quarta-feira, 11 março 2026
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Evento na Suécia discute bioeconomia e circularidade para o futuro da indústria de celulose

Durante o Valmet Pulp Customer Days, em Sundsvall, na Suécia, especialistas discutem tendências, inovação e os caminhos para a evolução do setor

Durante o Valmet Pulp Customer Days, evento que reúne clientes e especialistas da indústria de celulose em Sundsvall, na Suécia, o futuro do setor foi discutido sob uma perspectiva cada vez mais ampla: além da produção de celulose, as fábricas devem evoluir para plataformas de bioeconomia, capazes de gerar novos produtos e valor a partir da biomassa. 

Em entrevista ao Portal Celulose durante o evento, Sami Riekkola, Executive Vice President de Pulp, Energy and Circularity da Valmet, destacou que a circularidade e a utilização de fluxos secundários da produção estão no centro da estratégia da companhia e da evolução da indústria. 

Segundo o executivo, o setor vem passando por uma transformação que amplia o papel das fábricas de celulose dentro da bioeconomia global. 

“A indústria está evoluindo para algo maior do que simplesmente produzir celulose. Estamos olhando também para os fluxos laterais do processo e para outros produtos que podem ser obtidos a partir da madeira”, afirmou Riekkola. 

Da Celulose para as Biorrefinarias

Historicamente, as fábricas de celulose foram projetadas para produzir fibra como produto principal, utilizando subprodutos principalmente para geração de energia interna. No entanto, com o avanço de tecnologias e a crescente demanda por soluções renováveis, novas possibilidades começam a ganhar espaço. 

De acordo com Riekkola, o caminho natural da indústria é transformar as plantas industriais em biorrefinarias, capazes de extrair valor adicional da biomassa. 

“Os produtores estão avançando na cadeia de valor e passando da produção de celulose para plataformas de bioprodutos, utilizando matérias-primas como lignina, tall oil e bioenergia”, explicou. 

Entre os exemplos citados pelo executivo estão tecnologias que permitem recuperar insumos químicos do próprio processo industrial, como o ácido sulfúrico, reduzindo a dependência de insumos externos. Outro exemplo é a valorização da lignina, um dos principais componentes da madeira. 

“Cerca de um terço da madeira é lignina. Tradicionalmente ela era utilizada apenas como combustível na caldeira de recuperação, mas hoje existem tecnologias capazes de extrair a lignina do licor negro e direcioná-la para aplicações de maior valor agregado”, disse. 

Embora tecnologias para extração de lignina já estejam disponíveis há anos, sua aplicação em larga escala ainda depende da consolidação de novas cadeias de valor. 

Segundo Riekkola, o setor começa a observar o surgimento de novos usos para o material, incluindo adesivos, aplicações químicas e até componentes para baterias. 

“Estamos vendo cada vez mais aplicações emergindo, desde adesivos e produtos químicos até materiais para baterias. O grande desafio agora é tornar essas soluções economicamente viáveis e desenvolver cadeias de valor consistentes para a lignina”, afirmou. 

Além da lignina, outras tecnologias também estão sendo desenvolvidas para ampliar o aproveitamento da biomassa, como processos de pirólise e soluções voltadas à conversão de resíduos florestais em novos produtos energéticos e químicos. 

Sustentabilidade

Para o executivo da Valmet, um dos grandes avanços recentes da indústria foi a capacidade de produzir celulose com alta eficiência energética e baixa dependência de combustíveis fósseis. 

Hoje, segundo ele, muitas fábricas já operam com balanço energético positivo. 

“As fábricas modernas já conseguem produzir celulose sem o uso de energia fóssil. Na verdade, muitas delas geram duas vezes e meia mais energia do que consomem, contribuindo inclusive para o fornecimento de energia local”, explicou. 

Esse cenário reforça o papel da indústria dentro da transição energética global e abre espaço para novas aplicações da biomassa. 

Brasil Protagonista da Bioeconomia

Durante a entrevista, Riekkola também destacou o papel estratégico do Brasil no desenvolvimento da indústria de celulose e na expansão da bioeconomia. 

Com florestas de rápido crescimento e projetos industriais de grande escala, o país se consolidou como um dos principais polos globais de produção. 

“O Brasil tem uma vantagem competitiva muito forte baseada na disponibilidade de matéria-prima e na velocidade de crescimento das florestas. Além disso, muitos dos ativos mais modernos da indústria estão sendo construídos no país”, afirmou. 

Segundo ele, manter essa liderança exigirá investimentos contínuos em tecnologia e eficiência operacional. 

“O setor precisa continuar evoluindo. Os mercados mudam rapidamente e manter a liderança exige avanços constantes em eficiência, desempenho ambiental e desenvolvimento de novos produtos.” 

Eficiência e Competitividade

Outro tema central do Valmet Pulp Customer Days é a busca permanente por competitividade e eficiência nas operações industriais. 

De acordo com Riekkola, independentemente do cenário de mercado, a melhoria contínua dos ativos industriais permanece essencial para os produtores. 

“Os produtores precisam constantemente avaliar como manter sua competitividade. Em alguns casos isso significa aumentar capacidade ou melhorar eficiência. Em outros, pode significar converter a produção para novos tipos de celulose ou aplicações”, afirmou. 

Nesse contexto, centros de pesquisa e unidades piloto têm um papel importante para testar novos processos e tecnologias antes de sua aplicação em escala industrial. 

O futuro das Fábricas de Celulose

Ao projetar o futuro da indústria, Riekkola acredita que as fábricas passarão por uma transformação significativa nas próximas décadas. 

Segundo ele, as plantas industriais do futuro serão ainda mais eficientes, automatizadas e integradas à bioeconomia. 

“Provavelmente não falaremos mais apenas de fábricas de celulose, mas de fábricas de bioprodutos. Elas serão mais eficientes, mais autônomas, com menos emissões e até potencialmente negativas em carbono”, afirmou. 

Além disso, essas plantas deverão utilizar de forma ainda mais eficiente os recursos naturais, com menor consumo de energia, menor uso de insumos e maior aproveitamento de fluxos secundários da produção. 

A eletrificação de processos e o aumento do uso de biomassa também devem desempenhar um papel importante nessa evolução. 

**Com informações Portal da Celulose

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