O Governo de Mato Grosso do Sul, por meio da Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), participou nesta quinta-feira (5) de seminário realizado no Bioparque Pantanal, em Campo Grande, que debateu os benefícios da implementação do sistema global de trânsito TIR associado ao desenvolvimento do Corredor Bioceânico de Capricórnio. A Semadesc foi representada no painel “Como melhorar a eficiência do Corredor Bioceânico no trânsito internacional” pela assessora especial de Integração do Corredor Bioceânico, Danniele Paiva, que participou da mesa redonda ao lado de representantes do setor público e privado.
O encontro teve como objetivo apresentar os benefícios da implementação do sistema TIR (Transports Internationaux Routiers), mecanismo internacional de facilitação aduaneira que permite o transporte de cargas entre diferentes países com menor burocracia e maior previsibilidade nas operações. Integrado ao Corredor Bioceânico de Capricórnio, o sistema tende a ampliar a conexão logística da região com mercados da Ásia e da Europa, além de fortalecer a competitividade do comércio internacional entre os países participantes.
Durante sua apresentação, a assessora da Semadesc destacou o papel estratégico de Mato Grosso do Sul na consolidação do corredor, ressaltando as ações coordenadas pelo Governo do Estado para estruturar a governança regional, avançar em projetos de infraestrutura e promover a integração econômica entre Brasil, Paraguai, Argentina e Chile. Ela também apresentou iniciativas relacionadas ao Plano Mestre de Integração e Desenvolvimento do Corredor Bioceânico, instrumento de planejamento regional financiado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que reúne diagnósticos e planos de ação voltados à facilitação do comércio, melhoria da infraestrutura física e digital e estímulo ao desenvolvimento produtivo local.
Ponte
Entre os projetos estratégicos citados estão as obras da ponte binacional entre Porto Murtinho e Carmelo Peralta, no Paraguai, considerada uma das principais estruturas do corredor logístico. Com cerca de 1.294 metros de extensão e investimento aproximado de US$ 85 milhões, financiado pela Itaipu Binacional, a obra já ultrapassa 90% de execução e tem previsão de conclusão em agosto de 2026. Também foram apresentados avanços nas obras de acesso à ponte e no contorno rodoviário de Porto Murtinho, fundamentais para garantir a integração da infraestrutura regional à BR-267.
No entanto, a inauguração da Ponte Internacional da Rota Bioceânica, pode ser adiada por causa de obras incompletas, falta de alfândega e pendências regulatórias. Faltam menos de 90 metros para concluir a estrutura. No entanto, o acesso por terra até a BR-267 ainda não tem prazo definido.
A obra de acesso à ponte, com 13 quilômetros no lado brasileiro, está atrasada e depende de recursos do governo federal.
O corredor é estratégico para Mato Grosso do Sul, especialmente para cadeias produtivas voltadas à exportação. Entre os setores estratégicos estão proteínas animais, soja, celulose e turismo, áreas em que o Estado possui forte competitividade e que devem se beneficiar da redução de distâncias logísticas entre o Centro-Oeste brasileiro e os portos do Pacífico.
O seminário reuniu especialistas internacionais e autoridades para discutir a implementação do sistema TIR no Corredor Bioceânico de Capricórnio. A programação contou com palestras sobre os impactos do corredor no desenvolvimento regional, os benefícios do sistema para a competitividade logística e as etapas necessárias para sua adoção nos países envolvidos.


