Economia
Ponte da Bioceânica conecta Brasil ao Paraguai até maio e começa a viabilizar acesso a um mercado de 180 milhões de consumidores
A ponte internacional da Rota Bioceânica, que vai conectar Porto Murtinho (MS) a Carmelo Peralta, no Paraguai, está a 128 metros de concluir o vão central sobre o rio Paraguai. A previsão é de que a ligação física entre os dois países seja concluída até o final do mês de maio deste ano, segundo publicação do secretário Jaime Verruck da Semadesc em suas redes sociais.
O Corredor abrirá um mercado de 180 milhões de consumidores, ao integrar módulos logísticos já existentes e permitir uma movimentação de cargas mais eficiente. A Bioceânica não se limita a transporte. É uma plataforma de desenvolvimento econômico e social local.
Do total de 350 metros que compõem o vão central da estrutura, restam apenas os últimos metros para que as duas frentes de obra se encontrem. Os trabalhos foram retomados neste mês de janeiro, após o recesso de fim de ano. Em apenas dez dias, a construção avançou 12 metros, reduzindo a distância entre as duas extremidades da ponte. Com a junção das estruturas, terá início a etapa final da obra. 
Essa fase inclui a construção e implantação de calçadas, pistas de rolamento, iluminação viária e ornamental, além de pavimentação e sinalização. A ponte é considerada um dos principais eixos da Rota Bioceânica, corredor logístico que pretende integrar o Brasil aos portos do Pacífico, passando pelo Paraguai, Argentina e Chile.
Com cerca de 1,3 quilômetro de extensão, a ponte internacional cruza o rio Paraguai e foi projetada para viabilizar uma passagem diária estimada de até 250 caminhões. Esse volume é o que sustenta a expectativa de ganho logístico, porque a obra não é apenas uma ligação física, mas um ponto de escoamento regular para cargas.
Ao concentrar esse fluxo na fronteira Brasil-Paraguai, a ponte tende a reorganizar o deslocamento terrestre até os portos do Pacífico, reduzindo etapas e horas perdidas em rotas mais longas. Menos dias em trânsito significam menos custo indireto, sobretudo em mercadorias sensíveis a prazo.
A ponte integrada ao corredor terrestre até o Pacífico, reposiciona o ponto de saída e entrada marítima, reduzindo o trecho oceânico em direção à China e, por consequência, o total de dias no caminho. A estimativa de redução de até 15 dias é o tipo de número que muda planejamento de estoque, janela de reposição e custo financeiro de mercadoria parada. Para importadores e exportadores, tempo é moeda, e a ponte ganha relevância justamente por encurtar o calendário das cadeias globais.
Rota Bioceânica
A Rota Bioceânica é um corredor rodoviário internacional de mais de 2.400 km que conecta os oceanos Atlântico e Pacífico, passando por Brasil, Paraguai, Argentina e Chile.
A obra tem como objetivo reduzir o tempo e o custo do transporte de mercadorias entre os países do Mercosul e os mercados asiáticos, com destaque para China, Índia, Japão e Coreia do Sul, via portos do norte do Chile. A expectativa é de uma redução de até 30% nos custos logísticos e de 15 dias no tempo de transporte em relação à rota marítima tradicional pelo Canal do Panamá.
- Redução de Tempo e Custo: A expectativa é reduzir em até 17 a 20 dias o tempo de transporte de mercadorias (como soja, carne e celulose) para a Ásia e diminuir os custos de frete em cerca de 30%, comparado à saída pelo Atlântico.
- Integração Regional: Além da Ásia, o corredor facilita o comércio entre os países do Mercosul (Brasil, Paraguai, Argentina) e a costa oeste sul-americana (Chile).
- Hub de Desenvolvimento: O Mato Grosso do Sul, em especial a região de Porto Murtinho, se tornará um novo centro logístico, facilitando a exportação de produtos agrícolas e industriais, além de impulsionar o turismo.
Convenção Aduaneira
O Governo Federal deu um passo considerado estratégico para tornar a Rota Bioceânica mais competitiva no acesso ao Oceano Pacífico. Com a aprovação do Decreto Legislativo nº 267/2025 e a carta de ratificação assinada em 31 de dezembro pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o país aderiu oficialmente à Convenção Aduaneira sobre o Transporte Internacional de Mercadorias ao Abrigo das Cadernetas TIR, de 1975.
Para o Governo de Mato Grosso do Sul, a adesão brasileira ao sistema TIR é vista como peça-chave para viabilizar plenamente a Rota Bioceânica. Na prática, a Convenção TIR funciona como um “passaporte de cargas”: os caminhões são lacrados e inspecionados principalmente na origem e no destino, com procedimentos aduaneiros simplificados nas fronteiras intermediárias.
O modelo, já adotado por dezenas de países, reduz o tempo de travessia de fronteiras e os custos logísticos, ao permitir o envio eletrônico antecipado de informações às aduanas e oferecer garantias internacionais sobre tributos incidentes ao longo da rota.

