O período atual, diz a Agrifatto, reflete uma “ressaca” de consumo pós-festas, “resultando em um ritmo de negócios lento e menor apetite de compra por parte das indústrias”.
Na praça paulista, de acordo com apuração da Scot Consultoria, os frigoríficos que abriram compras nesta segunda-feira (5/1) observaram um aumento na oferta de animais terminados em relação ao final do ano, o que deu espaço para uma queda de R$ 2/@ no preço do boi gordo sem padrão-exportação, agora negociado em R$ 317/@, no prazo (valor bruto).
No apagar das luzes
No apagar das luzes de 2025, relata a Agrifatto em seu boletim informativo, a China, principal destino da carne bovina in natura brasileira, anunciou uma política de salvaguarda para proteger sua produção doméstica, estabelecendo cotas anuais específicas aos países fornecedores e uma tarifa adicional de 55% sobre volumes que ultrapassarem esses limites (veja a tabela abaixo).
| China impõe salvaguarda à carne bovina importada (em milhões de toneladas) | |||
| País | 2026 | 2027 | 2028 |
| Brasil | 1,106 | 1,128 | 1,154 |
| Argentina | 0,511 | 0,521 | 0,532 |
| Uruguai | 0,324 | 0,331 | 0,337 |
| Nova Zelândia | 0,206 | 0,210 | 0,214 |
| Austrália | 0,205 | 0,209 | 0,213 |
| Estados Unidos | 0,164 | 0,168 | 0,171 |
| Outros países e regiões | 0,172 | 0,175 | 0,179 |
| Total | 2,688 | 2,742 | 2,797 |
| Fonte: Scot Consultoria | |||
As medidas entraram em vigor em 1º de janeiro de 2026, e têm duração prevista de três anos, até 31 de dezembro de 2028, com previsão de aumento anual das cotas para cada país-fornecedor.
Com isso, a partir de janeiro de 2026, passou a valer uma cota anual de 1,106 milhão de toneladas para importações do Brasil e o volume que exceder esse limite será taxado em mais 55%, além da tarifa de 12% já existente (total de 67% fora da cota).
O Brasil é maior fornecedor mundial de carne bovina à China, para onde é direcionado mais de 50% dos embarques totais.
Em 2024, a China importou 1,34 milhão de toneladas de carne bovina do Brasil, 594.567 toneladas da Argentina, 243.662 toneladas do Uruguai, 216.050 toneladas da Austrália, 150.514 toneladas da Nova Zelândia e 138.112 toneladas dos Estados Unidos.
Segundo a Agrifatto, o anúncio sobre a salvaguarda chinesa acendeu o sinal de alerta entre produtores e frigoríficos brasileiros, diante do risco de dificuldade no escoamento da produção, pressão sobre os preços e redução das margens, caso as vendas ultrapassem a cota.
“O mercado passou a avaliar como essa restrição pode afetar o fluxo das exportações e a formação de preços da arroba no mercado interno”, observam os analistas da Agrifatto.
Apesar da apreensão inicial, logo após a medida imposta do governo de Pequim, os importadores da China voltaram às compras pagando mais pela proteína.
De acordo com os dados levantados pela Agrifatto, a tonelada do dianteiro desossado, por exemplo, avançou de US $5.400 para US $5.800, mantendo viés de alta.
No mercado futuro, os contratos do boi gordo subiram na sexta-feira (2/1) na B3. O principal destaque foi o contrato com vencimento em janeiro/26, negociado a R$ 317/@, com alta de R$ 1/@ em relação ao dia anterior.
O ágio entre o mercado físico e futuro continua inexistente no contrato de curto prazo. Atualmente, esse diferencial é percebido apenas nos contratos mais longos, a partir de março, com prêmios acima de R$ 5/@.
Carne bovina no varejo/atacado
O mercado atacadista iniciou 2026 sem grandes movimentações. A carcaça casada bovina permaneceu estável na comparação semanal, sendo comercializada a R$ 22,01/kg, informa a Agriaftto.
De acordo com os dados da consultoria, os cortes bovinos apresentaram leves recuos, com destaque para a ponta de agulha, que registrou retração de 0,06%, com preço de R$ 18,51/kg, enquanto o dianteiro apresentou queda semanal de 0,04%, encerrando o período a R$ 18,40/kg.
Para a próxima semana, prevê a Agrifatto, o cenário tende a seguir dentro dessa mesma dinâmica, com menor ímpeto da demanda pela carcaça casada, reflexo do convencional “aperto” no orçamento das famílias no início do ano, marcado por despesas sazonais como impostos, mensalidades e contas acumuladas de fim de 2025.
Breve balanço de 2025
Em 2025, os preços do boi gordo avançaram de forma consistente na maior parte do país, destaca a Agrifatto. Conforme a consultoria, a média nacional registrou alta anual de 25,49%, com a arroba cotada a R$ 303,19/@.
“Esse desempenho ocorreu mesmo diante de um cenário de oferta recorde, sustentado principalmente pela forte demanda externa, com volumes embarcados em patamares históricos, além de um consumo doméstico resiliente”, justificam os analistas da Agrifatto.
Bezerro sobe ainda mais
O bezerro acompanhou o movimento de alta do boi gordo, com valorização ainda mais intensa ao longo do ano passado, observa a Agrifatto.
A categoria acumulou avanço anual de 37,37%, encerrando 2025 com preço médio de R$ 2.749,46/cabeça, destaca a consultoria.
Relação de troca
A relação de troca entre o bezerro de 200 kg e o boi gordo de 20@ fechou o ano em 2,21 cab/cab na média nacional, queda de 8,24% em relação ao quadro registrado em 2024, compara a Agrifatto.
“A deterioração do indicador reflete a valorização mais acelerada do bezerro frente ao boi gordo, mantendo a relação de troca 3,22% abaixo da média histórica”, ressalta a consultoria.
Preços da carne avançam
Na média anual, destaca a Agrifatto, a carcaça casada alcançou um marco histórico, sendo cotada a R$ 21,33/kg, com incremento de 23,03% frente a 2024 (R$ 17,34/kg), configurando o maior patamar da série histórica.
Todos os cortes apresentaram variações anuais superiores a 20%, com destaque para o dianteiro, que avançou 27,15%, sendo negociado, em média, a R$ 18,74/kg, contabiliza a Agrifatto.

