agronegócio
Safra recorde e câmbio fraco travam vendas de soja
O mercado da soja atravessa um período de forte pressão, em meio ao avanço da safra brasileira 2025/26, estimada em 180 milhões de toneladas. Segundo dados divulgados pela Grão Direto, o aumento da oferta, combinado a um câmbio menos favorável e custos de produção elevados, tem reduzido significativamente as margens dos produtores e dificultado a negociação no mercado físico.
Nas últimas semanas, o cenário climático dividiu o Brasil: enquanto as chuvas no Centro-Norte favoreceram o desenvolvimento das lavouras, trouxeram também risco de atraso na colheita em estados como Mato Grosso. Já no Sul, o excesso de umidade elevou a ameaça de ferrugem asiática, exigindo vigilância e investimento extra no manejo.
No mercado internacional, a referência de Chicago vem mantendo viés negativo. O contrato de soja para janeiro de 2026 caiu 2,65%, fechando a US$ 10,30 por bushel, enquanto o contrato de março recuou 2,43%, cotado a US$ 10,46 por bushel. A tendência baixista é atribuída principalmente à queda no farelo e à saída de fundos especulativos, que vêm liquidando posições de forma intensa.
A fraqueza em Chicago tem deixado o mercado interno ainda mais dependente das oscilações do câmbio. O dólar encerrou a semana com desvalorização de 1,99%, cotado a R$ 5,43, o que limitou ainda mais o poder de barganha do produtor brasileiro. “Mesmo com alguma demanda da China, os compradores estão cautelosos e evitam pagar preços mais altos”, aponta a análise da Grão Direto.
Com isso, o mercado físico operou de forma mista — com algumas regiões registrando alta e outras em baixa — refletindo a falta de direção firme, apesar da tendência negativa predominante. As vendas existem, mas o sentimento predominante é de espera: quem não precisa de caixa tende a segurar o produto, aguardando possíveis reações do dólar ou uma reversão no mercado futuro.

