Política
Novo endereço de Maduro é o MDC, prisão federal de Nova Iorque com regras rígidas de segurança
Imagens transmitidas em canais de televisão mostraram o desembarque do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, no Aeroporto Internacional de Stewart, no Vale do Hudson, a cerca 95 quilômetros da cidade de Nova York, nos Estados Unidos (EUA). A aeronave que levou o líder latino-americano e sua esposa, Cília Flores, pousou por volta das 18h30 (horário de Brasília) deste sábado (3), mais de 16 horas após a captura do casal, em Caracas, por forças especiais norte-americanas em uma invasão militar sem precedentes do território venezuelano.
No desembarque, Maduro aparecia cercado por dezenas de agentes federais do FBI e da DEA, a agência de combate às drogas do país norte-americano. Vestindo moletom e usando capuz, ele parecia ter algemas nos pés e nas mãos, e tinha dificuldade de descer as escadas da aeronave e caminhar pela pista até um hangar do aeroporto.
Maduro permanecerá encarcerado no Centro de Detenção Metropolitano (MDC) do Brooklyn, em Nova York. Trata-se da única prisão federal da cidade e abriga presos provisórios e condenados de alta periculosidade, com uma população carcerária atual de 1.336 pessoas.
O MDC é frequentemente alvo de relatos e denúncias envolvendo superlotação, problemas de infraestrutura e até violência, segundo informações do jornal The New York Times. Em julho de 2024, Edwin Cordero morreu após ser ferido em uma briga enquanto cumpria pena no MDC. Em junho de 2020, outro preso, Jamel Floyd, morreu após ser atingido com spray de pimenta lançado por agentes penitenciários da cadeia. O local também é conhecido pelo rigor nas regras de segurança e condições precárias
Trump
Mais cedo, em coletiva de imprensa, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou, em sua primeira manifestação oficial após a invasão militar na Venezuela e captura de Maduro, que o próprio governo estadunidense vai administrar o país latino-americano, a partir de agora, até que se possa fazer uma transição de poder.
A operação militar envolveu cerca de 150 aeronaves e foi planejada por meses, disseram as autoridades norte-americanas.
Trump não soube precisar por quanto tempo precisará controlar diretamente o país sul-americano, que possui uma fronteira de mais de 2 mil quilômetros (km) com o Brasil. Apesar disso, ele indicou um possível diálogo com a vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, do grupo político do agora presidente deposto e raptado, Nicolás Maduro, sobre um eventual governo interino do país. Ela, porém, rechaçou qualquer subordinação ao governo dos EUA, em sua primeira manifestação.
Acusações
Ao todo, Maduro responderá por quatro crimes. Ele foi acusado de conspiração para narcoterrorismo, conspiração para importação de cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos explosivos, e conspiração para posse de metralhadoras e dispositivos explosivos contra os EUA.
As ações foram divulgadas em ação assinada pelo procurador Jay Clayton e divulgada pelo Departamento de Justiça dos EUA. Além de Maduro, foram indiciados na mesma ação outras quatro pessoas — a esposa, Cilia, e o filho do ditador, “Nicolasito”, e três colegas de administração do governo de Maduro.
São eles: o ministro do Interior, Justiça e Paz da Venezuela, Diosdado Cabello, o ex-ministro Ramón Rodríguez Chacín, da mesma pasta, e Héctor Rusthenford Guerrero Flores, conhecido como “Niño Guerrero”. Este último é considerado pelo governo Trump o principal líder do grupo criminoso venezuelano Tren de Aragua.

