quarta-feira, 1 abril 2026
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Flávio César diz que impacto nas contas de MS com adesão ao subsídio do diesel será de R$ 66 milhões em dois meses

A medida provisória com o subsídio sai ainda esta semana. Embora a subvenção não exija o compromisso de todos os governadores, as negociações para conseguir a adesão de todas as unidades da Federação continuam.

Durante entrevista na tarde desta quarta-feira (01) ao programa Estúdio i da Globo News, o secretário de Fazenda de Mato Grosso do Sul e presidente do Comsefaz (Comitê Nacional de Secretários de Fazenda, Finanças, Receita ou Tributação dos Estados e do Distrito Federal), Flávio César, revelou que o impacto às finanças do Estado, da adesão à proposta de subsídio ao diesel importado do Governo federal, será de R$ 66 milhões nos dois meses de vigência da medida.

A proposta prevê um subsídio total de R$ 1,20 por litro de diesel importado por dois meses. O custo será dividido igualmente entre o governo federal e os estados, com R$ 0,60 arcados pela União e os outros R$ 0,60 pelas unidades da federação. A medida foi tomada em função do conflito no Oriente Médio que levou ao fechamento do estreito de Ormuz.

Secretário Flávio César em entrevista nesta tarde ao Globo News – Foto: Reprodução

Nos cálculos de Flávio César, o valor total da contribuição dos Estados vai chegar a R$ 3,5 bi. “Estabelecemos um acordo para que cada Procon estadual atue de forma mais efetiva e mais contundente para que este esforço concentrado tenha resultado”, ponderou em um trecho da entrevista o titular da Sefaz/MS.

Nesse sentido, o Comfaz assinou um convênio com a própria ANP (Agência Nacional do Petróleo) para que a fiscalização também acontece no âmbito do Governo federal.

– “O esforço está sendo feito e, esta foi uma questão que pesou muito na decisão dos governadores, para evitar o desabastecimento do diesel importado e impactar ainda mais o setor produtivo”, ressaltou Flávio César.

Preço do diesel

Do início da guerra no Irã, em 28 de fevereiro, até a semana terminada em 22 de março (dado mais recente), o preço do óleo diesel S10 (menos poluente) subiu cerca de 23% no país, de acordo com o painel de acompanhamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), órgão regulador do setor.

No último dia 14, a Petrobras colocou em prática um reajuste de R$ 0,38.  O governo tomou medidas para frear a alta, como a zeragem das alíquotas dos dois tributos federais que incidem sobre o combustível (PIS e Cofins), além de subvenção (espécie de reembolso) para produtores e importadores do óleo.

Nesta quarta-feira, outro combustível vendido pela Petrobras, o querosene de aviação (QAV), sofreu reajuste de 55%. O QAV responde por cerca de 30% do custo das companhias aéreas.

Lucro dos Postos e Distribuidoras

A margem de lucro de distribuidoras e postos de combustíveis do Brasil cresceu, em média, 37% desde o início da guerra no Oriente Médio, de acordo com um levantamento do Ibeps (Instituto Brasileiro de Estudos Políticos e Sociais).

A análise é baseada em dados do Relatório Mensal do Mercado de Derivados de Petróleo, do MME (Ministério de Minas e Energia), que monitora a produção, importação, exportação e vendas de combustíveis no país.

Os porcentuais se referem exclusivamente à margem de lucro – parcela do valor total que fica com distribuidoras e postos – e não ao preço final pago pelo consumidor.

Guerra e petróleo

O conflito no Oriente Médio acontece em uma região que concentra países produtores de petróleo e rotas estratégicas, como o Estreito de Ormuz ─ por onde passam 20% da produção mundial ─, o que levou distorções à cadeia de petróleo e escalada de preços no mercado global.

Nesta quarta-feira (01), o preço do barril tipo Brent (referência internacional de preço) está sendo negociado pouco acima de US$ 101 (cerca de R$ 520). Antes da guerra, o óleo era cotado perto de US$ 70.

Adesão

Até ontem (31) os Estados abaixo relacionados se posiconaram a favor do subsídio:

  1. Acre (AC)
  2. Alagoas (AL)
  3. Amazonas (AM)
  4. Bahia (BA)
  5. Ceará (CE)
  6. Espírito Santo (ES)
  7. Maranhão (MA)
  8. Mato Grosso (MT)
  9. Mato Grosso do Sul (MS)
  10. Minas Gerais (MG)
  11. Paraíba (PB)
  12. Paraná (PR)
  13. Pernambuco (PE)
  14. Piauí (PI)
  15. Rio Grande do Norte (RN)
  16. Rio Grande do Sul (RS)
  17. Roraima (RR)
  18. Santa Catarina (SC)
  19. Sergipe (SE)
  20. Tocantins (TO)

Os demais estados — Amapá (AP), Goiás (GO), Pará (PA), Rondônia (RO), São Paulo (SP) — ainda não se manifestaram. O Distrito Federal (DF) já se posicionou contra.

Publicação Medida

A medida provisória com o subsídio sai ainda esta semana. Embora a subvenção não exija o compromisso de todos os governadores, o ministro explicou as negociações para conseguir a adesão de todas as unidades da Federação continuam.

De caráter temporário e excepcional, a proposta prevê um subsídio total de R$ 1,20 por litro de diesel importado por dois meses. O custo será dividido igualmente entre o governo federal e os estados, com R$ 0,60 arcados pela União e os outros R$ 0,60 pelas unidades da federação.

Proporção

Segundo o comunicado, a participação dos estados será proporcional ao volume de diesel consumido em cada região, embora os critérios específicos ainda estejam em definição.

A iniciativa terá duração limitada, com o objetivo de evitar impactos fiscais permanentes. A adesão é voluntária, conforme discutido pelo Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), órgão deliberativo que reúne os secretários estaduais da área, acima do Comsefaz.

O texto também estabelece que as cotas dos estados que optarem por não participar não serão redistribuídas entre os demais, preservando a autonomia das unidades federativas.

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