agronegócio
Oferta limitada mantém alta da arroba do boi no mercado
O mercado físico do boi gordo encerrou a semana com preços em alta em diversas praças do país. Segundo análise de Fernando Iglesias, da Safras & Mercado, a limitação na oferta de animais prontos para o abate tem dificultado o avanço das escalas dos frigoríficos e sustentado a valorização da arroba.
A tendência, segundo o especialista, é que o movimento de alta continue no curto prazo, impulsionado pelo ritmo aquecido das exportações e pela demanda firme do mercado internacional, com destaque para países como Estados Unidos, China e União Europeia.
No dia 5 de fevereiro, os valores médios da arroba do boi gordo na modalidade a prazo apresentavam os seguintes patamares:
- São Paulo (Capital) – R$ 340,00 por arroba (+3,03% frente aos R$ 330,00 da semana anterior);
- Goiás (Goiânia) – R$ 320,00 por arroba (+1,59% em relação aos R$ 315,00 do fechamento anterior);
- Minas Gerais (Uberaba) – R$ 320,00 por arroba (estável frente à semana passada);
- Mato Grosso do Sul (Dourados) – R$ 320,00 por arroba (+1,59% em comparação aos R$ 315,00 da semana anterior);
- Mato Grosso (Cuiabá) – R$ 315,00 por arroba (+1,61% sobre os R$ 310,00 do último fechamento);
- Rondônia (Vilhena) – R$ 290,00 por arroba (+3,57% ante os R$ 280,00 registrados anteriormente).
O cenário reflete um mercado de oferta enxuta e demanda aquecida, que deve manter o ritmo de valorização nas próximas semanas.
No mercado atacadista, os preços da carne bovina também registraram alta durante a semana, especialmente nos cortes do dianteiro e traseiro.
Segundo Iglesias, o baixo nível de estoques nas indústrias explica o comportamento atípico de valorização em um período historicamente marcado por consumo mais fraco.
“A redução nos preços da carne de frango e dos cortes suínos ainda não chegou de forma expressiva ao varejo, o que mantém a carne bovina em um ambiente de firmeza”, observa o analista.
Atualmente, o quarto dianteiro é negociado a R$ 19,00 por quilo, aumento de 5,56% frente aos R$ 18,00 do final de janeiro. Já os cortes do traseiro bovino são cotados a R$ 26,50 por quilo, alta de 1,92% em relação aos R$ 26,00 do mês anterior.
O setor exportador segue como principal motor da demanda. As exportações brasileiras de carne bovina (fresca, refrigerada ou congelada) alcançaram US$ 1,291 bilhão em janeiro (até o dia 31), segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
O volume embarcado chegou a 231,8 mil toneladas, com média diária de 11,0 mil toneladas e preço médio de US$ 5.573,20 por tonelada.
Em comparação com janeiro de 2025, houve:
- Alta de 42,5% no valor médio diário exportado;
- Crescimento de 28,6% no volume médio diário embarcado;
- Avanço de 10,8% no preço médio da tonelada.
Esses números reforçam a força do Brasil como maior exportador global de carne bovina e ajudam a explicar a firmeza dos preços internos da arroba do boi.

