom, o cenário geopolítico ficou mais desafiador com a ação militar dos Estados Unidos na Venezuela e o acirramento das tensões com as investidas de Donald Trump contra aliados europeus. Os sinais são evidentes para a manutenção da Selic e a explosão dos ganhos no mercado financeiro.

São tempos em que o dinheiro permanece trabalhando para quem detém a riqueza no país.

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