O lançamento da temporada 2026 será no dia 14 de abril, em Porto Alegre (RS). Neste ano, o repertório dos espetáculos propõe uma experiência em família, unindo gerações, em sintonia com a comemoração dos 80 anos do Sesc.

Cultura ballroom e representatividade na cena
“Peça Única” nasce da vivência e da pesquisa artística desenvolvidas pela House of Hands Up dentro da cultura ballroom, movimento que surgiu nas comunidades negras e LGBTQIA+ do Harlem, em Nova York, como espaço de pertencimento, afirmação identitária e resistência. No Brasil, as houses têm desempenhado papel fundamental na formação de artistas e na consolidação dessa estética como linguagem contemporânea.
Para Roger Pacheco, mother da House of Hands Up e coreógrafo do espetáculo, a seleção representa um marco importante. “Integrar o Palco Giratório é um reconhecimento histórico. A cultura ballroom sempre foi um espaço de resistência e criação, mas nem sempre ocupou os grandes circuitos institucionais. Estar nessa programação é afirmar que nossa linguagem é arte, é pesquisa e é política.”
Segundo ele, o espetáculo não se limita a reproduzir o universo das balls, mas traduz seus códigos e experiências para a cena. “’Peça Única’ dialoga com as disputas simbólicas, com o senso de família e com a afirmação de identidade que estruturam a ballroom. É sobre ocupar espaço com o corpo, história e orgulho.”
A circulação nacional, destaca Roger, também amplia horizontes. “Levar esse trabalho para diferentes regiões do país é abrir caminhos para que outras pessoas se reconheçam e se sintam pertencentes.”
Mato Grosso do Sul em destaque nacional
A seleção de “Peça Única” também consolida um momento significativo para as artes cênicas de Mato Grosso do Sul. O estado participou pela primeira vez do Palco Giratório em 2009, com “Cultura Bovina?”, da Ginga Cia de Dança. Em 2014, integrou a programação com “Plagium?”, da Cia Dançurbana. Mais recentemente, em 2024, “Procedimento #6”, de Jackeline Mourão e Reginaldo Borges, foi selecionado, seguido por “A Fabulosa História do Guri-Árvore”, do grupo Fulano di Tal, em 2025.
Com a edição de 2026, o MS alcança três anos consecutivos com espetáculos na programação nacional, um feito que evidencia a maturidade e a potência da produção artística local.
Para Paulo Oliveira, analista em cultura do Sesc MS e curador do Palco Giratório, a presença da obra na 28ª edição reforça o compromisso do projeto com a diversidade. “A seleção de “Peça Única” reafirma o compromisso do Palco Giratório com a pluralidade estética e territorial. Trata-se de um trabalho potente, conectado a debates contemporâneos sobre identidade e representatividade, com excelência artística.”
Ele também destaca o significado da presença contínua do estado na programação. “Ter três anos consecutivos de espetáculos sul-mato-grossenses no circuito nacional demonstra a consistência da nossa produção. É resultado de um trabalho contínuo de fortalecimento da cadeia das artes cênicas no estado.”


